Gestão e Qualidade, Multimídia, Política | 9 de junho de 2019

“Preparem-se para um SUS revigorado”, destaca Mandetta no Desafios da Saúde

Ministro da Saúde defende levar as boas práticas da gestão privada para a entrega dos serviços no SUS
“Preparem-se para um SUS revigorado”, destaca Mandetta no Desafios da Saúde
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Um Sistema Único de Saúde (SUS) revigorado e que irá se impor cada vez mais no setor da saúde, com uma maior participação dos hospitais privados e filantrópicos. Estes foram alguns dos destaques do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, na primeira palestra do Seminários de Gestão, com o tema Desafios da Saúde, que ocorreu na sexta-feira (7), em Porto Alegre. O ministro também apontou os atuais e futuros desafios do setor, enfatizando a atenção primária, prioridade da pasta da Saúde.

O evento ainda contou com palestras da secretária da Saúde do RS, Arita Bergmann; do presidente da International Hospital Federation (IHF – Associação Internacional de Hospitais) e do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs), Francisco Balestrin; e do superintendente executivo do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini.  Nos próximos dias apresentaremos aqui no portal Setor Saúde o que de mais importante foi abordado nas apresentações.

Mais de 300 pessoas se inscreveram para o Desafios da Saúde

Mais de 300 pessoas presentes no Desafios da Saúde

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O Seminários de Gestão, evento já tradicional na agenda da saúde do RS e atualmente em seu quarto ano consecutivo, é promovido pela Federação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (FEHOSUL), em parceria com a Associação dos Hospitais do Rio Grande do Sul (AHRGS) e Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA). Com auditório completamente lotado (presença de mais de 300 pessoas), esta edição teve patrocínio do banco Banrisul, dos laboratórios farmacêuticos MSD e Astellas e da operadora de planos de saúde Unimed Porto Alegre. A certificação foi concedida pela faculdade Fasaúde/IAHCS, e os apoiadores foram IAHCS Acreditação e portal Setor Saúde (www.setorsaude.com.br) – canal de comunicação oficial do Seminários de Gestão.


Abertura

A abertura foi realizada pelo presidente da FEHOSUL e da ONA, Cláudio Allgayer. Em sua manifestação, Allgayer saudou o auditório lotado, com mais de 300 pessoas. “A agenda de reformas e reorganização do sistema nacional de saúde exige inovadores arranjos de governança, plena integração dos setores público e privado, formação de redes assistenciais capilarizadas e hierarquizadas e linhas de cuidado baseadas em evidências científicas. E também novos modelos remuneratórios, que incentivem a eficiência e premiem qualidade e resultados nos prestadores de serviços de saúde, garantindo igualmente amplo acesso e segurança ao paciente”, afirmou.

Allgayer ressaltou que todos esses desafios necessitam de uma liderança capacitada, e reconheceu em Mandetta uma figura à altura para as mudanças. “Reconhecemos no ministro um profissional competente, político íntegro e dedicado, e uma liderança à altura para implementar as tarefas que a sociedade e o setor da saúde necessitam”, completou.

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, presidente da FEHOSUL, Cláudio Allgayer e o Deputado Federal Pedro Westphalen

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o presidente da FEHOSUL Cláudio Allgayer e o Deputado Federal Pedro Westphalen

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O deputado federal e vice-presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Pedro Westphalen – que foi saudado como um dos fundadores da FEHOSUL, entidade que completa neste ano 30 anos – deu prosseguimento à abertura. Westphalen ressaltou a qualidade dos palestrantes e enfatizou a necessidade de ser aprovada a reforma da Previdência, como passo inicial das reformas estruturantes que o País necessita. Westphalen também fez uma reverência especial ao ministro e primeiro palestrante do evento. “O ministro Mandetta tem uma característica de enfrentamento e espontaneidade. Ele foi à comissão de saúde da Câmara, espontaneamente, e eu, pela primeira vez, vi a oposição elogiar o ministro, pela sua coragem e atuação”, disse.

Luiz Henrique Mandetta

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é médico ortopedista e já foi deputado federal representando Mato Grosso do Sul por dois mandatos, iniciou a palestra citando um importante desafio apresentado à saúde brasileira há mais de 30 anos: a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). “Com a criação do SUS, em 1988, foi colocado um desafio geracional: saúde é um direito de todos e um dever do Estado. O desafio é construir esse sistema, baseado nos princípios de universalidade, integralidade e equidade”, disse.

Os princípios expostos na criação do sistema público de saúde desafiaram a sociedade brasileira a construir e reconstruir o seu modelo de saúde, explicou o ministro. De acordo com ele, antes da criação do SUS, a saúde era centralizada, prevalecendo o quadro de médicos com vínculo federal. “Foi feito um enorme movimento de municipalização. Ou seja, transfere-se aos municípios os deveres de organizar o sistema de saúde. Segundo, constituiu-se um sistema solidário, onde a pactuação passa a construir o sistema”. Mas para o Ministro erros também foram cometidos “até um tempo atrás, falar de iniciativa privada junto ao setor público parecia um sacrilégio”, afirmou.

Mandetta palestrou em evento do Sistema FEHOSUL

Mandetta palestrou em evento do Sistema FEHOSUL

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Mandetta disse que, nos últimos 30 anos, o Brasil observou uma brutal mudança na pirâmide etária, com uma população idosa cada vez maior. O ministro salientou a necessidade de ser realizada a reforma da Previdência. “Em 2024, teremos mais pessoas acima dos 60 anos do que menores de 20 anos”, ressaltou Mandetta, ao falar sobre as mudanças demográficas ocorridas no país.

O setor da saúde será cada vez mais importante para esta sociedade em mudança, explicou o ministro. “Qual será o serviço mais utilizado pelas pessoas nos próximos anos? Respondo: a saúde. A pressão por saúde será cada vez maior”, disse. Além de uma população idosa cada vez maior, Mandetta citou os altos índices de obesidade e sedentarismo, que acentuarão as demandas na saúde. “Teremos um aumento precoce de doenças relacionadas ao sedentarismo e obesidade”, salientou.

O ministro também ponderou que mudanças positivas ocorreram no país. Ele enfatizou a queda de 40% do consumo de tabaco no país nos últimos 12 anos, o que fez do Brasil uma referência mundial no combate ao tabagismo. Mandetta também citou evoluções da medicina, como terapia gênica, cirurgias robóticas e telemedicina. Porém, enfatizou a necessidade da atenção primária ser prioridade nas ações, como é a bandeira da pasta. “Se não fizermos atenção primária, todas essas evoluções não valem nada. É rasgar o dinheiro, jogar no lixo e ficar brincando de tecnologia”, ressaltou.

Mudanças no Ministério da Saúde

O ministro avaliou os primeiros meses da pasta da Saúde sob seu comando. “Quando iniciamos, tomamos uma clara decisão para o primeiro ano: em primeiro lugar, não sermos notícia. E começamos a olhar para dentro. A quantidade de escândalos de corrupção na área da saúde é muito grande. Por isso, fizemos um esforço conjunto e criamos a primeira diretoria de um ministério com carta branca para investigar e comandar todas as operações (contra fraudes e corrupção). Também iniciamos um processo de hiper transparência de dados”, afirmou.

A atenção primária, pauta prioritária, igualmente recebeu atenção especial, com a criação da Secretaria Nacional de Atenção Primária. “Não é concebível que um país com 210 milhões de habitantes não ter uma Secretaria Nacional de Atenção Primária para garantir a porta de entrada do sistema. Vim buscar aqui em Porto Alegre, o Erno Harzheim, um talento do setor”, salientou. Mandetta também ressaltou a ação de estímulo – que receberão maior financiamento – às Unidades Básicas de Saúde (UBS) que ficarem mais horas abertas (Programa Saúde na Hora), passando de 40 horas semanais para 60 e até 75 horas de funcionamento, facilitando o acesso ao cidadão necessitado.

“O SUS é um sistema que se impõe e está olhando o sistema privado com muita atenção”

Uma profunda mudança sobre a visão do sistema de saúde foi defendida pelo ministro. “Vocês acham que é justo o hospital ganhar por diária de CTI, não importando o que ele faz com o doente? Por que não remunerar pelo desfecho? Por que não pagar melhor quem faz melhor e é certificado? Por que não colocar uma outra ótica sobre o sistema de saúde e sair da caixa e começar a fazer diferente?”, provocou.

Além disso, Mandetta causou impacto entre os assistentes, ao criticar o que chamou de discriminação feita aos pacientes do SUS. “O Brasil paga, e muito bem, e muita coisa melhor que os planos de saúde. Eu já fui diretor de plano de saúde e hoje sou diretor do sistema nacional de saúde, e sei bem que muitas vezes apontam o dedo pro SUS, mas não sabem fazer conta do que estão recebendo do SUS. Nós temos uma má cultura de achar que o paciente do SUS é um paciente de segunda ou terceira categoria”, criticou.


Ao finalizar a apresentação, o ministro ressaltou que a atuação do SUS terá cada vez mais  imposição no sistema de saúde. “O SUS é um sistema em construção, mas é um sistema que se impõe. Ele vai se impor, e há pessoas hoje que estão olhando com muita atenção o sistema privado. Nesse novo organograma do Ministério, colocamos uma diretoria de hospitais filantrópicos e privados, porque queremos trazer o setor e ver o que ele tem a oferecer para a sociedade brasileira”, disse.


Mandetta defendeu que os hospitais privados podem dar exemplo de “fazer mais com menos”. “É impressionante observar como filantrópicos e privados fazem mais com os recursos públicos do que os hospitais públicos. Preparem-se para um SUS que vem revigorado, que vai para o debate, que vai sentar na mesa de negociação, chamar vocês e desafiá-los a fazer mais e melhor e, principalmente, com dignidade para o povo brasileiro”, finalizou Mandetta, com aplausos disseminados pelo amplo salão totalmente lotado.

Pedro Westphalen, Odacir Rossato, Arita Bergmann, Luiz Henrique Mandetta, Cláudio Allgayer e Paulo Petry

Pedro Westphalen, Odacir Rossato, Arita Bergmann, Luiz Henrique Mandetta, Cláudio Allgayer e Paulo Petry

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