Hospital Ernesto Dornelles apresenta estudo sobre tratamento personalizado para câncer de próstata
A pesquisa pode modificar a forma de tratar pacientes com câncer de próstata em todo o mundo
O Hospital Ernesto Dornelles esteve presente no maior congresso de oncologia clínica do mundo, o Annual Meeting da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) entre os dias 29 e 31 de maio. O Centro de Pesquisa do HED participou de dois painéis sobre controle da dor e qualidade de vida em pacientes com câncer de próstata metastático tratados com Olaparibe (uma medicação utilizada para tratamento de tumores avançados de mama e ovário em adultos com mutação no gene BRCA). Neste ano, em razão da Covid-19, o evento que acontece em Chicago, cidade-sede do Congresso, foi realizado de forma virtual.
O oncologista do HED, Dr. Gabriel dos Anjos, participou do evento e explica que o hospital foi convidado para participar destes dois estudos pelo desempenho atingido no ensaio clínico PROfound. “Nos últimos três anos participamos do PROfound e fomos o Centro que mais recrutou pacientes no Brasil. Essa pesquisa foi publicada no New England Journal of Medicine e deve mudar a prática de como tratar pacientes com câncer de próstata em todo o mundo”.
Redução de 66% na progressão da doença
Feito com 387 homens com câncer de próstata metastático resistente à castração e mutação no gene BRCA, o PROfound comparou o tratamento com o Olaparibe ao tratamento padrão (com enzalutamida ou abiraterona). Os pacientes que receberam Olaparibe tiveram uma redução de 66% na progressão da doença em comparação aos que utilizaram o bloqueio hormonal padrão. Essa porcentagem significa que o primeiro grupo ficou, em média, 7,4 meses sem que o tumor avançasse, enquanto que no segundo foram 3,6 meses sem progressão.
Segundo o Dr. Gabriel dos Anjos, os painéis apresentados na ASCO utilizaram a base dos dados do PROfound para poder comprovar a eficiência do uso do Olaparibe. O primeiro estudo, avaliou o impacto deste medicamento quanto ao controle de dor no câncer de próstata metastático com mutação de BRCA e concluiu que o Olaparibe reduziu a carga de dor e o tempo para o primeiro uso de opiáceos (remédio usado para controlar dores crônicas) demonstrando benefício clínico para o paciente.
Qualidade de vida
Já a segunda pesquisa, analisou a qualidade de vida relacionada à saúde com o uso de Olaparibe para os mesmos pacientes. O resultado apresentado mostra que esta medicação atrasou a deterioração dos escores da qualidade de vida e foi associado a uma melhor capacidade funcional ao longo do tempo em comparação com a terapia padrão.
Todos estes estudos podem representar uma nova possibilidade para pacientes com câncer de próstata por meio da terapia-alvo, focada na mutação que ocorre no tumor. Ela provoca menos efeitos colaterais e atinge resultados mais favoráveis. Conforme o oncologista do HED, esta terapia marca o início de uma medicina personalizada para tratamento de pacientes com mutações genética.