Terapia alvo molecular permite tratamento mais eficaz contra o câncer
Pesquisa no hospital São Lucas da PUC-RS mostra resultados animadores
A inovadora terapia alvo molecular, disponível no Centro de Pesquisa Clínica (CPC) do Hospital São Lucas da PUCRS (HSL), está sendo empregada em pesquisas nas áreas dos cânceres de mama, gastrointestinais, melanomas, linfomas, pulmão, geniturinário, dentre outros. Os medicamentos utilizados atacam cada mutação de maneira quase exclusiva, levando em conta características genéticas de cada uma delas. Os resultados ainda não são definitivos, mas já apresentam números animadores. Em câncer de mama, 20% a mais de pacientes estariam potencialmente curadas.
Na terapia alvo, a meta é desenvolver um remédio capaz de atingir, de maneira precisa, cada célula tumoral. A droga trabalha nas cadeias das moléculas responsáveis pelo desenvolvimento tumoral, diferente das quimioterapias tradicionais, que impedem a divisão celular e causam danos em estruturas genéticas de forma inespecífica.
Assim, o tratamento torna-se mais eficaz com menores efeitos indesejáveis. Essa tecnologia permite ainda o tratamento de diferentes tumores com drogas iguais ou semelhantes. Basta que apresentem mutações celulares com as mesmas características biológicas para serem atingidas. O tratamento passa a ser em células doentes e não mais em órgãos.
Portadores de câncer apresentam crescimento desordenado de células que acabam gerando tumores (neoplasias malignas). Até então, os tratamentos com quimioterápicos era a forma de combater a doença. Tais medicamentos, por vezes muito tóxicos (atingem todas as células, incluindo as sadias), ainda são indispensáveis, mas, gradualmente, tendem a ser substituídos. Queda de cabelo, depressão hematológica e náuseas são alguns exemplos dos problemas causados.
Os participantes (voluntários) dos ensaios clínicos têm acesso ao que existe de mais moderno na farmacologia mundial gratuitamente, são acompanhados com maior frequência, tendo a saúde monitorada com precisão durante todo o processo. As consultas e exames ocorrem de acordo com protocolos rígidos preestabelecidos, oferecendo a maior segurança possível.
“Os pacientes recebem o melhor tratamento existente até o momento (grupo controle) ou o melhor tratamento mais a droga em estudo (grupo experimental), que se acredita ser ainda melhor. Além da possibilidade de receberem um tratamento superior, contribuem para o desenvolvimento da terapêutica oncológica, que beneficiará outros pacientes em todo o mundo”, explica o chefe do Serviço de Oncologia do HSL, Sérgio Lago.