Tecnologia e Inovação | 19 de julho de 2019

Hospital São Lucas da PUCRS utiliza técnica de congelamento de tumor ósseo

Cirurgia foi realizada em criança de 9 anos  
Hospital São Lucas da PUCRS utiliza técnica de congelamento de tumor ósseo

Médicos da equipe de traumatologia do Hospital São Lucas da PUCRS (HSL) realizaram, pela primeira vez na Instituição, a técnica de congelamento para tratamento do tumor ósseo maligno (osteosarcoma) no fêmur de uma paciente de 9 anos. A técnica, conhecida como frozen e desenvolvida no Japão há duas décadas, ainda é pouco utilizada no Estado e chegou ao Brasil há alguns anos. Osvaldo André Serafini, chefe do Grupo de Tumores Ósseos do serviço de Ortopedia e Traumatologia do HSL e professor da Escola de Medicina da PUCRS, teve contato com o procedimento em um período de estudo realizado no Instituto de Ortopedia e Traumatologia, em Firenze, com o Prof. Dr. Rodolfo Capanna, na Itália, em 2013.

Como é feito o procedimento

Durante a cirurgia, os médicos retiraram o segmento de fêmur com o tumor, “descascaram”, limpando o osso e introduzindo-o por 25 minutos em um tanque com nitrogênio líquido, congelando a 190° graus negativos. Após, colocaram-no em água destilada na temperatura ambiente, e associaram a fíbula retirada do mesmo lado na perna e colocada no canal do fêmur como reforço, e reimplantaram com a ajuda de placas, fixando-o no seu local anterior novamente. Segundo Serafini, o procedimento mata as células malignas mas mantém o poder de osteoindução ósseo.


“Com o tempo, o osso irá induzir a consolidação do segmento ósseo femural reimplantado, e com isso haverá uma solução biológica óssea do caso. A paciente, após a cicatrização da ferida operatória, voltará a receber o tratamento de quimioterapia normalmente conforme o protocolo brasileiro para osteossarcoma”, diz Serafin. 


O procedimento é biológico, já que reimplanta o osso do próprio paciente. Essa é uma das principais vantagens, principalmente no caso de uma criança, pois possibilita que o crescimento ocorra normalmente, ou, se houver encurtamento do membro, será possível alongá-lo após, pois haverá estoque ósseo . No caso de crianças com menos de 12 anos, normalmente não se usam próteses, pelo problema do crescimento fazendo com que um membro fique muito menor do que o contralateral, necessitando, às vezes, de amputação, principalmente quando a preservação do membro já seja impossível pelo tamanho do tumor ou compressão de vasos e nervos importantes. Outra vantagem do frozen é o custo reduzido, já que os gastos incluem somente o nitrogênio e as placas. Vários outros métodos podem ser realizados, como também o uso de radioterapia no osso ressecado e posteriormente reimplantado, aloenxerto de banco de ossos, próteses especiais (endoproteses).


O médico alerta que os sintomas de osteosarcoma incluem dor noturna mesmo no repouso , aumento de volume, geralmente perto do joelho, pois é onde ocorre o maior crescimento ósseo do membro inferior. O tratamento convencional inclui quimioterapia (neoadjuvante) antes da cirurgia, após cirurgia do tumor com margens amplas, seguida de quimioterapia (adjuvante).


Segundo o Hospital São Lucas, o acompanhamento médico com Oncologista e Ortopedista será muito importante a cada três meses para controle de possíveis lesões a distância (metástases).

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