Agenda mais ousada “tem que envolver o setor saúde como um todo”, afirma presidente da ABIMO
Franco Pallamolla falou com exclusividade ao portal Setor Saúde
Há dez anos presente na Hospitalar, a ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios) é a entidade representante da indústria brasileira de produtos para a saúde. Segundo seu presidente, Franco Pallamolla (foto), a ABIMO apresenta anualmente no evento uma pauta positiva específica para o setor da saúde no Brasil. O portal Setor Saúde conversou com exclusividade com Pallamolla durante a Hospitalar 2017 para conhecer a agenda sugerida para a área e a importância da tecnologia e a inovação para o futuro da saúde no país.
De início, Franco Pallamolla afirmou que, neste momento vivido pelo Brasil, uma agenda mais “ousada tem que envolver o setor saúde como um todo”, e não só a indústria. Segundo o presidente da ABIMO, o sistema “sofrerá impacto já no curto prazo”. Ele cita a questão da reforma da CLT, “que vai gerar diretamente impacto através da terceirização da atividade fim”; a transição demográfica que o Brasil experimente, com a maior participação de idosos; a limitação de recursos públicos na esfera federal, “que provavelmente também será estendida às esferas estaduais e municipais”; e, por fim, a entrada de novas tecnologias, “sobretudo da tecnologia digital, que é uma fronteira a ser descoberta e que tem potencialidade imensa de agregar reduções de custos no sistema”. Tudo isso impactando fortemente o setor no Brasil.
Pallamolla, que também é presidente da empresa Lifemed, defende que o setor de saúde “faça uma revisão estratégica dele mesmo”, e que, neste momento, “novos atores que não participaram da construção da visão que criou o SUS na sua época, e que hoje são atores absolutamente importantes” participem. O presidente da ABIMO cita como exemplo a saúde complementar, “que lá atrás foi vista como um apêndice do SUS, e que hoje ela é, na realidade, o seu alicerce”. Para ele, todos os atores devem propor um modelo “para os próximos 20 ou 30 anos”, e que isso “nos trará uma visão de médio a longo prazo, uma estabilidade, e permitirá uma retomada de investimentos melhores no setor”, completou. Pallamolla afirmou que não cabe à ABIMO liderar esse processo, esta iniciativa deve ter muitos atores trabalhando em uma agenda colaborativa. “Estamos prontos a poder fazer o debate franco, transparente e absolutamente necessário neste novo momento que a sociedade brasileira se encontra”.
Tecnologia
Sobre o uso da tecnologia para que o setor funcione melhor, aprimore a gestão, a compliance e se evite crises, o presidente da ABIMO afirmou que com o que está disponível em conectividade e tecnologia digital, é possível “agregar no curtíssimo prazo uma importante melhora da gestão de recursos, públicos ou privados, e trazer ganhos de competitividade importantes para o sistema de saúde”. Pallamolla cita como exemplo a possibilidade do prontuário do paciente estar disponível em qualquer ambiente que a pessoa for atendida. Com isso, “vamos reduzir duplicidade de exames, reduzir ações desnecessárias que tenham sido feitas num intervalo de 3 ou 4 meses”, comentou.
O presidente da ABIMO, porém, faz um alerta. Segundo ele, não adiantaria implementar a tecnologia sem coordenação. “É fundamental que alguém coordene essa implementação ou ao menos das diretrizes de implementação tecnológica, sob pena de cada município, cada setor, privado ou público, começar a fazer a sua implementação ou o seu protocolo”, afirmou. Dessa forma, segundo ele, ocorreria uma “torre de babel” no futuro, em que “ninguém fala com ninguém, onde você não vai ter ganhos de produtividade”, criando, assim, um sistema ineficiente e por incrível que pareça, “desconectado”.
No entendimento da ABIMO, a informação pertence ao paciente. Para Franco Pallamolla, a pessoa deve possuir a informação do seu histórico médico. “É uma decisão do paciente se ele vai ser atendido no setor público ou no setor privado, na clínica A ou na clínica B, mas portando a informação do histórico médico com ele”, comentou. Por isso, Pallamolla explicou que a ABIMO já vem realizando debates e criou um grupo de tecnologia digital, em que grandes empresas como a Microsoft, o Google e a Intel participam “para que se possa desenhar uma proposta [ao país]”.
Por fim, o presidente da ABIMO relatou ao Setor Saúde que o próprio governo federal já sinalizou a vontade, segundo suas palavras, ‘de implementar uma estrada, e, a partir desta estrada, edificarmos as inclusões digitais no sistema de saúde”.