A importância da empatia dos médicos
Estudos mostram que a simpatia e a relação mais próxima com o paciente são fundamentais para tratar doenças graves
Uma equipe da Universidade de Rochester (EUA) realizou investigação sobre um assunto complexo na área da saúde: a empatia dos médicos. Muitas vezes sobrecarregados ou desgastados, eles acabam por dar pouca atenção a um fator fundamental para a principal razão da profissão, que é cuidar e tentar salvar o paciente.
O objetivo do trabalho, publicado na revista Health Expectations, foi catalogar palavras e atitudes de oncologistas com seus pacientes através de gravações de áudio, de forma a desenvolver um meio para ensinar a compaixão. A empatia, mais do que palavras agradáveis, gera uma medicina mais humana, que escuta e assiste. Se a notícia (como a da existência de um tumor) é sempre difícil de ser passada, ao menos ela pode ser amenizada com simpatia e delicadeza.
Diagnósticos ruins não se anunciam por telefone ou de maneira informal, o que ajuda a evitar falhas na comunicação. Isso, por si só, não garante uma relação empática. O médico, muitas vezes, é traído por sua linguagem corporal: silêncios, olhares e aparência de preocupação ou tristeza são uma forma subjetiva de comunicação.
O profissional que passa mais tempo no computador, por exemplo, para completar o registro da consulta, acaba por preocupar o paciente. A dureza de alguns médicos, que se recusam a dar espaço para a emoção, cria barreiras.
Conforme reportagem do jornal francês Le Figaro, estudos recentes também confirmam que a simpatia dos especialistas auxilia no aumento da sobrevida dos pacientes com câncer de pulmão metastático. O trabalho acompanhou pessoas logo após o diagnóstico confirmar o tumor. Aqueles que foram acompanhados por uma equipe de cuidados paliativos teve mais qualidade de vida, eram menos deprimidos e sobreviveram, em média, três meses a mais do que os pacientes sem acompanhamento paliativo.