Empregabilidade e Aperfeiçoamento | 23 de março de 2016

Tratamento do Câncer é abordado em evento em Passo Fundo

1º Simpósio do Câncer de Mama foi realizado dias 18 e 19 de março
Tratamento do Câncer é abordado em evento em Passo Fundo

Os riscos do câncer de mama, rastreamento e tratamento foram alguns dos principais assuntos discutidos no 1º Simpósio do Câncer de Mama, promovido pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), de Passo Fundo (RS). O evento, no Auditório Biomédico da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo, reuniu especialistas da área de todo o país entre os dias 18 e 19 de março.

O coordenador do evento e oncologista clínico do CTCAN, Álvaro Machado, destacou que o evento aproximou a classe médica regional das mais recentes pesquisas sobre o tema. “Esse é um importante momento para a classe médica que atua com o diagnóstico e tratamento do câncer para solidificar o conhecimento e absorver novas experiências. Penso que isso vai trazer benefícios para a população, pois o diagnóstico ainda é tardio e a incidência e mortalidade do câncer de mama continua crescente. Estudos indicam que 70% dos diagnósticos de câncer são feitos por médicos não-cancerologistas, o que evidencia a importância destes profissionais na identificação da doença”.

 O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, correspondendo em torno de 25% dos casos novos a cada ano. Segundo o Inca, a projeção para 2016 é de cerca de 60 mil novos diagnósticos no país, com um risco estimado de 56,2 casos a cada 100 mil mulheres.

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O simpósio em Passo Fundo foi desenvolvido através de 13 palestras, incluindo importantes temas como a padronização nos testes de Imunohistoquímica, técnicas de radioterapia e os fatores prognósticos e preditivos para terapia adjuvante. Entre os principais debates, salienta-se:

Fatores de risco

Nos EUA, para cada homem, 100 mulheres terão câncer de mama. “O principal fator de risco é ser mulher”, declarou o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Dr. Ruffo Freitas Jr. Segundo ele, o envelhecimento da população, a idade da primeira menstruação menor que 12 anos, o primeiro filho depois dos 30, a menopausa após os 55 anos, são fatores que elevam gradativamente esse risco. “Os fatores endócrinos e o histórico reprodutivo estão relacionados principalmente ao estímulo estrogênico, seja endógeno ou exógeno, com aumento do risco quanto maior for a exposição”. São fatores que para a mulher contemporânea dificilmente se modificarão. Entre os fatores modificáveis, estão as mudanças na dieta e a ingestão de álcool. “Nós sabemos que as mulheres brasileiras e as mulheres jovens ingerem uma quantidade muito maior de álcool que no passado”, explica Freitas.

 Mamografia anual a partir dos 40

Médicos de alguns países têm recomendado adiar a realização regular de mamografia para depois dos 50 anos, com base na análise dos resultados de programas de redução da mortalidade por câncer de mama. O assunto foi amplamente analisado pela médica radiologista da Santa Casa de Porto Alegre e da Clínica Kozma (Passo Fundo), Dra. Fernanda Kraemer. Ela explicou que, desde a década de 1980, com o início do rastreamento assintomático houve uma redução na mortalidade por câncer de mama de 30%. “Os estudos recentes confirmam que a detecção precoce é essencial no aumento da sobrevida. A maior parte das mortes por câncer de mama, dos 40 aos 49 anos, ocorreu justamente em mulheres que não participavam do rastreamento anual”, explica a médica.

A Sociedade Brasileira de Mastologia reitera a recomendação de indicar a mamografia, exame de rastreamento do câncer de mama, para mulheres a partir dos 40 anos anualmente.

 Atividade física durante e após o tratamento

Mesmo com o avanço de tecnologias, drogas e tratamentos, é preciso garantir o bem-estar da paciente, mesmo depois que o tratamento foi encerrado. É nesse ponto que entram os benefícios da atividade física. De acordo com o Dr. Ruffo Freitas Jr., a prática traz inúmeros benefícios durante a quimioterapia, diminuindo os efeitos colaterais e, durante a radioterapia, reduzindo a fadiga, e também auxilia no pós-cirurgia, melhorando a qualidade de vida e trazendo bem-estar emocional e funcional. “A grande questão é a adesão a longo prazo. Por isso todos os profissionais de saúde precisam estar atentos a essa paciente”, afirma.

 Progressos para o HER2-positivo

O avanço dos medicamentos para o tratamento do câncer de mama metastático do tipo HER2-positivo (um dos tipos mais agressivos, que acomete até 20% das pacientes) foi o tema escolhido pelo oncologista clínico do Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina da USP, Dr. Max Mano. “Hoje é comum pacientes viverem cinco anos ou mais, enquanto na era pré-terapia a sobrevida era de apenas um ano. Realmente uma das histórias de sucesso da oncologia”, salientou.

 Era pós-trastuzumab

O trastuzumab, primeiro tratamento que surgiu, ainda desempenha um papel muito importante. No Brasil, há um problema grave de acesso ao medicamento. “Ainda estamos brigando para ter o medicamento no SUS e ele já é superado. Estamos em uma era além do trastuzumab”, explica Dr. Max Mano. O medicamento mais recente é o T-DM1, o próprio trastuzumab, acoplado a uma molécula quimioterápica, injetada diretamente dentro da célula tumoral, onde faz o efeito biológico de destruição. Segundo o oncologista, ele é extremamente bem tolerável e mostrou um aumento significativo na sobrevida. “Essa droga existe no sistema privado no Brasil, é possível prescrevê-la, mas não existe no sistema público e não tem o menor movimento para que isso aconteça”, alertou.

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