Pneumologista do Hospital São Lucas representa Brasil em encontro em Madrid
José Miguel Chatkin participou de atividade da European Respiratory Society
No dia 27 de março, o chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), José Miguel Chatkin, participou de reunião da European Respiratory Society (ERS). Realizada em Madrid, a atividade faz parte de um projeto criado em 2015 pela ERS com o objetivo de investigar e propor estratégias de combate ao tabagismo nos países da América Latina, Portugal e Espanha. Presidente eleito da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o biênio 2019/2020, Chatkin apresentou os números e medidas implantadas no Brasil, responsáveis por ser considerado um caso de sucesso no setor, além da contribuição da PUCRS na área.
“Fomos a primeira instituição brasileira de ensino a ter um ambulatório exclusivamente dedicado à cessação do tabagismo. Ele está localizado no Hospital São Lucas desde 1999 e tem como público alvo funcionários, professores, alunos e a comunidade em geral. Além disso, somos a primeira universidade desse porte no país a ter o selo de Livre de Tabaco em seus prédios. A comunidade acadêmica docente e discente e demais funcionários apoiaram bastante estas iniciativas, sem as quais não se poderia ter alcançado este êxito”, salienta Chatkin.
O panorama do tabagismo no Brasil
O uso do tabaco traz sérias consequências tanto para a saúde quanto para a economia mundial. Segundo dados de 2013, o Brasil conta com 24 milhões de fumantes. Anualmente, as doenças ocasionadas por este consumo geram um gasto de mais de 21 milhões de reais com o atendimento de doenças tabaco-relacionadas.
Para vencer a batalha, o país implantou uma série de medidas que se mostraram efetivas e essenciais. O aumento de 113% na carga de impostos sobre o produto entre 2006 e 2013; decretos, leis e resoluções contra o fumo; campanhas de conscientização e exposição dos malefícios do cigarro; proibição de ações de marketing no setor e da existência de “fumódromos” são algumas das ações que auxiliaram na diminuição dos indicadores. Entre 2006 e 2014, aconteceu uma queda de 15,6% para 10,8% no número total de fumantes.
Percentualmente, os números nacionais estão abaixo da média latino-americana, mas ainda existem desafios a serem vencidos. Áreas como maior estrutura assistencial para atendimento de quem deseja parar de fumar, o que inclui profissionais treinados e medicação adequada e suficiente; regulamentação de cigarros eletrônicos e do narguilé; controle do comércio ilegal e substituição da agricultura do tabaco por outras formas de cultivo ainda precisam ser melhor trabalhadas.