Gestão e Qualidade, Tecnologia e Inovação | 27 de fevereiro de 2019

Lideranças da saúde apresentam posicionamento sobre a Telemedicina

CBEXs acredita que a discussão do atendimento à distância não deve ficar restrita aos médicos
Lideranças da saúde apresentam posicionamento sobre a Telemedicina

A discussão sobre a regulamentação da telemedicina tem sido um dos temas mais acalorados do setor de saúde nos últimos dias, tendo ganhado força com o debate em torno da publicação da Resolução CFM nº 2.227/2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM), recentemente revogada a pedido de médicos e entidades representativas.

Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) emitiu nota reconhecendo a autonomia do CFM para regular o exercício da profissão médica e apoiando a iniciativa de abrir espaço para que novas tecnologias possam ampliar o acesso à saúde, aumentar a qualidade da atenção, controlar os custos da saúde para o cidadão e oferecer, para os profissionais da saúde, condições de trabalho que lhes permitam atender com mais segurança, eficácia e humanização.

O CBEXs é uma entidade nacional, com capítulos em vários estados brasileiros, dedicada à promoção da excelência na gestão da saúde por meio de educação, de capacitação técnico-científica e de certificação dos executivos do setor público e privado. O compromisso da organização é promover a melhoria contínua das lideranças e contribuir com a sustentabilidade do sistema de saúde. A organização, sem fins lucrativos, é presidida pelo médico Francisco Balestrin, atual presidente da Federação Internacional de Hospitais (IHF) e tem como presidente de seu Capítulo RS ao médico Cláudio Allgayer, presidente da Organização Nacional de Acreditação (ONA).

Luiz Felipe Costamilan, Cláudio Allgayer e Francisco Balestrin

Luiz Felipe Costamilan, Cláudio Allgayer e Francisco Balestrin

XXX

Nota

Conforme o comunicado do CBEXs, a evolução tecnológica torna a telemedicina uma realidade inexorável. De acordo com a entidade, a prática cria um novo mercado, com novas oportunidades para que profissionais de saúde, organizações e empresas do setor, assim como governos entreguem mais valor aos pacientes. O CBEXs aponta que é louvável a iniciativa do CFM, de liderar a discussão na classe médica e, mesmo num ambiente de controversa discussão, dar um passo em direção ao futuro.

Porém, a entidade acredita que a discussão do atendimento à distância não deve ficar restrita aos médicos, mas deve envolver gestores e os demais profissionais da saúde, empresas e instituições do setor e, especialmente pacientes e cidadãos brasileiros.

Confira os entendimentos e contribuições sobre o tema, divulgados pela CBEXs:

As necessidades dos pacientes devem vir em primeiro lugar

1. Todos os profissionais de saúde – da gestão, da prática clínica ou dos serviços de apoio devem, em todos os momentos, priorizar as necessidades dos pacientes. O foco da discussão sobre a telemedicina não deve ser sobre as necessidades das categorias profissionais, das instituições de assistência à saúde, das operadoras de planos de saúde ou de outras empresas do setor, mas sobre como utilizar esta ferramenta de modo a ampliar o acesso à saúde de forma segura, eficaz e custo-efetiva para os pacientes do presente e do futuro. As demais discussões – inclusive eventuais preocupações de ordem econômica ou da defesa de interesses corporativos – devem estar condicionadas ao atendimento deste requisito.

A regulamentação da telemedicina é necessária e bem-vinda

2. A primeira chamada telefônica completará, no próximo dia 10 de março, 143 anos de existência e os primeiros softwares que permitem a videoconferência entre computadores foram lançados há quase 30 anos. A adoção em massa dessas tecnologias teve profundos impactos sociais e, naturalmente, a medicina deve acompanhar a evolução da sociedade. O Brasil está pronto para o uso responsável da telemedicina que, em muitos países avançados do mundo, já é uma realidade há anos.

A telemedicina é uma ferramenta que deve ser utilizada responsavelmente por médicos e gestores

3. Qualquer nova tecnologia apresenta riscos e possibilidades e requer responsabilidade daqueles que a utilizam. Gestores e médicos que passem a usar ferramentas de telemedicina devem estar adequadamente capacitados e preparados, conhecer as limitações da tecnologia, bem como as evidências científicas sobre as suas possibilidades e devem agir com diligência para garantir o sigilo e a privacidade dos pacientes. Da mesma forma que as tecnologias de diagnóstico por imagem não substituíram a radiografia, descoberta em 1895, a telemedicina não deve ser vista como uma ferramenta substitutiva, mas como uma forma adicional de trazer ao sistema de saúde maior eficiência, qualidade e de melhorar a experiência do paciente.

Os médicos devem ter a maior esfera de autonomia possível para cuidar bem dos seus pacientes

4. Cada paciente é um caso individual, com suas particularidades patológicas, psicológicas, culturais, geográficas, sociais, econômicas, familiares, históricas, cognitivas e físicas. Cabe ao médico, no decurso do estabelecimento da relação médico-paciente, considerar essas particularidades no momento de sugerir um curso terapêutico, de utilizar uma determinada forma de comunicação ou de utilizar um atendimento presencial ou à distância, no sentido de oferecer ao seu paciente a melhor atenção possível ao caso individual. Deve caber a cada médico, com pleno conhecimento das limitações da telemedicina e com domínio da medicina baseada em evidências, a decisão de escolher se aquele paciente específico necessita de um atendimento presencial ou se as informações que podem ser obtidas à distância são suficientes para uma atenção à saúde eficaz e segura.

A telemedicina deve reduzir as barreiras à comunicação entre médicos e pacientes

5. Embora qualquer tecnologia requeira as suas devidas cautelas, essas cautelas não devem ter a função – explícita ou implícita – de impedir a adoção em larga escala dessas novas tecnologias, e nem de impor barreiras burocráticas ou de custos que restrinjam o mercado a determinadas empresas ou instituições. Embora seja indispensável resguardar a qualidade da atenção, o sigilo das comunicações e a segurança das informações dos pacientes, medidas que vão além do estrito cumprimento desses fins  elevam os custos da comunicação e impedem o surgimento de novas soluções que podem cumprir essas funções de forma mais adequada. Da mesma maneira, medidas que impõem obrigações de registro e armazenamento de informações que vão muito além daquelas que ocorrem em consultas presenciais impõem ônus a médicos e instituições de saúde sem efetivos ganhos para os pacientes.

Qualquer regulamentação deve continuar a evoluir com a sociedade

6. Qualquer que seja a forma final do atual processo de regulamentação da telemedicina, deve-se entender que este setor da tecnologia está em constante evolução. Conselhos profissionais e demais partes interessadas devem continuar debruçados sobre este tema, observando exemplos internacionais, atentos à literatura científica e, sempre com foco no paciente e no cidadão, revisar as suas premissas de acordo com as novas evidências. Deve-se, também, com as devidas garantias de ética em pesquisa, abrir-se espaço para a experimentação de novos modelos que permitam o avanço do conhecimento científico sobre o tema.

Gestores de saúde devem atuar com respeito à autonomia do médico e dos demais profissionais de saúde

7. Cabe aos gestores de saúde o respeito à autonomia dos conselhos profissionais e da regulamentação de suas respectivas profissões, bem como à autonomia dos profissionais de saúde e de suas decisões clínicas em relação aos pacientes – inclusive em questões de telemedicina. Nenhum gestor de saúde deve agir de forma a violar esta autonomia ou impor processos de trabalho, modelos de negócio e formas de atendimento que pressionem ou desrespeitem a capacidade de decisão do médico e demais profissionais quanto à conveniência ou possibilidade de, a qualquer momento, efetuar um atendimento presencial ou à distância.

CBEXs lançou Capítulo Sul em 2018

Em setembro de 2018, com apoio da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL) e Associação dos Hospitais do RS (AHRGS), o CBEXs lançou o Capítulo Sul – novo polo de atuação do Colégio. Saiba mais aqui. 

 

Com informações do CBEXs. Edição do Setor Saúde.

VEJA TAMBÉM

ACREDITAÇÃO

Oncoclínica Porto Alegre recebe certificação internacional da Joint Commission (JCI) 

A Oncoclínica Porto Alegre foi certificada pela Joint Commission International (JCI) em reconhecimento ao compromisso contínuo da instituição com padrões internacionais de referência em segurança e qualidade. Segundo a instituição de saúde, esta é a primeira clínica do Rio Grande do Sul a receber esta certificação no Programa de Assistência Ambulatorial. O selo da JCI reconhece que a
Mudanças no mercado

UnitedHealth reestrutura operações no Brasil e substitui presidente da AMIL

aa De acordo com informações do grupo norte-americano UnitedHealth Group (UHG), dona da Amil, o médico pediatra José Carlos Magalhães assume como CEO da companhia em substituição a Claudio Lottenberg, que estava no cargo desde 2016.   Magalhães também acumulará o cargo de CEO do Americas Serviços Médicos, braço hospitalar do grupo,  de acordo com nota oficial divulgada
Serra gaúcha

Casa de Repouso Elisa Tramontina em Carlos Barbosa implanta serviço de reabilitação a idosos

A Casa de Repouso Elisa Tramontina (CRET) integrante do Tacchini Sistema de Saúde, está oferecendo à comunidade regional um serviço diferenciado na área de fisioterapia, tendo como público-alvo idosos que tiveram algum trauma ou passaram por procedimentos cirúrgicos e que precisam de reabilitação, principalmente na região do quadril e/ou joelho. O trabalho é realizado por uma equipe