Hospital São Lucas da PUCRS utiliza técnica de congelamento de tumor ósseo
Cirurgia foi realizada em criança de 9 anos
Médicos da equipe de traumatologia do Hospital São Lucas da PUCRS (HSL) realizaram, pela primeira vez na Instituição, a técnica de congelamento para tratamento do tumor ósseo maligno (osteosarcoma) no fêmur de uma paciente de 9 anos. A técnica, conhecida como frozen e desenvolvida no Japão há duas décadas, ainda é pouco utilizada no Estado e chegou ao Brasil há alguns anos. Osvaldo André Serafini, chefe do Grupo de Tumores Ósseos do serviço de Ortopedia e Traumatologia do HSL e professor da Escola de Medicina da PUCRS, teve contato com o procedimento em um período de estudo realizado no Instituto de Ortopedia e Traumatologia, em Firenze, com o Prof. Dr. Rodolfo Capanna, na Itália, em 2013.
Como é feito o procedimento
Durante a cirurgia, os médicos retiraram o segmento de fêmur com o tumor, “descascaram”, limpando o osso e introduzindo-o por 25 minutos em um tanque com nitrogênio líquido, congelando a 190° graus negativos. Após, colocaram-no em água destilada na temperatura ambiente, e associaram a fíbula retirada do mesmo lado na perna e colocada no canal do fêmur como reforço, e reimplantaram com a ajuda de placas, fixando-o no seu local anterior novamente. Segundo Serafini, o procedimento mata as células malignas mas mantém o poder de osteoindução ósseo.
“Com o tempo, o osso irá induzir a consolidação do segmento ósseo femural reimplantado, e com isso haverá uma solução biológica óssea do caso. A paciente, após a cicatrização da ferida operatória, voltará a receber o tratamento de quimioterapia normalmente conforme o protocolo brasileiro para osteossarcoma”, diz Serafin.
O procedimento é biológico, já que reimplanta o osso do próprio paciente. Essa é uma das principais vantagens, principalmente no caso de uma criança, pois possibilita que o crescimento ocorra normalmente, ou, se houver encurtamento do membro, será possível alongá-lo após, pois haverá estoque ósseo . No caso de crianças com menos de 12 anos, normalmente não se usam próteses, pelo problema do crescimento fazendo com que um membro fique muito menor do que o contralateral, necessitando, às vezes, de amputação, principalmente quando a preservação do membro já seja impossível pelo tamanho do tumor ou compressão de vasos e nervos importantes. Outra vantagem do frozen é o custo reduzido, já que os gastos incluem somente o nitrogênio e as placas. Vários outros métodos podem ser realizados, como também o uso de radioterapia no osso ressecado e posteriormente reimplantado, aloenxerto de banco de ossos, próteses especiais (endoproteses).
O médico alerta que os sintomas de osteosarcoma incluem dor noturna mesmo no repouso , aumento de volume, geralmente perto do joelho, pois é onde ocorre o maior crescimento ósseo do membro inferior. O tratamento convencional inclui quimioterapia (neoadjuvante) antes da cirurgia, após cirurgia do tumor com margens amplas, seguida de quimioterapia (adjuvante).
Segundo o Hospital São Lucas, o acompanhamento médico com Oncologista e Ortopedista será muito importante a cada três meses para controle de possíveis lesões a distância (metástases).