Estatísticas e Análises | 8 de julho de 2026

Pesquisa clínica em oncologia: A.C.Camargo separa mitos e verdades no Dia do Pesquisador Clínico

Em um país que responde por 2,2% dos ensaios clínicos globais, especialistas explicam segurança, ética e personalização do cuidado
Pesquisa clínica em oncologia A.C.Camargo separa mitos e verdades no Dia do Pesquisador Clínico

No Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Clínico, celebrado em 8 de julho, o A.C.Camargo Cancer Center reforçou o papel da pesquisa clínica no avanço do tratamento do câncer — em um país que ainda responde por cerca de 2,2% dos ensaios clínicos conduzidos no mundo.


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Embora modesta no cenário global, a participação brasileira vem crescendo com a atuação de centros especializados, equipes qualificadas e maior possibilidade de inclusão de pacientes em estudos. No A.C.Camargo, a pesquisa clínica integra um modelo que une assistência, ensino, pesquisa e inovação, com estudos conduzidos segundo protocolos científicos e exigências regulatórias nacionais e internacionais.


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Para Alessandra Sarti, gerente de Pesquisa Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, os estudos ampliam o acesso a alternativas terapêuticas dentro de critérios rígidos de segurança. “A pesquisa clínica permite que pacientes tenham acesso a estratégias inovadoras de tratamento, sempre dentro de critérios muito bem definidos, com acompanhamento próximo e segurança. Ela também amplia o impacto da instituição no avanço da oncologia, porque transforma perguntas da prática médica em conhecimento que pode beneficiar muitos outros pacientes”, afirma.


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Mariana Brait, gerente sênior de Pesquisa e membro da Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação da instituição, associa o futuro da área à personalização do cuidado. “Caminhamos para compreender cada vez melhor as características de cada tumor e de cada paciente. Isso permite desenvolver tratamentos mais direcionados, com maior chance de benefício e menor exposição a abordagens que talvez não sejam as mais adequadas para aquele caso”, explica.

Apesar da relevância, a pesquisa clínica ainda é cercada por dúvidas que afastam pacientes dos estudos. Para esclarecê-las, as especialistas do A.C.Camargo reuniram os principais mitos e verdades sobre o tema.

5 MITOS E VERDADES SOBRE A PESQUISA CLÍNICA

1) “Participar de pesquisa clínica é ser cobaia?” — MITO

A participação em pesquisa clínica é regulada por um comitê de ética, que avalia, através de um colegiado de especialistas, o projeto e a sua segurança para os participantes. Somente após essa aprovação o estudo pode ser iniciado. Antes de ingressar, o paciente recebe todas as informações sobre o objetivo da pesquisa, os procedimentos previstos, os possíveis riscos, os potenciais benefícios e as alternativas disponíveis.

Esse processo é formalizado por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, documento que deve ser lido, compreendido e assinado pelo paciente ou por seu responsável legal. A assinatura, no entanto, não representa uma obrigação definitiva: o paciente pode retirar seu consentimento a qualquer momento, sem prejuízo ao seu cuidado.

“Esse é um medo muito comum. Mas a pesquisa clínica não é feita sem critério, nem sem proteção ao paciente. Existe um protocolo, uma equipe treinada, acompanhamento constante e uma estrutura ética que orienta todas as etapas”, afirma Mariana Brait.


2) “A pesquisa clínica só acontece quando não há mais opções de tratamento?” — MITO

Existem estudos clínicos voltados para diferentes momentos da jornada do paciente, desde fases iniciais da doença até contextos em que outras alternativas já foram utilizadas. A indicação depende do objetivo do estudo, do tipo de tumor, das características clínicas do paciente e dos critérios previstos no protocolo.

Em alguns casos, pacientes podem ser convidados a participar de pesquisas quando já passaram por tratamentos anteriores. Em outros, os estudos podem avaliar novas combinações, novas estratégias ou abordagens mais personalizadas em etapas diferentes do cuidado.


3) “A pesquisa clínica pode trazer benefícios para os pacientes” — VERDADE

A participação em um estudo clínico pode trazer benefícios, especialmente para pacientes que já passaram por linhas anteriores de tratamento e ainda precisam de novas possibilidades terapêuticas. Em alguns casos, quando uma molécula inovadora é avaliada e demonstra bons resultados, ela pode contribuir para melhor prognóstico ou melhor qualidade de vida.

“A pesquisa clínica não ajuda apenas um paciente individualmente. Ela também ajuda pessoas diagnosticadas como ele, porque contribui para ampliar o conhecimento e melhorar os tratamentos no futuro”, ressalta Mariana Brait.

O benefício, então, pode acontecer pelo acesso a uma estratégia inovadora, pela contribuição com dados comparativos ou pelo avanço do conhecimento científico.


4) “A pesquisa clínica contribui para a ciência” — VERDADE

A pesquisa clínica é uma das bases para a evolução da medicina. Ela permite estudar tratamentos já existentes, avaliar o que pode ser aprimorado e desenvolver novas possibilidades de cuidado para o futuro.

“A pesquisa clínica também pode surgir a partir de fármacos já existentes para determinadas indicações que, ao longo dos estudos, demonstram eficácia em outros tratamentos. Assim, uma mesma molécula pode ser investigada para diferentes patologias”, afirma Alessandra Sarti. “O propósito da pesquisa clínica no A.C.Camargo é a esperança.” Uma esperança construída com método, segurança e rigor científico.


5) “A pesquisa clínica começa nos estudos com o paciente” — MITO

Antes de chegar aos pacientes, uma nova terapia ou estratégia passa por etapas anteriores de investigação. Muitas pesquisas começam em laboratório, com estudos em células, modelos experimentais e avaliações pré-clínicas. Só depois de uma sequência de análises e aprovações é que um estudo pode avançar para a fase clínica.

No caso dos ensaios com pacientes, cada etapa tem objetivos específicos. Os estudos podem avaliar segurança, dose, eficácia, comparação com tratamentos já existentes ou combinações terapêuticas. Tudo isso é definido previamente em um protocolo científico.

“As pesquisas, em geral, nascem de perguntas importantes da prática médica. Observamos os pacientes, os tratamentos disponíveis e as lacunas que ainda precisam ser respondidas. A partir daí, a ciência busca caminhos para melhorar o cuidado”, explica Brait.

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