Mundo | 15 de setembro de 2014

Benzodiazepínicos elevam risco de Alzheimer

Estudo mostra que o uso de calmantes por mais de três meses pode ser prejudicial
Benzodiazepínicos elevam risco de Alzheimer

Um estudo realizado em Quebec (Canadá) mostrou que usar por mais de três meses calmantes à base de benzodiazepínicos (como Rivotril, Valium, Lexotan e Lorax) pode elevar o risco de Alzheimer. A constatação, publicada no periódico especializado BJM, é de pesquisadores canadenses e franceses que realizaram testes com 8.980 pessoas com mais de 66 anos.

Curiosamente, a razão da associação entre a doença e o medicamento não foi encontrada. Todos os participantes foram acompanhados durante seis anos. O estudo está baseado no acompanhamento estatístico de 1.796 pacientes maiores de 66 anos com Alzheimer da província do Quebec, cujos resultados foram comparados com 7.184 indivíduos de controle da mesma comunidade.

A análise verificou que aqueles que utilizaram os calmantes por mais de três meses apresentavam 51% mais risco de ter Alzheimer. Sophie Billioti de Gage, líder do estudo ressaltou à revista americana Time que “é fundamental incentivar os médicos a levar em consideração tanto os riscos, quanto os benefícios ao iniciarem uma terapia com esse calmante”, diz.

“Os remédios à base de benzodiazepínicos são, incontestavelmente, ferramentas preciosas para tratar ansiedade e insônia. Mas os tratamentos devem ser de curta duração e não devem passar de três meses”, completa. A pesquisa não relatou a mesma relação para pacientes que utilizaram o medicamento por menos de três meses.

Os pesquisadores concluíram que o risco de desenvolver Alzheimer aumentou “entre 43% e 51% entre aqueles que tinham utilizado benzodiazepinas no passado”. Tomar o medicamento durante três a seis meses aumentou o risco de desenvolver a doença de Alzheimer em 32%, e seguir o tratamento por mais de seis meses aumentou o risco em 84%. “A forte associação observada em casos de prolongada exposição reforça a suspeita de uma possível associação direta, inclusive se o uso de benzodiazepina poderia também ser um indicador precoce de uma condição associada com um crescente risco de demência”, acrescenta o relatório.

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