Política | 5 de janeiro de 2017

Hospitais anunciam dificuldades para pagar folha de dezembro

Filantrópicos esperam receber R$ 180 milhões do governo estadual
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Mais da metade dos hospitais filantrópicos do Rio Grande do Sul vivem momentos financeiros muito delicados. Cerca de 60% admite que terão problemas para pagar a folha de dezembro de 2016 dos funcionários, o que deve ser feito até o quinto dia útil de janeiro (dia 6, próxima sexta-feira). A alegação é que há atrasos nos repasses do governo do Estado no valor de R$ 180 milhões.

Segundo uma pesquisa realizada pela Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do RS, 39% desses estabelecimentos estão com os pagamentos de férias atrasados, 27% ainda não conseguiram quitar o 13º salário de seus colaboradores e 42% estão com salários de outros meses pendentes.

O presidente da entidade, administrador André Emílio Lagemann, disse ao jornal Zero Hora que a situação é “alarmante” e se agravou em dezembro, “porque o governo federal demorou a depositar os valores dos atendimentos de média e alta complexidade. Reconhecemos as dificuldades do Estado, mas há um limite de tolerância. Quando os salários começam a atrasar, é porque a situação chegou ao fundo do poço”.

A Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) aguarda a conclusão do pagamento integral da folha dos servidores públicos estaduais (que ocorreu hoje) para programar os repasses para os hospitais.

A pesquisa da Federação das Santas Casas, realizada em dezembro, mostrou que entre janeiro e novembro, houve redução de 12,2% no número de leitos, diminuição de 41,46% do quadro funcional (o equivalente a quatro mil demissões), redução de 20,73% das internações e de 19,51% dos atendimentos ambulatoriais, prestados aos cidadãos gaúchos.

Os hospitais filantrópicos estão tendo de readequar o atendimento a novos padrões orçamentários, em razão da diminuição dos repasses governamentais.

A tendência é que as renovações de contrato com o SUS tenham redução no volume de atendimentos pactuado com o Ministério da Saúde. A consequência, nos curto e médio prazos, será a perda de 4,6 milhões de procedimentos anuais, incluindo internações (46,7 mil), exames (2,8 milhões) e procedimentos ambulatoriais (1,8 milhão). Além do risco de muitas instituições fecharem as portas.

 

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