Gestão e Qualidade, Tecnologia e Inovação | 1 de dezembro de 2016

Os múltiplos caminhos inovadores da Tecnologia da Informação na Saúde

Emerson Zarour, da MV, abordou os caminhos e efeitos da TI
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Inovação ocorre em todas as áreas, e na saúde ela está cada vez mais presente. O tema foi tratado na palestra Tendências e Inovações em Tecnologia da Informação, proferida por Emerson Zarour (Diretor de Inovação da MV Sistemas), que fez parte do Seminário Tendências e Inovações em Saúde, evento realizado pela Fehosul e seus sindicatos filiados, em parceria com o Sindihospa, na tarde de 30 de novembro, que reuniu mais de 380 lideranças, dirigentes e pesquisadores da área da saúde em Porto Alegre.

“Um dado importante é que 76% de novos produtos fracassam, por uma série de requisitos que não são cumpridos”. Processos importantes devem ser respeitados. Problemas de lançamento, pesquisas ineficientes, falta de testes e de planejamento, juntamente com a falta de foco, são itens que costumam ter parcela importante no insucesso de novos produtos, sustentou o palestrante.

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Emerson Zarour (Diretor de Inovação da MV)

 

“Não é uma questão de investimentos bilionários. Inovar é bom, mas se o mercado não acolheu, vira um fracasso”, exemplificou. A Apple, por exemplo gastou US$ 100 milhões no Newton (um aparelho lançado em 1993, com tela sensível ao toque), um notório fracasso da empresa, assim como o Macintosh TV, espécie de precursor do Apple TV.

Segundo Emerson, não se pode mudar certos padrões, como posicionamento no mercado, marketing, não ouvir o cliente, e investir no momento errado. “O Google Health era um exemplo, a ideia é boa e saiu do mercado”. Basicamente permitia que as pessoas inserissem suas condições de saúde e as gerenciassem em uma central montada pelo Google. Foi descontinuado em 2011, após cinco anos do seu lançamento, sem nunca ter conseguido firmar-se no mercado.

Mesmo quando se é líder no mercado, um equívoco pode ser crucial. “Um mercado estável que mudou foi o do desktop (computador de mesa), que há poucos anos era um mercado dominado pela Dell e Microsoft. Agora é a Samsung e a Apple que dominam, por causa dos tablets”, falou. “Inovação é uma surpresa a cada tempo. Empresas gigantes são pulverizadas porque não inovaram. Outros exemplos do dia a dia são a locadora de filmes e a loja de CD. Isso acabou, as empresas não inovaram. Tem o Netflix para ver filme e o Spotfy para escutar música”.

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Como a MV inova?

Em 2014, a empresa fez “um ano sabático” nos EUA, participando de eventos e criando uma estrutura de inovação. “Fizemos observações, trouxemos ideias e testamos. Criamos grupos de pesquisa, de seis meses”.

Um risco apontado pelo Diretor de Inovação da MV Sistemas é que não adianta inovar por inovar. É preciso acertar no tempo. “A inovação é um risco constante na nossa área. Tem que saber fazer o produto inovador e acertar o tempo. Se chega cedo demais ou demora, a inovação é perdida”.

Ao tratar de aplicativos ou mobilidade na saúde, Zarour falou que “em mercados emergentes 59% dos pacientes usam aplicativos eHealth”. A tendência é que as pessoas usem cada vez mais soluções de bem estar. “ Há um conjunto de programas, para administração de medicamentos, muitos de fitness, alguns de agenda, mas nenhum médico. Temos 165 mil aplicativos na área médica, mas poucas pessoas conseguem citar 10 deles. É um mercado ainda aberto”.

Nos próximos anos aplicativos que possuem maior potencial de ter sucesso são aqueles que possibilitam:

1 Monitoramento remoto (verifica pressão sanguínea, batimento do coração, etc.)

2 Consultas remotas (tele health) 

3 Diagnósticos

4 Alertas de condições de saúde

5 Fitness (monitoramento de calorias gastas, km percorridos)

Para que um aplicativo funcione, “a divulgação tem que ser feita. Tem que incentivar a baixar, ou não vai vingar. As pessoas não vão descobrir, é preciso empurrar para o cliente até viralizar [expandir seu uso]”. Na prática, “é mais do que conquistar, é conquistar e reter”, enfatizou Emerson, em sua apreciada palestra.

“Hoje tudo é mais fácil de resolver pelo telefone do que em site. Ter a solução na mão muda o conceito de uso”. As pessoas querem comodidade e economizar tempo e/ou dinheiro, basicamente.

As novas soluções relacionada à saúde que têm mais chance de obter sucesso, são aquelas que poderão reduzir os custos de não-adesão a um tratamento médico por parte do paciente, ou ainda, reduzir os custos para a readmissão hospitalar e a duração da estadia; reduzir os custos de consultas médicas e reduzir o custo de prevenção.

“Quem não estiver pronto para inovar, vai estar fora de um complexo sistema de comunicação”. A inovação “é um processo que surge o tempo todo, porque somos criativos”.

Personal Health MV

Na palestra Zarour ainda falou da plataforma Global Health que tem como carro chefe, o aplicativo Personal Health MV que consegue unificar e armazenar dados como consultas médicas, resultados de exames, atividades físicas, hábitos alimentares, além de informações provenientes de outros aplicativos e wearables (vestíveis como relógios de monitoramento). As informações dos usuários (pacientes), podem ser disponibilizadas para hospitais e médicos, caso seja de interesse do paciente. A vantagem é ter uma maior rapidez, comodidade e menos custos para os prestadores.

O Check-in, por exemplo, é um outro aplicativo que visa reduzir a jornada do paciente. “A pessoa clica no aplicativo, escolhe o tipo de atendimento e ele localiza os hospitais próximos de onde a pessoa está, vê os que tem a cobertura para o plano de saúde, preenche o formulário e diz o motivo da consulta. Nisso, já se faz a autorização do convênio, uma prévia consulta, escolha do profissional, horário, e agenda a consulta. No final o aplicativo dá um QR Code (código de leitura digital) que vai ser solicitado no hospital. Todo o trâmite cansativo é feito rapidamente”.

Debates

No debate qualificado,após a conferência, Tiago Andres Vaz (assessor de TI do Hospital de Clínicas) comentou que a instituição de Porto Alegre escolheu o caminho de inovar utilizando seus próprios recursos e profissionais. A escolha possibilitou ao hospital se destacar e ser referência para outros hospitais universitários que utilizam as ferramentas desenvolvidas pelo Clínicas. “ O prontuário mobile do Clínicas permite que médicos vejam as tomografias pelo celular, por exemplo. Hoje esse software é usado em todo o Brasil, dominando o mercado [de hospitais universitários]. Temos que pensar em como usar a ideia de forma inovadora e compartilhada”.

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Henri Chazan (Sindihospa) e Tiago Andres Vaz (Hospital de Clínicas de Porto Alegre)

 

Hilton Roese Mancio (Superintendente executivo do Hospital Tacchini, de Bento Gonçalves) lembrou que “toda inovação passa por uma crítica forte em produtividade e custo-benefício”. Segundo ele, a TI muitas vezes exige muitas horas e investimento em projetos que precisam produzir um resultado que traga uma solução, como a redução de custos ou vantagem competitiva a longo a prazo. “A inovação em TI, quando dá certo, é impulsionadora de novos movimentos de empreendedorismo”.

O coordenador dos debates, Henri Chazan (presidente do Sindihospa), disse que a tecnologia veio para ficar na área da saúde, e quem não souber defender o seu negócio com o apoio das soluções que hoje existem, e das que ainda chegarão ao mercado, estará fadado ao fracasso.

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Hilton Roese Mancio (Hospital Tacchini, de Bento Gonçalves)

 

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Zarour, Chazan e Vaz

 

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