Terapia-alvo quase dobra a sobrevida no câncer de pâncreas e é destaque na ASCO 2026
Estudo fase 3 RASolute 302 mostra que o daraxonrasib reduziu em 60% o risco de morte em pacientes com a doença metastática.
A terapia-alvo daraxonrasib quase dobrou o tempo de vida de pacientes com câncer de pâncreas metastático e reduziu em 60% o risco de morte, segundo o estudo fase 3 RASolute 302 apresentado neste domingo (31) no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês). O encontro reúne cerca de 45 mil profissionais de saúde e pesquisadores em Chicago, nos Estados Unidos, até esta terça-feira (2).
O câncer de pâncreas é uma das doenças mais desafiadoras da oncologia. Por se disseminar com rapidez e raramente apresentar sintomas iniciais, costuma ser diagnosticado de forma tardia. As terapias disponíveis oferecem benefício limitado a pacientes na fase metastática, cenário que o novo estudo promete alterar.
“É um passo enorme em termos de terapia molecular e é o primeiro que deve abrir o caminho para muitas outras drogas com esse perfil. É um marco depois de tantas tentativas em múltiplos estudos em adenocarcinoma de pâncreas”, afirma Maria Ignez Braghiroli, médica especializada em tumores do trato gastrointestinal da Oncologia D’Or.
O câncer de pâncreas é um dos tumores mais dependentes da proteína RAS, responsável pela transmissão de sinais celulares que regulam o crescimento dos tecidos. Mutações em RAS impulsionam o tumor em mais de 90% dos casos e estão associadas ao comportamento agressivo da doença. O daraxonrasib é um inibidor oral, administrado uma vez ao dia, que atua justamente sobre essa via.
Estudo RASolute 302
Publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, o RASolute 302 acompanhou 500 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratados. Desse total, 248 receberam daraxonrasib e 252 foram submetidos à quimioterapia padrão.
A terapia-alvo elevou a sobrevida global para 13,2 meses, contra 6,7 meses no grupo da quimioterapia — quase o dobro. A sobrevida livre de progressão foi, em média, de 7,3 meses entre os pacientes tratados com o medicamento e de 3,5 meses no comparador.
No Brasil, o câncer de pâncreas é o nono tumor mais comum, excluindo o câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 13.240 novos casos para este ano. Em 2023, a doença provocou 13.507 óbitos no país. Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, obesidade, tabagismo, consumo de álcool, diabetes e pancreatite.
Oncologia D’Or: terapias avançadas e medicina integrada
A Oncologia D’Or opera mais de 60 clínicas em 12 estados brasileiros e no Distrito Federal, com corpo clínico de mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia. A rede atua de forma integrada a parte dos mais de 79 hospitais da Rede D’Or, combinando terapias avançadas e medicina integrada em todas as etapas do tratamento oncológico.