Esperados grandes avanços no tratamento do câncer para os próximos cinco a dez anos
Especialista afirma que oncogenes permitem desenvolvimento de terapias específicas e menos tóxicas
Durante os últimos 40 anos, a oncologia desenvolveu tratamentos eficazes para o câncer, em muitos casos severamente agressivos, mas não foram dirigidos a um alvo específico. A descoberta de oncogenes (genes relacionados ao surgimento de tumores, sejam malignos ou benignos) tem permitido desenvolver terapias específicas, que são menos tóxicas. É o que explica o oncologista Alejandro Sweet-Cordero, professor de Biologia do Câncer da Universidade de Stanford, em entrevista ao periódico espanhol ABC.
“O oncogene RAS é um dos mais importantes”, explica o especialista, que participou do recente Seminário Internacional de Oncologia, organizado pela Universidade de Navarra, na Espanha. O trabalho do Dr. Sweet-Cordero, focou a análise do genoma do câncer, peça chave em três de cada 10 tumores.
Através da descoberta do RAS e outros genes, começou a surgir a ideia de não usar uma terapia tão tóxica, de modo geral, que afeta todo o organismo, mas um tratamento dirigido contra estes oncogenes. “No entanto, não se sabia a forma de inibi-los diretamente porque é um gene bastante complexo, com muitas soluções complexas. Em poucos anos, acho que vamos encontrar a fórmula para uma inibição mais direta”, destacou.
Para Alejandro Sweet-Cordero, os principais avanços das pesquisas são, especialmente, no que se refere ao entendimento de como esta molécula funciona, esta proteína que é o RAS, “que sabemos desempenhar um papel muito importante na célula. O câncer é ativado como um interruptor de luz que está o tempo todo ligado. Nós aprendemos muito sobre como este processo bioquímico funciona, e estamos aprendendo mais a cada dia”. A área genômica tem avançado nas metodologias que permitem sequenciar os tumores de muitos pacientes. “Eles nos ajudaram a entender mais sobre como funciona este oncogene”, explica o especialista.
Haverá uma crescente ênfase sobre a medicina personalizada, tendo como alvo as células que se alteram em cada tumor, em cada indivíduo. “O RAS é um dos mais importantes e estou convencido que nos próximos cinco ou 10 anos, veremos avanços e descobertas que permitirão desenvolver novos medicamentos personalizados. Os pacientes com esta via ativada, terão as melhores opções de tratamento”, avalia.
Segundo ele, “é muito importante entender que o câncer não é uma doença, mas muitas. Costumávamos pensar que o câncer era definido pelo tecido em que começou. Cada câncer, dependendo do tecido de origem, é um tumor. Sabemos agora que na verdade que cada tumor, em cada indivíduo, é diferente. Porque as mutações são únicas para o paciente. A medicina personalizada do câncer é entender a complexidade genética que tem cada paciente e, em seguida, dirigir que a terapia projetada especificamente para esse indivíduo. Há casos que são mais curáveis do que outros, dependendo do conjunto de genes de cada tumor”.
As terapias levam a muitos efeitos secundários, como perda de cabelo, vários órgãos podem ser afetados, devido às quimioterapias que atacam cada célula que esteja se dividindo, seja cancerígena ou não. “A idéia das terapias-alvo é evitar esse efeito tão generalizado e se dirigir mais precisamente ao calcanhar de Aquiles de cada tumor”, comenta o oncologista.
Em alguns casos, como revelou o especialista, o método “não só acelera o tratamento, mas prolonga a vida dos pacientes com cânceres que podem causar a morte muito rapidamente. Agora, por meio de combinações de terapias personalizadas, temos conseguido muito progresso em dar uma vida melhor para pacientes com diferentes tipos de cânceres”.