Vitamina B3 pode diminuir risco de câncer de pele não melanoma
Estudo australiano mostra que nicotinamida reduz 23% da chance de novas lesões
Um estudo da Universidade de Sidney, que será apresentado na reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO Annual Meeting, de 29 de maio a 2 de junho), revela que um tratamento com nicotinamida, uma forma de vitamina B3, reduz o risco de câncer de pele não melanoma em pacientes de alto risco.
De acordo com a pesquisa, que contou com 386 participantes, aqueles que usaram nicotinamida por um ano apresentaram menos 23% de novas lesões não melanoma, em comparação com pessoas que não usaram o agente. Todos tinham histórico de câncer de pele prévio, o que aumentava o risco de lesões adicionais. Em média, a população do estudo tinha oito cânceres de pele (e no máximo 52), dentro dos cinco anos anteriores à pesquisa, sendo pacientes de alto risco.
Os resultados mostraram que os pacientes tratados com placebo tinham uma contagem média de câncer de pele de 2,42 contra 1,77 para o grupo da nicotinamida. A diferença representa uma redução de 23% no risco relativo.
Após uma fase aleatória do estudo, os pacientes que interromperam a vitamina B3 perderam a proteção e desenvolveram novos cânceres de pele. Os resultados do teste, que sugerem a necessidade de um tratamento contínuo, se restringem à nicotinamida, sem ser extrapolados para outras formas da vitamina, como o ácido nicotínico.
A nicotinamida fornece energia para as células da pele danificadas pelo sol, restaurando a capacidade para reparar danos no DNA e a imunidade inata da pele. Os pesquisadores australianos descobriram que a nicotinamida reduzia a formação de ceratose actínica e induzia a regressão de lesões de ceratoses actínicas existentes.
Os pacientes recebiam nicotinamida (ou placebo) duas vezes ao dia e foram acompanhados por 12 meses, através de consultas de acompanhamento com intervalos de três meses. Novos cânceres de pele foram excisados ou biopsiados.
A nicotinamida (que só deve ser usada com prescrição médica) não causa os efeitos colaterais que foram observados com ácido nicotínico, como dor de cabeça, rubor e hipotensão. A frequência e a gravidade de eventos adversos foram semelhantes entre os grupos nicotinamida e placebo.