Ansiedade acelera envelhecimento celular
Pesquisa holandesa relaciona depressão e ansiedade com envelhecimento
Para examinar a associação entre o estado de ansiedade e o comprimento dos telômeros de leucócitos (LTL) como um indicador de envelhecimento celular, pesquisadores holandeses realizaram um estudo, publicado recentemente no The British Journal of Psychiatry. Os transtornos de ansiedade aumentam o risco de aparecimento de várias doenças somáticas relacionadas ao envelhecimento, o que pode ser a consequência do envelhecimento celular acelerado.
Os transtornos de ansiedade incluíram o transtorno de ansiedade generalizada, fobia social, agorafobia e transtorno de pânico com e sem agorafobia. Já os telômeros são complexos especializados de DNA que ficam nas extremidades dos cromossomos e que encurtam com o avançar da idade. São considerados um indicador de envelhecimento celular.
Os estudiosos da Netherlands Study of Depression and Anxiety colheram os dados junto a indivíduos com transtorno de ansiedade (que sofriam do problema no momento da pesquisa ou já tiveram no passado) e outros sem transtorno psiquiátrico, o grupo “controle”. A idade média dos participantes foi de 41,7 anos, sendo 66% deles mulheres.
Foram determinados os diagnósticos de ansiedade e as características clínicas por entrevistas psiquiátricas estruturadas e questionários de autorrelato; o LTL foi avaliado por meio da reação em cadeia da polimerase quantitativa e convertido em pares de bases.
Os pacientes no grupo que sofria com ansiedade tiveram TLT significativamente menor em comparação com o grupo controle e com o grupo que já havia tido ansiedade no passado. Já o grupo com ansiedade no passado não diferiu do grupo controle. Essas informações serviram para determinar a chamada “análise ajustada para características sociodemográficas, de saúde e de estilo de vida”.
No entanto, o tempo desde a remissão da ansiedade foi positivamente relacionado ao LTL. Além disso, os índices de gravidade de ansiedade foram associados ao LTL em toda a amostra.
A conclusão dos especialistas holandeses é que os pacientes com atual transtorno de ansiedade apresentaram menor comprimento dos telômeros, o que sugere um processo de envelhecimento celular acelerado, que em parte pode ser reversível após a remissão do quadro clínico.