Estatísticas e Análises | 23 de novembro de 2018

Aspirina e ômega-3 podem reduzir o risco de câncer colorretal aponta estudo

700 pessoas participaram de ensaio clínico, na Inglaterra
Aspirina e ômega-3 podem reduzir o risco de câncer colorretal

Uma nova pesquisa aponta que a aspirina e ácido eicosapentaenóico (EPA) – um dos principais ácidos graxos contidos no ômega-3 – reduzem o número de pólipos intestinais pré-cancerosos em pessoas com alto risco de câncer colorretal.

O ensaio clínico, chamado SeAFOod e conduzido pela Universidade de Leeds, do Reino Unido, descobriu que tanto a aspirina quanto o EPA reduziram o número de pólipos intestinais em pacientes um ano depois de uma colonoscopia de rastreamento (teste de câmara do intestino grosso), embora não reduzissem as chances de um indivíduo ter qualquer pólipo presente no intestino. O ensaio clínico foi publicado na revista The Lancet, na terça-feira (20).

Os pacientes que tomaram aspirina desenvolveram menos pólipos em geral, inclusive no lado direito do intestino grosso – a parte mais difícil de ser monitorada pela colonoscopia, ficando mais distante do reto. Já os pacientes que tomaram o EPA também desenvolveram menos pólipos, mas esse efeito foi observado apenas nos pólipos do lado esquerdo do intestino, que é o mais próximo do reto.

O teste foi lançado para determinar se a aspirina ou a EPA poderiam reduzir o número de pessoas que tinham pólipo no teste de acompanhamento de um ano, o que não aconteceu. No entanto, ambos os compostos tiveram efeitos preventivos, reduzindo o número de pólipos de tipos específicos em pacientes.

“O ensaio SeAFOod demonstra que tanto a aspirina quanto a EPA têm efeitos preventivos, o que é particularmente estimulante, pois são compostos relativamente baratos e seguros para os pacientes”, disse Mark Hull, professor de Gastroenterologia Molecular da Universidade de Leeds. “Dada esta nova evidência, os médicos precisam considerar esses agentes para pacientes com risco elevado de câncer de intestino, juntamente com a vigilância da colonoscopia regular”, completou.

As pessoas com alto risco da doença são regularmente monitoradas por especialistas que usam uma câmera flexível para examinar o revestimento do intestino grosso, também chamado de cólon, uma técnica chamada colonoscopia.

Durante uma colonoscopia, um especialista procura por pólipos, que são tumores no revestimento do cólon – os tumores geralmente são benignos, mas podem se tornar cancerosos e, portanto, removidos. No entanto, a colonoscopia não é infalível e um número significativo de pessoas ainda continua desenvolvendo câncer colorretal.

O estudo

Mais de 700 pessoas participaram do estudo, em 53 hospitais na Inglaterra. Os participantes foram indivíduos em maior risco de desenvolver câncer colorretal, depois de fazer uma colonoscopia.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em quatro grupos de tratamento (o primeiro grupo tomava um comprimido de aspirina de 300 miligramas; o segundo, 2 gramas de EPA em quatro cápsulas; o terceiro, uma combinação de aspirina e EPA; e o último, apenas placebos).

Pacientes que tomaram aspirina tiveram 22% menos pólipos no final do estudo de um ano em comparação com aqueles que tomaram o placebo. Aqueles que tomaram EPA tiveram 9% menos pólipos no final do estudo em comparação com aqueles que tomaram o placebo, embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significativa. No entanto, os pacientes que tomaram EPA tiveram 25% menos pólipos no lado esquerdo do intestino em comparação com aqueles que tomaram o placebo.

 Prevenção

O ensaio SeAFOod, financiado pelo Programa de Avaliação de Eficácia e Mecanismo (EME, na sigla em inglês) – uma parceria do Conselho de Pesquisa Médica (MRC, na sigla em inglês) e do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde (NIHR, na sigla em inglês), do Reino Unido – foi conduzido para verificar se a aspirina e a EPA poderiam fornecer outra camada de prevenção, juntamente com a colonoscopia.

O professor Hull, que também é membro do Comitê de Pesquisa do Programa de Rastreamento do Câncer de Bowling (BCSP, na sigla em inglês) do Serviço Nacional de Saúde, do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), disse: “Com o BCSP na Inglaterra sendo estendido para cobrir todas as pessoas a partir dos 50 anos na Inglaterra, haverá ainda mais pessoas com pólipos intestinais, que sabemos estarem em maior risco de câncer de intestino. Agora, devemos avaliar como a aspirina e a EPA podem fornecer benefícios adicionais aos pacientes, dados nossos limitados recursos de colonoscopia”.

 O estudo sugere que uma abordagem de medicina de precisão pode ser a maneira mais apropriada de usar aspirina e ômega-3 para prevenir pólipos intestinais, nos quais pacientes em risco de tipos específicos de pólipos recebem tratamento específico para esse risco.

O Professor David Crossman, Diretor Interino do Programa EME do NIHR, disse: “Os resultados do teste SeAFOod são muito emocionantes e estou particularmente satisfeito que a colaboração MRC / NIHR financiou este estudo. A prevenção é fundamental nesta doença comum e é fascinante que a combinação de drogas amplamente disponíveis e relativamente baratas pareça ter um impacto tão grande”, ressaltou.

Informações adicionais do estudo

O EPA está naturalmente presente no óleo de peixe, mas foi administrado aos pacientes em uma dose maior do que a presente na maioria dos suplementos de ômega-3 disponíveis ao público. Para este estudo, a aspirina foi fornecida pela farmacêutica Bayer, e a EPA foi fornecida pela farmacêutica SLA Pharma.

Embora a aspirina e a EPA tivessem efeitos benéficos sobre o número de pólipos por conta própria, a combinação de aspirina e EPA juntas pareceu ter um efeito ainda maior. No entanto, o ensaio não foi projetado para fornecer uma resposta definitiva sobre o tratamento combinado e mais pesquisas são necessárias para testar a aspirina e o tratamento com EPA para a prevenção de pólipos.

De acordo com a Universidade de Leeds, o tratamento com aspirina e EPA foi seguro, sem risco aumentado de sangramento. Entretanto, os indivíduos que tomaram EPA isoladamente tiveram um ligeiro aumento nos sintomas de desconforto estomacal.

Com informações da Universidade de Leeds. Edição do Setor Saúde.

VEJA TAMBÉM