Mundo | 2 de março de 2021

“Um furacão está chegando”, prevê epidemiologista dos EUA Michael Osterholm, sobre a piora da pandemia

Quatro fatores explicam a alarmante perspectiva
“Um furacão está chegando”, prevê epidemiologista dos EUA Michael Osterholm, sobre a piora da pandemia

O diretor do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota (EUA), epidemiologista  Michael Osterholm, acredita que a pandemia da Covid-19 está prestes a piorar de uma forma sem precedentes. Apontando para o aumento de casos associados a cepas variantes do coronavírus, ele prevê que um “furacão está chegando”.  O especialista é membro do Conselho Consultivo do Covid-19 do presidente eleito Joe Biden. O que vem ocorrendo no Brasil, com o colapso do sistema hospitalar em muitos estados, também atinge outros países, como o próprio Estados Unidos, com pacientes mais graves e mais jovens, levando à superlotação de hospitais e ao aumento da letalidade.

Descrevendo-o como “categoria 5 ou superior” (medição de furacões), Osterholm usou a analogia para destacar a necessidade de um aumento expressivo da vacinação. O chamado “furacão Covid” pode ser explicado por vários fatores, mas há quatro principais citados pelo epidemiologista:

Mutações do vírus


Lentidão da vacinação


Relaxamento das medidas de prevenção (distanciamento, uso de máscaras adequadas)


Possibilidade de reinfecção

No topo da lista de causas para uma tempestade que se aproxima está um aumento nas mutações do coronavírus. A variante B.1.1.7, identificada pela primeira vez no Reino Unido, está se tornando a cepa dominante em muitos países europeus e está dobrando a cada 10 dias nos Estados Unidos. Sua taxa de transmissão é de 30% a 40% maior do que a das linhagens mais comuns e pode aumentar o risco de morte em cerca de 30%. A variante B.1.351 que emergiu da África do Sul também foi relatada em vários países. O Brasil identificou duas variantes, P.1 e P.2 – a P.1 também foi detectada nos Estados Unidos e em países europeus.

A resposta de várias vacinas a essas novas formas do coronavírus é uma preocupação. Por exemplo, a vacina da farmacêutica belga Janssen-Cilag, que pertence à gigante Johnson & Johnson, demonstrou eficácia geral de apenas 57% na África do Sul contra infecção por SARS-CoV-2 moderada a grave. A vacina da farmacêutica americana Novavax relatou uma taxa de eficácia de 49,4% em um ensaio clínico conduzido na África do Sul, em comparação com 89,3% observados em um estudo no Reino Unido. Saber se as vacinas terão dificuldades com o surgimento de novas mutações, é elemento potencial de “furacão” no horizonte.

Vencer “a tempestade da categoria 5″ exigirá uma adoção mais rápida da vacina e melhor vigilância genômica, de acordo com especialistas. Também exigirá estratégias de mitigação de transmissão que foram recomendadas desde o início da pandemia. O uso de máscaras, feitas de modo adequado (de boa qualidade e bem vedada), a adesão ao distanciamento social e a limitação de espaços que favorecem a aglomeração são medidas chave. À medida que a pandemia entra em seu segundo ano, alguns temem que o cansaço em relação ao tema esteja levando a respostas relaxadas por parte da população. As mensagens não surtem mais o efeito desejado e as pessoas se descuidam.

FURACAO COVID

Uma grande incógnita é em relação ao poder das reinfecções como um fator de piora do quadro geral, como verificado no mundo todo, em diferentes momentos. Embora menos de 50 casos de reinfecção tenham sido comprovados em todo o mundo, de acordo com um rastreador de reinfecção global, muitas agências de controle de infecções e governos não estão investigando rigorosamente os casos suspeitos. Esses casos precisam ser diferenciados dos chamados casos de Long Covid, que são casos em que alguns sintomas perduram por meses. O temor é que as mutações do coronavírus possam levar ao aumento das reinfecções, o que não foi bem documentado até o momento. Ainda assim, os especialistas dizem que é importante se antecipar a tal circunstância, o quanto antes.

O “Furacão Covid” é um termo usado para englobar a constelação de vários elementos que podem levar a uma virada preocupante na pandemia. Tornou-se a principal tendência recente de tópico clínico, já que as preocupações sobre o que pode estar no horizonte continuam a aumentar.

Com informações do Medscape. Edição do Setor Saúde.



VEJA TAMBÉM