Idosos que tomam anti-hipertensivos têm mais chances de sofrerem quedas graves
Estudo norte-americano revela efeitos colaterais dos medicamentos para controlar a pressão arterial
O uso de medicamentos anti-hipertensivos pode trazer sérias consequências para idosos. De acordo com um estudo publicado no periódico JAMA International Medicine, pacientes da terceira idade que usam medicamentos para controlar a pressão têm mais chances de sofrerem quedas graves.
Pesquisadores da Universidade de Yale (EUA) observaram por três anos cerca de cinco mil hipertensos com mais de 70 anos. Foram registradas 400 quedas, sendo as mais graves e frequentes ocorridas em pacientes com doses mais elevadas de fármacos. Os participantes que tomavam anti-hipertensivos estavam 30% a 40% mais propensos a sofrerem quedas graves que causaram ferimentos como fraturas do quadril e traumatismos cranianos.
O estudo mostra, apenas, que há uma relação entre o uso de medicamentos anti-hipertensivos e as quedas, o que não significa que eles as estejam causando. Porém, a dra. Mary E. Tinetti, chefe do departamento de Geriatria do Hospital New Haven da Universidade de Yale e uma das autoras do trabalho, afirma que os medicamentos podem gerar as quedas por prejudicar a atenção ou ao causar uma diminuição súbita de pressão quando a pessoa se levanta.
Uma hipótese para essa questão pode ser a hipotensão ortostática, ocorrência comum em idosos. Trata-se de uma queda significativa na pressão arterial quando se sai de um estado de descanso (sentado ou deitado), ficando em pé rapidamente, algo que afeta cerca de 5% de pessoas com menos de 75 anos, mas até 30% daqueles acima dessa idade.
Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a pressão alta é responsável por 45% dos infartos cardíacos e 51% dos acidentes vasculares cerebrais. No Brasil, um em cada três brasileiros em idade adulta sofre com a hipertensão. Pesquisa do Ministério da Saúde revela que o índice de pacientes com idade entre 18 e 24 anos é de 8% contra 50% para a faixa etária acima de 55 anos. O número é maior entre mulheres (25,5%), do que em homens (20,7%). Entre os principais causadores da doença estão o cigarro, o sedentarismo, a obesidade e o álcool.