Estatísticas e Análises | 15 de agosto de 2016

Estudo indica que flora intestinal causa resistência à insulina

Bactérias do intestino dão pistas para explicar diabetes
Estudo indica que flora intestinal causa resistência à insulina

Um estudo recentemente publicado na revista Nature revelou que a microbiota, também conhecida como flora intestinal, tem um papel chave no desenvolvimento da resistência à insulina, característica da diabetes de tipo 2.

Estas populações de microrganismos (grupo de bactérias que vivem no intestino, auxiliando em vários processos como a digestão e o monitoramento do desenvolvimento de microorganismos que causam doenças) desempenham um papel no desenvolvimento do diabetes tipo 2, “devido à sua capacidade de sintetizar aminoácidos de cadeia ramificada, cuja presença no sangue é consistentemente associada com a resistência à insulina. Esta insensibilidade ao hormônio (insulina), característica do diabetes de tipo 2, impede que as células do próprio corpo absorvam a glicose do sangue. O açúcar no sangue sobe como consequência, causando fadiga do pâncreas”, ressalta publicação do jornal francês Le Figaro.

“A descoberta é intrigante porque estas moléculas, necessárias para o desenvolvimento muscular adequado, são chamadas de “essenciais”, o que significa que não podem ser produzidas pelo nosso corpo. Até hoje, considerou-se que apenas a alimentação poderia fornecê-la ao corpo, e somente em pequenas quantidades. Elas também são os destaques de suplementos alimentares protéicos de atletas”.

Fábrica de aminoácidos de cadeia ramificada

Aminoácidos de cadeia ramificada compreendem três aminoácidos essenciais: leucina, isoleucina e valina, encontrados em fontes protéicas de origem animal.

“Por que os pesquisadores não descobriram isso antes? Presumivelmente porque no paciente saudável, em síntese, as bactérias do intestino são imediatamente seguidas pelo consumo de outras, criando um saldo zero e indetectável por todo o corpo”, diz Stanislav Dusko Ehrlich, diretor de pesquisa do INRA (Institut National de la Recherche Agronomique – Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola da França) de Jouy-en-Josas, que participou do estudo.

Investigadores europeus e asiáticos do consórcio internacional MetaHIT , coordenado pelo INRA, analisaram a composição bacteriana do intestino de 75.277 diabéticos e não-diabéticos e encontrou dois tipos distintos de bactérias com funções interessantes: um tipo é operacional, como um fábrica de aminoácidos de cadeia ramificada, e o outro tipo é responsável pelo consumo. “No intestino de indivíduos saudáveis, essas bactérias são distribuídas uniformemente, para que haja um saldo zero no corpo”, explica Stanislav Dusko Ehrlich. “No entanto, em pacientes com diabetes tipo 2, encontramos um desequilíbrio entre os dois grupos: a produção ocupa um espaço muito mais importante”. Este aumento na concentração de aminoácidos de cadeia ramificada no intestino é então passado para o sangue, explica o pesquisador.

Um processo dispendioso

“Neste momento, não sabemos se essas moléculas são responsáveis ​​pela resistência à insulina, ou são simples marcadores desse fenômeno”, diz o pesquisador, que aponta suas principais suspeitas. “Nós produzimos e injetamos bactérias em ratos e eles tornaram-se resistentes à insulina”. Porém, ainda é preciso confirmar que o mesmo ocorre em humanos.

Está é uma nova pista para a prevenção. “Ao analisar a população bacteriana de cada indivíduo, torna-se possível identificar precocemente as chances de desenvolver resistência à insulina”, ressaltou Stanislav Dusko Ehrlich. Tal procedimento, embora promissor, permanece complicado de ser implementado devido ao seu alto custo, agora estimado em € 1 mil por paciente, considerou o professor e diabetologista Fabrizio Andreelli, do Hospital Universitário de Pitié-Salpêtrière, em Paris (que não participou no estudo), consultado pelo jornal Le Figaro. Ele acredita que esta descoberta “abre caminho para tratamentos novos e mais direcionados”.

A modificação da composição da microbiota bacteriana se dá, em grande parte, devido à alimentação. “Ao comer regularmente ‘junk food’ (comida rica em calorias e de baixa qualidade nutritiva, como hamburger e salgadinhos industrializados), pode-se perder até 40% das espécies que vivem em nossos intestinos que talvez sejam aquelas que degradam os aminoácidos ramificados”, conclui Stanislav Dusko Ehrlich.

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