Simpósio de Câncer de Mama destaca os avanços dos processos de tratamento da doença
Evento contou com especialistas renomados do país no assunto
O 2º Simpósio de Câncer de Mama reuniu renomados especialistas do país para discutir recentes avanços no diagnóstico, cirurgia, radioterapia e terapia medicamentosa. O evento, promovido pelo Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), ocorreu nos dias 25 e 26 de maio, no auditório Biomédico da Faculdade de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF) e reuniu médicos, estudantes e demais profissionais da saúde interessados no assunto.
O câncer de mama é o mais incidente e a primeira causa de morte por câncer entre as mulheres no Brasil. São quase 60 mil novos casos por ano desse tipo de câncer e cerca de 15 mil mortes no país. Em 2016, a doença matou cerca de 1,2 mil pessoas no Rio Grande do Sul, conforme dados do DataSUS. Para o coordenador do evento, o oncologista clínico do CTCAN, Dr. Alvaro Machado, é importante discutir esse tema para a disseminação do conhecimento mais atual e para a atualização dos médicos envolvidos no cuidado do paciente com câncer. “Estamos caminhando rapidamente para uma melhor seleção dos tratamentos para cada paciente de forma individualizada, tanto na cirurgia, radioterapia e oncologia medicamentosa. Este conhecimento precisa sempre estar atualizado”, enfatizou Machado.
Reconstrução mamária
A reconstrução mamária imediata para mulheres que tiveram que retirar toda a mama em função do câncer foi um dos assuntos abordados pelo coordenador da Cirurgia Plástica do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio Libanês/SP, Dr. Marcelo Sampaio. A reconstrução mamária imediata é um direito previsto por lei sancionada recentemente. Mas, de acordo com o especialista, ainda assim, no Brasil, menos de 20% das mulheres submetidas a retirada da mama por diagnóstico de câncer tem acesso à reconstrução no mesmo ato da mastectomia. “No mundo ideal, entre 80% e 90% destas pacientes poderiam, do ponto de vista técnico, submeter-se ao procedimento. Existem vantagens evidentes em realizar a reconstrução imediata, além de atenuar o óbvio sofrimento da mutilação, tecnicamente a cirurgia é mais fácil e permite melhores resultados”, destacou Sampaio.
Importância do diagnóstico precoce e dos testes moleculares
A patologista do A.C. Camargo Cancer Center/SP e secretária geral da Sociedade Brasileira de Patologia, Dra. Marina De Brot, revisou em profundidade as lesões de alto risco da mama, que são lesões benignas, mas associadas a risco de evolução para câncer. “Esse risco é variável, pode ser muito baixo ou alto suficiente para indicar acompanhamento clínico e às vezes intervenção cirúrgica”, destacou a palestrante, que também abordou o carcinoma in situ de mama, o estágio mais precoce, não invasivo e localizado. Nesses casos, a taxa de cura é de 98%. “Quando o paciente é diagnosticado neste estágio, a doença é curada. O carcinoma ductal in situ de mama é diagnosticado principalmente pela mamografia, e esse e é um dos principais valores da mamografia de rastreamento: diagnosticar a doença neste estágio muito precoce”, enfatizou Marina.
Outro tema foi “assinaturas multigenes para definição terapêutica adjuvante’, que são testes moleculares que analisam genes do tumor para estimar o risco de recorrência da doença. “Estes exames fornecem uma ‘nota’ que estima o risco de reincidência da doença após o tratamento inicial. Esse risco de recorrência pode ajudar na definição do tratamento após a cirurgia, onde risco genômico baixo exclui a necessidade de quimioterapia. “Esse é o principal valor desses testes ou assinaturas multigenes”, explicou a patologista.
Radioterapia pode reduzir significativamente o retorno do câncer de mama
A Radioterapia é parte integrante do tratamento do câncer de mama, podendo reduzir significativamente o retorno da doença na mama, nos gânglios linfáticos e mesmo à distância, contribuindo assim para as chances de cura.
De acordo com a radio-oncologista do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre/RS, Dra. Daniela Barletta, a radioterapia está sempre associada à cirurgia, podendo estar indicada após a mastectomia e, praticamente sempre, após a cirurgia que conserva a mama. “Há diferentes técnicas que podem ser utilizadas e, para cada caso, há uma avaliação criteriosa pelo radio-oncologista. Técnicas complexas e contemporâneas estão à disposição no nosso meio para que possamos buscar o melhor controle da doença, minimizando os efeitos colaterais”, comentou a palestrante.
Palestrantes
Também participaram do evento o Dr. Felipe Zerwes, mastologista, professor da Faculdade de Medicina da PUC/RS e gestor do Serviço de Mastologia do Sistema de Saúde Mãe de
Deus; o Dr. Marcelo Sampaio/SP, cirurgião plástico e coordenador da Cirurgia Plástica do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio Libanês/SP; a Dra. Marina de Brot/SP, patologista e coordenadora de pesquisa do AC Camargo Cancer Center; a médica radiologista da Clínica Kozma, Dra. Tailize Pisoni/RS, especialista em diagnóstico por imagem da mama; e o Dr. Rudinei Linck/SP, oncologista do Hospital Sírio Libanês e Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).
O evento contou com o apoio da UPF, UFFS, Imed, Fasurgs, Acisa, Ameplan, Unimed, Instituto de Patologia de Passo Fundo (IPPF), Liga de Combate ao Câncer de Passo Fundo, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), e patrocínio da Pfizer Oncology, Laboratório Roche, Laboratório Libbs, Astrazeneca, Novartis Oncologia e Clínica Kozma.
Fotos: Diogo Zanatta