Uso de antibióticos em animais preocupa FDA
Prática tem gerado efeitos colaterais em humanos, doenças são mais resistentes a bactérias
O uso de antibióticos na pecuária é uma questão sensível tanto para o bem-estar dos animais quanto para a formação das super bactérias resistentes aos medicamentos. O aumento na quantidade de antibióticos para esse fim gera preocupação no órgão regulador norte-americano, FDA, que alerta para o combate à essa prática que gera consequência aos humanos.
Reduzir os animais a uma fonte de renda, tendo que administrar poderosos antibióticos para curar doenças e, muitas vezes, até para evitar que adoeçam, pode levar à propagação de doenças que se voltam contra a humanidade.
A FDA emitiu alerta, no início do corrente mês de outubro, sobre esse abuso. As maiores empresas de criação dos EUA administram antibióticos em animais todos os dias com a alimentação, mesmo na ausência de doença. Doses que, de acordo com especialistas, favorecem o crescimento de superbactérias resistentes.
De acordo com especialistas, o uso excessivo de antibióticos nas fazendas e na medicina está colocando em risco a vida humana e elevando drasticamente o custo da saúde pública. Reflexo disso é a crise do sistema sanitário, em que apenas as infecções hospitalares causadas por bactérias resistentes a antibióticos custam US$ 20 bilhões por ano.
Assim, algumas infecções antes controladas, podem voltar a ameaçar os humanos por causa do comportamento irresponsável. Entre elas estão:
Tuberculose: Geralmente se cura em até 6 meses, com tratamento adequado a base de antibióticos potentes. No entanto, as bactérias estão se mostrando cada vez mais resistentes aos tratamentos convencionais, de modo que em países da África, hospitais são obrigados a mandar pacientes com tuberculose para suas casas, por não conseguirem tratá-los com os medicamentos que antes eram eficazes.
Gonorreia: Doença sexualmente transmissível que durante séculos tem sido um tabu. É considerada facilmente tratável e, certamente, não uma ameaça, uma vez que é curada com penicilina. Atualmente, as bactérias que causam a doença desenvolveram níveis de resistência tão altas que existe, no momento, apenas um medicamento (ceftriaxona) para combatê-las.
Klebsiella: Bactéria comum, embora pouco conhecida do público leigo. Pode causar meningite, diarreia, pneumonia e infecções do trato urinário. Já foi incluída em um grupo de bactérias conhecido como Eskape, devido à capacidade de evitar os efeitos dos antibióticos utilizados.
Febre Tifóide: A vacinação contra a febre tifóide gerou a ideia de que a doença havia sido erradicada. Na realidade, atinge 21,5 milhões de pessoas a cada ano no mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. A febre tifóide é causada pela bactéria Salmonella typhi, cada vez mais resistentes aos antibióticos.
Sífilis e difteria: Sífilis atualmente é tratada com uma única injeção de penicilina, mas a resistência a este antibiótico já se deu em outras doenças. A difteria, acompanhada de febre e calafrios, é difusa especialmente nos países em desenvolvimento e o risco de contágio está sempre presente, assim como o de surgimento da resistência das bactérias aos antibióticos.