Gestão e Qualidade | 25 de julho de 2019

Horário ampliado de visitas na UTI não afeta segurança de pacientes críticos, diz estudo

Resultados do estudo conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento foram publicados no JAMA, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo
Horário ampliado de visitas na UTI não afeta segurança de pacientes críticos, diz estudo

Por muito tempo, a restrição do contato entre o paciente grave e seu mundo afetivo foi considerado um preço a ser pago por uma assistência hospitalar mais organizada e com menores riscos de piora no estado de saúde. Contudo, o projeto UTI Visitas – conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre/RS – demonstrou justamente o contrário. Em parceria com o Ministério da Saúde, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), o estudo identificou que a maior permanência dos familiares ao lado dos pacientes é, além de segura, uma importante ferramenta que auxilia no tratamento.

As conclusões obtidas pelo estudo UTI Visitas – Efeitos da Visita Familiar Flexibilizada em Unidades de Terapia Intensiva Adulto foram tão significativos que alcançaram reconhecimento internacional. Um dos periódicos científicos mais tradicionais e relevantes do mundo, o Jornal da Associação Americana de Medicina (JAMA) publicou os resultados do projeto (acesse aqui, em inglês).

“Agora podemos afirmar com todo o rigor científico algo que o instinto de proximidade e fortalecimento dos laços afetivos em momentos difíceis já nos dizia. A visita familiar na UTI é segura e boa para pacientes e familiares”, comemora o médico intensivista Regis Goulart Rosa, líder e responsável técnico do UTI Visitas. Para ele, o projeto contribuirá para o debate baseado em evidência a respeito das políticas de visitação, podendo influenciar a prática assistencial em UTIs ao redor do mundo.

Médico intensivista Regis Goulart Rosa, líder e responsável técnico do UTI Visitas

Médico intensivista Regis Goulart Rosa, líder e responsável técnico do UTI Visitas

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Efeitos da visita ampliada

A partir de 36 UTIs adulto de hospitais públicos e filantrópicos brasileiros, o estudo avaliou a eficácia e a segurança de um modelo de visita familiar flexibilizada para até 12 horas por dia. A iniciativa foi comparada com o modelo usual restritivo de visitação adotado anteriormente nas mesmas unidades, onde a média de tempo permitido era de uma hora e meia.

A primeira constatação positiva foi a alta adesão das UTIs aos processos mínimos do modelo de visita ampliada. O acréscimo do tempo de permanência dos familiares para uma média de cinco horas diárias demonstrou que é possível a adoção da prática em todo o sistema de saúde.


Com a maior presença de familiares junto aos pacientes, o risco de eventos indesejáveis não aumentou. “Não houve diferença entre a visita flexibilizada e a visita restritiva quanto à ocorrência de infecções nos pacientes, desorganização dos cuidados assistenciais, conflitos entre visitantes e profissionais de saúde ou ocorrência de burnout (uma forma de estresse ocupacional) entre os profissionais de UTI”, afirma o líder do projeto. A pesquisa também desmistificou a percepção de desorganização dos cuidados, argumento tradicionalmente utilizado para restringir as visitas.


Estatísticas coletadas em diversas instituições demonstram que familiares de pacientes críticos apresentam níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão. E que cerca de 30% dos casos acabam desenvolvendo os transtornos após a alta hospitalar. Graças ao modelo de visita flexibilizada, a ocorrência dos sintomas foi reduzida pela metade, gerando maior satisfação da família em relação aos cuidados e ao suporte emocional prestado pela equipe médica.

“O estudo UTI Visitas concluiu que passar mais tempo com o paciente internado é um remédio potente, barato e sem efeitos adversos capaz de proteger a saúde mental dos familiares”, destaca Rosa.

Hospitais participantes

No total, foram avaliados 1685 pacientes, 1060 familiares e 737 profissionais de 36 UTIs representativas das cinco regiões do Brasil. Integraram o estudo os seguintes hospitais:

Hospital de Urgências de Goiânia (GO)

Hospital Geral de Nova Iguaçu (RJ)

Hospital Santa Cruz (RS)

Hospital Montenegro (RS)

Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS)

Hospital Ana Nery (RS)

Hospital Tacchini (RS)

Hospitais do Complexo Hospitalar da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS):  Pavilhão Pereira Filho, Santa Rita, Dom Vicente Scherer (RS)

Hospital Mãe de Deus (RS)

Fundação de Saúde Pública São Camilo de Esteio (RS)

Hospital Nossa Senhora da Conceição (RS)

Hospital da Cidade de Passo Fundo (RS)

Hospital Universitário do Oeste do Paraná (PR)

Hospital do Câncer de Cascavel UOPECCAN (PR)

Hospital Dona Helena (SC)

Hospital das Clínicas da UFMG (MG)

Santa Casa de Misericórdia de São João Del Rei (MG)

Hospital Regional do Baixo Amazonas (PA)

Hospital Geral Cleriston Andrade (BA)

Instituto Nobre de Cardiologia Incardio (BA)

Hospital Universitário Alcides Carneiro UFCG (PB)

Hospital Alberto Urquiza Wanderley (PB)

Hospital Universitário Lauro Wanderlei UFPB (PB)

Hospital Universitário da UFPI (PI)

Hospital Agamenon Magalhães (PE)

Hospital Universitário de Petrolina – Universidade Federal do Vale do São Francisco (PE)

Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco (AC)

Hospital do Coração HCor (SP)

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto FAEPA (SP)

Hospital Regional Dr. Deoclecio Marques de Lucena (RN)

Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (RN)

Fundação Hospital Adriano Jorge (AM)

Hospital Geral do Estado Dr. Oswaldo Brandão Vilela (AL)

 

Com informações Hospital Moinhos de Vento. Fotos Karine Viana. Edição Setor Saúde.

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