Política | 1 de junho de 2018

Geraldo Alckmin é recebido na FEHOSUL e discute novos rumos para a saúde e País 

Ex-Governador de São Paulo esteve reunido com lideranças hospitalares e médicas do RS
Geraldo Alckmin é recebido na FEHOSUL e discute novos rumos para a saúde 

Os principais temas e desafios da saúde foram apresentados ao ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em reunião ocorrida na Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (FEHOSUL). No encontro, estiveram presentes lideranças hospitalares e médicas do RS, além do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, e o deputado estadual Lucas Redecker, ambos do PSDB. Alckmin é pré-candidato à presidência do Brasil nas eleições deste ano.

O presidente da FEHOSUL, anfitrião da atividade,  médico Cláudio Allgayer ressaltou no início do encontro que o desafio da saúde no Brasil se baseia em quatro pilares: acesso; qualidade e segurança; gestão; e financiamento. O presidente da FEHOSUL, ao apresentar os presentes à Alckmin,  enfatizou que todos são lideranças e importantes expoentes para o desenvolvimento do setor no Rio Grande do Sul.

Allgayer

Allgayer

 

Inicialmente, Alckmin, ao agradecer o convite da FEHOSUL para expor suas idéias e ouvir as lideranças presentes, abordou os avanços da área da saúde no país. Ele apontou a consolidação do Estado de bem-estar social no Brasil, no final dos anos 1980, garantindo, entre outros direitos, o da saúde universal e gratuita, da qual ele foi o relator no Congresso da lei que regulamentou o SUS. O governador ressaltou que também ficou garantida no país a liberdade da iniciativa privada na saúde. “Temos o modelo de saúde complementar, por convênios, e o setor público, pelas redes municipal, estadual e federal”, afirmou.

Os quatro pilares que compõem os principais desafios da saúde do país, apresentados pelo presidente da FEHOSUL, foram apontadas e valorizados pelo governador. “Precisamos garantir o acesso, e a qualidade assistencial,  melhorar a gestão e enfrentar o problema do desfinanciamento. Porque se é tudo de graça, é o governo que banca”, disse. A baixa participação do governo federal no financiamento da saúde foi criticada por Alckmin. “Quando foi concebido o sistema estava estabelecido que  aproximadamente 63% do financiamento da saúde estava sob responsabilidade federal. O governo federal contudo, à medida que não corrige a tabela do SUS, ele está discretamente saindo do financiamento. Em São Paulo, a participação federal no SUS é de apenas 22%”, apontou Alckmin.

O ex-governador de SP frisou que a principal preocupação da população brasileira é com a área da saúde. “Nós temos um paradoxo. De um lado, a saúde melhorou em todos os indicadores. De outro lado, é a principal preocupação da população. Temos que melhorar o acesso, qualidade, gestão e rediscutir o financiamento. Temos que resolver isso, em uma população que está ficando mais idosa, com medicina mais cara”, explicou. Alckmin afirmou que a saúde é socialmente muito importante no Brasil, porque é também um setor de extrema relevância econômica. “É um setor que vai gerar cada vez mais empregos”, salientou.

Tarragô, Chazan e Redecker

Tarragô, Chazan e Redecker

 

Alckmin destacou, ao se referir aos recentes acontecimentos que agitaram o país,  que ” os radicais, com sentimento de ódio, trazem caos, não mudança. A mudança é fruto de convencimento, diálogo, de trazer a sociedade junto. Todo radicalismo não é o caminho, é o descaminho. É importante destacar isso. É inadmissível essa coisa de intervenção militar. O respeito à constituição é basilar. É até ofensivo para as Forças Armadas isso. O General Villas Boas, grande brasileiro e comandante do Exército, disse em entrevista que a intervenção militar não faz nenhum sentido.”

Para a saúde, Alckmin apontou que duas importantes medidas foram tomadas em São Paulo: a implementação das Organizações Sociais da Saúde (OSS) – “nenhum novo hospital é administrado pelo governo. Temos contrato de gestão em cada unidade”, explicou – e a implantação de parcerias público-privadas (PPP). “Eu entendo que é muito importante aproximarmos a saúde pública, com o SUS, da saúde suplementar. É uma medida que aproxima e permite que se faça mais em benefício da população com custo menor. E também trazer a expertise do setor privado. Fizemos em São Paulo três hospitais  de 250 leitos ( 2 já inaugurados) por PPP: o setor privado constrói, equipa e opera a “bata cinza”, ou seja, tudo que não é da parte médica, como limpeza, segurança e equipamentos, manutenção; e tudo SUS, 100% gratuito. O que interessa para a população é que o serviço seja público, mas a gestão não precisa ser estatal, pode ser privada”, afirmou. Alckmin acrescentou que a saúde precisa focar em resultado. “Estamos no país da regra, e não dos resultados”, apontou Geraldo Alckmin criticando a excessiva regulamentação do setor, em detrimento da busca de resultados.

A greve dos caminhoneiros, que ocasionou em desabastecimentos nos hospitais (confira aqui a cobertura do Portal Setor Saúde), também foi analisado pelo governador. De acordo com Alckmin, a população não pode pagar por greve de nenhum setor. “Não pode o hospital ficar sem remédio e alimentos”, afirmou o governador, que se mostrou aliviado com os acertos que foram feitos. “Agora precisamos voltar imediatamente à normalidade”, frisou.

Paulo de Argollo Mendes,

Paulo de Argollo Mendes,

 

O presidente do Sindicato Médico do RS (Simers), Paulo de Argollo Mendes, especialmente convidado, destacou que os médicos precisam ser incentivados pelo governo a mudar a forma de trabalho, com atenção à metas e o alcance de objetivos, menos em relação à carga horária. “Ele [médico] quer ser produtivo. É muito caro formar um médico, para ele ficar sentado cumprindo seu horário. É razoável estabelecer uma meta, submeter o profissional à avaliação dos pacientes e cumprida a meta, com qualidade, liberar”. Este mecanismo de contratação, na visão de Argollo, não se aplicaria aos plantões de emergência e em áreas críticas, como CTI. A proposta foi vista com simpatia por Alckmin.

Para o presidente do Sindicato dos Hospitais de Porto Alegre, Henri Chazan,  é preciso incentivar as tecnologias na saúde e a medicina de precisão. “Pensar mais sobre as novidades exponencias que vem surgindo no mundo. Como nos medicamentos personalizados com o próprio DNA do paciente, impressoras 3D” afirmou. O médico oncologista, fundador e diretor da Oncologia Centenário, Adalberto Broecker Neto, elogiou o “ enorme estímulo do Estado de São Paulo á prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer naquele estado, sob a liderança de Alckmin, o que é reconhecido nacionalmente”. A uma indagação do diretor do Hospital Regional Santa Lúcia, de Cruz Alta, Fernando Pedroso, Alckmin comprometeu-se a revisar a política dos planos de saúde, especialmente quanto a vigente segmentação, com excesso de regulamentação, reconhecendo que novos modelos de segmentação podem atrair parcelas mais significativas da população a adquirir planos de saúde. O diretor do Grupo Hospitalar Conceição, José Ricardo Agliardi ressaltou “ o trabalho desenvolvido pelos 4 hospitais vinculados, a UPA Moacir Scliar e as equipes de saúde da família que atendem a população mais carente, em um modelo de atenção gratuita, conforme os princípios do SUS”.

Alckim concordou que é necessário repensar a saúde no Brasil, o SUS principalmente. “Eu fui em um hospital religioso em São Paulo e perguntei: quantos % do hospital atende SUS? Me responderam que ali não tem mais SUS, nem com a promessa de ir para o céu. Porque o prejuízo é muito grande.”

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Estiveram presentes na reunião: Dr. Antonio Quinto Neto (Diretor Administrativo do Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre); Dr. Henri Chazan (Presidente do SINDIHOSPA); Adalberto Broecker (Diretor da  Oncologia Centenário e Conselheiro Fiscal da FEHOSUL; Dr. Cláudio Allgayer (presidente da FEHOSUL, da ONA e vice-presidente da CNS);  Luiz César Leal Neto (presidente do Sindilac); Nelson Marchezan Júnior (prefeito de Porto Alegre); André Allgayer (Diretor Faculdade de Tecnologia em Saúde/IAHCS); Paulo de Argollo Mendes (presidente do Sindicato Médico do RS – SIMERS); José Ricardo Agliardi Silveira (Diretor Administrativo e Financeiro do Grupo Hospitalar Conceição); Sérgio Baldisserotto (Superintendente do Hospital São Lucas da PUCRS); Fernando Pedroso (Presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde da Região Serrana).

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