Tecnologia e Inovação | 8 de outubro de 2026

Série Arena Inovação: Onde a inovação trava no hospital e por que medir o resultado desde o início é vital

Em entrevista ao Portal Setor Saúde, Marco Torelly, painelista da Arena Inovação & Conexões, aprofunda as ideias e os ensinamentos do painel.
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Marco Torelly é o segundo entrevistado da série especial do Setor Saúde com os destaques da Arena Inovação & Conexões da Health Meeting Brasil / SINDIHOSPA 2026. Cofundador da AGENDA EXECUTIVA EM SAÚDE, que hoje conduz, e da SHS HEALTH TECH, ele integra a lista Forbes Under 30 Brasil 2025. A Health Meeting 2026 foi realizada nos dias 22, 23 e 24 de setembro, no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre. No segundo dia da Arena, dedicado ao tema “Empreendedorismo na Construção do Futuro da Saúde”, Marco participou do painel “Da Ideia ao Impacto: histórias reais de inovação e empreendedorismo em saúde”. Dividiu a mesa com Ferdinando Fernandes, da PROMED, e Guilherme Ghira, da XEEFT, com mediação de Diego Cardonha, da MOBILE BRAIN.


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Negócio que sai num café

Marco lembrou que, em saúde, quase todo negócio começa numa conversa olho no olho. “O diretor de um hospital raramente responde mensagem fria, e com razão”, diz. É aí que entra a feira. “Na Health Meeting, em três dias, quem empreende cruza no corredor com gestor hospitalar, operadora, fornecedor e investidor, e uma conversa que levaria meses para acontecer sai num café.”


ARENA INOVAÇÃO HEALTH MEETING

Marco dividiu a mesa com Ferdinando Fernandes, da PROMED, e Guilherme Ghira, da XEEFT, com mediação de Marcelo Barbosa, da START HEALTH INNOVATION.


Para o Sul, segundo ele, esse encontro pesa muito, porque aproxima hospitais com décadas de história de quem está construindo solução agora. A Arena, com curadoria do UNI4LIFE e do SEBRAE RS, ainda dá palco para quem empreende contar o que viveu, com os erros junto.

Onde o empreendedorismo em saúde trava

Questionado sobre a etapa mais difícil entre a ideia e o impacto, Marco não hesita. “É a etapa que vem depois do piloto. Vi muito projeto bom parar ali”, afirma.

O roteiro, ele conta, costuma se repetir. O piloto funciona e a equipe do hospital gosta, mas o projeto não vira contrato. Ou ninguém traduziu o resultado em dinheiro, ou a implantação pedia um tempo que a equipe não tinha. “Hospital compra quando enxerga o resultado no caixa e quando a solução cabe numa rotina que já está no limite.”


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No segundo dia da Arena, dedicado ao tema “Empreendedorismo na Construção do Futuro da Saúde”, Marco participou do painel “Da Ideia ao Impacto: histórias reais de inovação e empreendedorismo em saúde”.


Daí vem o conselho para quem empreende: medir o ganho em reais desde o primeiro dia e descobrir cedo quem assina o orçamento, que, segundo ele, quase nunca é quem pediu o piloto. A implantação também precisa ser desenhada junto com quem vai usar a solução no dia a dia.

A dificuldade de transformar o piloto em contrato é conhecida de Aline Jansen, head de Inovação da Health Meeting, que comanda a Arena. “Já mentorei mais de 180 startups e vejo isso acontecer bastante. O pulo do gato é demonstrar o retorno sobre o investimento. As startups precisam pensar cada vez mais em como calcular, demonstrar e entregar esse retorno, que é, afinal de contas, o que o tomador de decisão quer saber”, afirma.

Compras conjuntas para hospitais independentes

Marco cofundou a SHS HEALTH TECH para ajudar hospitais independentes e filantrópicos a comprar melhor. Essas instituições compram sozinhas, com pouco volume e pouca referência de preço. Acabam pagando mais caro pelo mesmo item que um grande grupo compra por menos.

A empresa juntou análise do histórico de compras, comparação de preços entre instituições e negociação conjunta com fornecedores. A economia aparecia principalmente em materiais e medicamentos. Vinha da compra em volume com outros hospitais e da revisão da padronização dos insumos com a equipe assistencial, quando era possível trocar um item caro por um equivalente aprovado por ela.


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Marco integra a lista Forbes Under 30 Brasil 2025 e conduz atualmente a Agenda Executiva em Saúde.


“A SHS era remunerada sobre a economia que o hospital tinha de fato, o que deixava todo mundo do mesmo lado da mesa”, explica. Até dezembro de 2024, quando Marco deixou a operação, o modelo chegou a mais de 50 hospitais, de acordo com ele. “Os números de cada um são deles, por isso não cito nomes.”

Gestor aprende com gestor

“A Agenda, que cofundei e hoje conduzo, existe para que gestor aprenda com gestor”, resume Marco. Em 17 edições, quem sobe ao palco é, na maior parte, quem está tocando hospital e mostra o que deu certo e o que não deu. “Muita liderança hospitalar ainda se forma na prática, no susto, e a Agenda encurta esse caminho.”

A ligação com a inovação, segundo ele, nasce desse formato. O gestor adota uma tecnologia quando vê um colega com a mesma realidade usando e tendo resultado, e no palco da Agenda isso aparece de perto. Neste ano, a 17ª edição aconteceu dentro da própria Health Meeting, em parceria com o SINDIHOSPA e a UNICRED PORTO ALEGRE.

A receita que se perde até a conta

“O problema mais urgente do hospital hoje é financeiro”, afirma Marco. Depois de anos olhando o custo do hospital, na compra, hoje ele olha a receita. O que vê é parte do cuidado entregue se perdendo no caminho até a conta. Pode ser um item que ficou de fora, uma regra de contrato que ninguém conferiu a tempo ou uma glosa (recusa total ou parcial de pagamento pela operadora) que dava para evitar.

“A inovação que vai fazer diferença nos próximos anos é a que devolve esse dinheiro ao hospital, e é nisso que estou focado agora.

A Arena Inovação & Conexões

Espaço da feira dedicado à inovação, a Arena é comandada por Aline Jansen, head de Inovação da Health Meeting. A iniciativa tem como parceiros o SEBRAE RS e a UNICRED PORTO ALEGRE, que participa por meio do UNI4LIFE, hub de inovação da cooperativa. Durante os três dias do evento, reuniu especialistas, empreendedores, investidores, lideranças e profissionais da saúde.

Além do dia dedicado ao empreendedorismo, a programação tratou de “IA na Saúde e o Cuidado Humanizado” em 22 de setembro e de “A Era da Longevidade abrindo Novos Mercados” em 24. Os painéis dividiram o palco com a Batalha de Startups: foram rodadas de pitches ao longo do evento, com a final na manhã de 24 de setembro e a premiação no encerramento. A programação completa para quem tem interesse em saber os temas discutidos e os palestrantes que participaram está no site da Health Meeting .

 HEALTH MEETING BRASIL/SINDIHOSPA 2026

A Health Meeting Brasil 2026 foi realizada nos dias 22, 23 e 24 de setembro, no Centro de Eventos FIERGS, em Porto Alegre. O evento é uma realização da HEALTH MEETING BRASIL FEIRAS E CONGRESSOS, em parceria com o SINDIHOSPA. Patrocínio: UNICRED PORTO ALEGRE, UNIMED PORTO ALEGRE e Medlive. Apoio: SEBRAE RS. Media partners: BAND RS, Setor Saúde e Brasil Inovador. A próxima edição da Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA acontecerá nos dias 28, 29 e 30 de setembro de 2027, também na FIERGS.


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 Leia também a primeira matéria da série, com Eugenio Zimmer Neves, CEO e fundador da PHARMDATA: Série Arena Inovação: PHARMDATA usa IA para estruturar a informação sobre medicamentos

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