Estatísticas e Análises | 18 de fevereiro de 2016

Tratamento se mostra promissor para degeneração macular, uma doença ocular grave

Estudo indica que estatinas poderiam controlar formas precoces de degeneração macular relacionada a idade ( DMRI)
Tratamento se mostra promissor para degeneração macular, uma doença ocular grave

A publicação dos resultados obtidos por uma equipe de investigadores dos EUA e da Grécia, indicou um novo caminho do tratamento de degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma doença que surge com o envelhecimento.

Ao tomar uma alta dose de uma droga que reduz a produção de colesterol (atorvastatina, uma estatina usada para baixar os níveis de colesterol no sangue, que também estabiliza a placa ateromatosa evitando AVCs), os pesquisadores conseguiram controlar a doença.

A DMRI acomete a área central da retina, comprometendo a visão. É considerada uma das principais causas de cegueira em pessoas com mais de 50 anos de idade. O diagnóstico acontece por meio do reconhecimento de alguns depósitos chamados de drusas, causados por deficiência no metabolismo da retina. As drusas são visualizadas a partir de exames de mapeamento de retina e podem indicar o início da doença, o que não significa que irá evoluir para sintomas visuais.

Em 2015, a França aprovou o uso de Avastin para o tratamento de DMRI.

A ideia do estudo surgiu depois de pesquisadores norte-americanos observarem uma melhoria dramática na visão de um paciente sofrendo de DMRI em quem a doença progrediu inexoravelmente. Durante o tratamento com estatinas em doses elevadas, o paciente apresentou uma melhora de 40% no seu quadro clínico. Paul Bishop, co-diretor do Centro de Descobertas Avançadas de Terapias Experimentais, na Universidade de Manchester, comentou ao jornal Le Figaro que o estudo é muito interessante e sugere que “o tratamento com doses elevadas de estatinas devem permitir uma regressão de drusas”, projetou.

“Se esses resultados forem confirmados durante os próximos estudos, em um número maior de pacientes, isso poderia mudar completamente o tratamento de pacientes com DMRI em estágio inicial. Este tratamento preventivo poderia realmente parar a doença numa fase anterior ao paciente apresentar qualquer alteração da sua função visual”, analisou o Dr. Jean-Pierre Hubschman, professor de oftalmologia do Stein Eye Institute da Universidade da Califórnia.

Existem dois tipos de DMRI: o tipo “seco” (atrófico, que corresponde a 85% dos casos) e o tipo “úmido” (cistóide, 15%). Ambos podem levar à perda de visão, mas o mais agressivo é o úmido, que apresenta problemas em poucos meses ou semanas – sob a forma úmida, enquanto que a forma seca demora vários anos. Desde 2000, têm surgido bons tratamentos para a forma úmida, mais especificamente dirigidas à proliferação excessiva de novos vasos sanguíneos na retina. Atualmente é possível, graças a drogas anti-angiogênicas, bloquear a proliferação e interromper a perda progressiva de visão em 90% dos pacientes. Para DMRI seco, no entanto, o problema de saúde pública é uma preocupação particular, uma vez que faltam tratamentos eficazes, e o envelhecimento da população inevitavelmente conduz a um aumento no número desses pacientes.

No estudo realizado sob a supervisão dos professores Demetrios Vavvas e Joan Miller, dez pacientes na Europa e treze nos EUA receberam uma dose diária de 80 mg de atorvastatina. Dez pacientes responderam bem ao tratamento, sendo observada uma redução significativa no volume de drusas após um tempo de tratamento de três a 22 meses. Dado que estes eram pacientes com quantidades consistentes de drusas, os investigadores esperavam que a doença não progredisse em, pelo menos, três ou quatro pacientes ao longo do estudo, mas isso acabou acontecendo com os 23 pacientes acompanhados. Dois deles tiveram reações adversas (dor muscular e cãibras).

“Um tratamento que regride drusas é suscetível de proteger contra a perda de visão relacionada à DMRI. No entanto, existe um pequeno estudo que agora precisa ser replicado em uma população maior”, declarou o Dr. Bishop.

A idade é o principal fator de risco para DMRI. Quanto mais velha a pessoa, mais provável de desenvolvê-la. Na sua forma mais avançada, a doença provoca uma perda de autonomia visual e, finalmente, para a autonomia geral, o que pode ocorrer por volta dos 60 anos. Além do fator contra o qual não há o que fazer (avanço da idade), epidemiologistas há muito tempo observam que fatores de risco cardiovascular, incluindo o tabagismo, foram associados a uma maior prevalência de DMRI.

Portanto, tratamentos preventivos para a forma seca de DMRI têm base no estilo de vida: não fumar, uma alimentação que privilegie vegetais e frutas (ingestão de antioxidantes), carne branca (com pouco ácido graxo), peixes (ricos em ômega 3) e prática de atividade física regularmente.

VEJA TAMBÉM

Atazanavir, Sofosbuvir e Daclatasvir

Tacchini participa de pesquisa com antivirais para combater a Covid-19

O Instituto Tacchini de Pesquisa em Saúde (ITPS) está participando de mais um braço de estudos do Coalizão Covid Brasil. Conduzido pelos hospitais que integram o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do SUS (PROADI-SUS), o Coalizão IX, batizado de Revolution, tem como objetivo estudar a eficácia e segurança de antivirais já utilizados no combate a outras doenças,

Ferramenta que analisa exames de imagens irá ampliar a participação de pacientes da Santa Casa em pesquisas clínicas  

Para ampliar a elegibilidade e a participação dos seus pacientes em pesquisas clínicas, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre incorporou a ferramenta Medexprim, líder europeu especializado na extração de conjuntos de dados complexos. Agora, qualquer paciente que realizar seus exames de imagem na instituição (como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, entre outros) poderá
pesquisa

Pesquisa sobre controle de pressão arterial recruta pacientes com AVC isquêmico

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), em parceria com o Hospital Albert Einstein (SP), realiza estudo sobre o controle de pressão arterial em pacientes que tiveram Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Podem participar pessoas com 18 anos ou mais, com pressão alta e diagnóstico de AVC Isquêmico. Interessados podem entrar em contato pelo telefone: (51)