HOSPITAL MOINHOS DE VENTO adota sistema VOLT para fibrilação atrial
A instituição afirma estar entre as primeiras da América Latina a utilizar o sistema VOLT de ablação por campo pulsado (PFA, na sigla em inglês).
O HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, de Porto Alegre, realizou na segunda-feira (28) os três primeiros procedimentos com o Sistema VOLT de ablação por campo pulsado (PFA, na sigla em inglês), tecnologia voltada ao tratamento da fibrilação atrial. Segundo o hospital, os pacientes se recuperam bem.
A instituição afirma estar entre as primeiras da América Latina a utilizar o sistema e atribui à tecnologia procedimentos mais seguros, mais rápidos e com menos complicações. A incorporação é apresentada pelo hospital dentro da programação do Mês do Coração, que combina prevenção, diagnóstico e acesso a novas alternativas de tratamento.
A ablação por campo pulsado, como modalidade, não é inédita no país. O primeiro sistema de PFA foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2024, e um registro multicêntrico publicado em 2026 nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia documentou 394 procedimentos iniciais em 60 centros brasileiros. A novidade no MOINHOS é a plataforma VOLT.
Fibrilação atrial e risco de AVC
A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca mais comum no mundo. De acordo com o hospital, atinge cerca de 1% da população brasileira, aproximadamente 2 milhões de pessoas, número que deve crescer nas próximas décadas com o envelhecimento da população. A condição também está associada a complicações graves: quem tem fibrilação atrial corre risco até cinco vezes maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
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A arritmia pode causar palpitações, falta de ar, cansaço, tontura e dor no peito. Quando medicamentos e outras estratégias não controlam o quadro, a ablação cardíaca, procedimento minimamente invasivo, pode ser alternativa para corrigir o ritmo anormal.
Prevenção começa antes do tratamento
Para a chefe do Serviço de Cardiologia do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, Dra. Carisi Polanczyk, o cuidado com o coração deve começar muito antes da necessidade de tratamento. “Quando falamos em longevidade, não estamos falando apenas em viver mais anos. O mais importante é viver mais, mas também melhor: com saúde, autonomia e qualidade de vida. E cuidar do coração tem um papel fundamental nesse processo”, afirma.
Segundo a médica, reconhecer e acompanhar os fatores de risco é um dos primeiros passos. “Pressão alta, colesterol elevado e alterações da glicose muitas vezes não apresentam nenhum sintoma. Por isso, avaliações periódicas são fundamentais. Ao mesmo tempo, podemos cuidar da saúde cardiovascular por meio das escolhas do dia a dia”, diz.
Atividade física, alimentação com produtos naturais e pouco industrializados, não fumar, dormir bem e cuidar da saúde emocional e das relações sociais fazem parte dessa estratégia. “Não existe fórmula mágica para a longevidade. O que importa é a soma de bons hábitos mantidos ao longo do tempo. Cuidar do coração é investir na qualidade de vida dos anos que estão por vir”, acrescenta Carisi.
Como funciona a ablação por campo pulsado
A ablação por campo pulsado aplica pulsos elétricos direcionados a regiões específicas do coração, atingindo as células responsáveis pelo ritmo anormal e reduzindo o risco de danos aos tecidos vizinhos.
Para o coordenador da Eletrofisiologia do HOSPITAL MOINHOS DE VENTO, Leandro Zimerman, a chegada da tecnologia representa uma evolução importante no tratamento da fibrilação atrial. “A ablação por campo pulsado nos permite atuar de forma bastante direcionada sobre o tecido responsável pela arritmia. A energia é aplicada por meio de pulsos elétricos, com menor impacto sobre estruturas vizinhas, o que amplia as possibilidades de um tratamento preciso e adaptado às características de cada paciente”, explica.
O Sistema VOLT reúne diferentes etapas do procedimento em um único cateter, apoiando o diagnóstico da arritmia, o mapeamento cardíaco e a própria ablação. A tecnologia é integrada ao sistema de mapeamento tridimensional ENSITE X, que ajuda o especialista a visualizar e identificar as áreas do coração que precisam de tratamento. A plataforma pode ser usada tanto com sedação consciente quanto sob anestesia geral.
“Um dos diferenciais dessa plataforma é integrar diferentes etapas do procedimento e oferecer informações que auxiliam a tomada de decisão durante a intervenção. Na eletrofisiologia, essa possibilidade de individualizar a estratégia é especialmente relevante, porque tanto a arritmia quanto a anatomia cardíaca variam de um paciente para outro”, acrescenta Zimerman.
Estudo internacional e registro na Anvisa
A aprovação internacional do Sistema VOLT foi baseada no estudo VOLT-AF IDE, conduzido em 40 centros nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá e na Austrália. Segundo o fabricante, os resultados demonstraram segurança e eficácia consistentes em pacientes com fibrilação atrial paroxística, em que os episódios surgem e desaparecem espontaneamente, e persistente, em que duram mais de sete dias.
TACTIFLEX DUO
O hospital também se apresenta como um dos pioneiros no país no uso do TACTIFLEX DUO, cateter que permite alternar, no mesmo procedimento, entre duas modalidades de energia: campo pulsado e radiofrequência. Na prática, dá ao médico mais flexibilidade para adaptar a estratégia às necessidades clínicas e à anatomia de cada paciente.
“A chegada de novas tecnologias não substitui a avaliação individual de cada caso, mas amplia o arsenal terapêutico à disposição do especialista. Isso nos permite buscar a estratégia mais adequada para cada paciente, especialmente diante de uma condição tão frequente como a fibrilação atrial”, conclui Zimerman.
Os dispositivos VOLT e TACTIFLEX DUO têm registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).