Jurídico | 26 de fevereiro de 2018

Polícia gaúcha apreende medicamentos falsos para o combate ao câncer

Sutent 50 mg, da Pfizer, é importado e uma caixa custa cerca de 20 mil reais
Polícia gaúcha apreende medicamentos falsos para o combate ao câncer

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul apreendeu três lotes falsos do medicamento Sutent 50 mg, do fabricante Pfizer, com as numerações 985EE, 986EE e 987EE que foram distribuídos pela UNIMED e entregues a três pacientes de seu plano de saúde.

Segundo o delegado titular da Delegacia do Consumidor, Rafael Liedkte, a fabricante Pfizer foi contatada e afirmou desconhecer a numeração dos lotes apreendidos. “Já sabemos que é falsificado, mas fica difícil até o momento saber quantas caixas e comprimidos foram colocados no mercado, nem saber quantas pessoas receberam estes medicamentos falsos”, explicou o delegado.

O policial orienta que as pessoas que tenham eventualmente adquirido os medicamentos descritos compareçam à Secretaria Estadual de Saúde (av. Ipiranga, 6.113), na Divisão de Assistência Farmacêutica, em Porto Alegre, para entregar os produtos falsificados.

A denúncia chegou à Delegacia do Consumidor após um conveniado do plano de saúde ter retirado a medicação junto à Unimed. Ao chegar em casa, o paciente suspeitou do conteúdo e acabou devolvendo a medicação.

O medicamento oncológico Sutent 50 mg é fornecido a pacientes em tratamento contra o câncer por planos de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O médico e coordenador do Serviço de Oncologia e Hematologia do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Marcelo Capra, explicou ao portal UOL que o Sutent é um medicamento importado e de alto custo.

“ Geralmente é indicado a pacientes que possuem um tipo raro de tumor no estômago, tumores renais e pâncreas. Os hospitais não têm comprado este medicamento, pois é muito caro. Para se ter uma ideia, no balcão de uma farmácia o valor deste remédio varia entre R$ 18 mil a R$ 20 mil para uma caixa com apenas 28 comprimidos”, explica.

Segundo o médico, o Sutent é considerado um medicamento “inteligente”, que mata a célula com tumor, mas não destrói as células saudáveis.

Resposta da Pfizer

Por meio de nota, a Pfizer afirma que os lotes investigados não foram comercializados no Brasil e que está à disposição das autoridades de saúde e da Polícia Civil.

Leia a nota de esclarecimento na íntegra:

“Em relação a lotes de produto de origem desconhecida em embalagens falsificadas do medicamento Sutent 50 mg (malato de sunitinibe), produto indicado para o tratamento de câncer de estômago e intestino, câncer metastático renal e câncer de pâncreas, a Pfizer esclarece:

‘A Pfizer foi contatada por paciente e pela Unimed após relato sobre suspeitas de alteração da coloração das cápsulas do produto Sutent 50 mg (malato de sunitinibe) e ausência de efeitos adversos previstos em bula. Os lotes que estão sendo investigados pela Polícia Civil Gaúcha (985EE, 986EE e 987EE) não foram comercializados pela Pfizer Brasil.

A companhia está à disposição e apoiando as investigações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) e das Polícias Civil e Federal.

Mais do que um crime hediondo e contra a propriedade intelectual, a falsificação de medicamentos é uma atividade que coloca em risco a saúde das pessoas, não só pela falta de eficácia desses produtos, mas também pela possível ocorrência de efeitos adversos desconhecidos e/ou intoxicação.

Medicamentos clandestinos podem apresentar ineficácia terapêutica e, em alguns casos, levar ao agravamento dos sintomas e progressão da doença em tratamento, já que o paciente deixa de receber a medicação adequada.

A Pfizer toma todas as medidas possíveis para evitar a falsificação de seus medicamentos, seguindo normas nacionais e internacionais de embalagens, como, por exemplo, a presença do selo de segurança e tinta reativa na embalagem secundária.

Apesar de todos os esforços, é importante que os pacientes, profissionais de saúde e parceiros fiquem atentos a qualquer alteração que encontrem nas embalagens dos medicamentos, ou mesmo nos produtos, contatando as autoridades sempre que tiverem dúvidas. A companhia está à disposição das autoridades, pacientes e parceiros por meio do telefone 0800-7701-575”.

Nota de esclarecimento UNIMED 

No dia 25, a UNIMED Porto Alegre se posicionou após recolher o medicamento e instituir uma investigação interna. Assinada pelo presidente do Conselho de Administração da operadora, médico Flávio da Costa Vieira, leia a nota da Unimed Porto Alegre na íntegra:

Nota_Oficial_Unimed_Sutent

 

Com informações da Polícia Civil do RS, SBT, UOL, UNIMED POA. Edição Setor Saúde. Crédito da Foto Polícia Civil.

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