Mundo, Tecnologia e Inovação | 8 de novembro de 2021

Tecnologia que age como um sistema de GPS é utilizada para detectar câncer em estágio inicial

Broncoscópio robótico localizou com precisão e realizou a biópsia de 271 nódulos pulmonares
Tecnologia do tipo GPS é utilizada para detectar câncer em estágio inicial

Uma pesquisa colaborativa da Mayo Clinic, realizada em parceria com diferente hospitais e centros de saúde do EUA, foi publicada no Annals of Thoracic Surgery, estabelecendo uma base para melhorar a precisão do diagnóstico do câncer em estágio inicial, possibilitando tratá-lo com bioterapias regenerativas que estimulam a cura. O estudo utilizou um broncoscópio controlado remotamente (chamado Ion Endoluminal System) que age como um sistema de GPS à procura de massas pulmonares difíceis de encontrar e realiza a biópsia com precisão.

A inteligência artificial obtida de tomografias computadorizadas direciona o cabo de fibra óptica do dispositivo robótico, indicando um trajeto, como o de um GPS, até os pequenos nódulos ou massas que os broncoscópios manuais podem não detectar. Uma biópsia é realizada pelas vias aéreas, e não pela pele, o que pode ajudar os pacientes a ter uma maior tolerância. O cirurgião conduz o broncoscópio com um controle remoto, rastreando o seu trajeto pelos pulmões em tempo real através de uma tela.

“Antigamente, não tínhamos uma forma confiável de alcançar estes nódulos nos pulmões pelas vias aéreas. Já este cateter é muito pequeno, alcança quase tudo e é capaz de acessar os nódulos pulmonares e realizar a biópsia neles”, diz Janani Reisenauer, M.D., primeira autora do estudo e cirurgiã torácica da Mayo Clinic. “É muito semelhante a conduzir um carro, tendo uma visão normal da rua, com a ajuda do GPS dizendo-lhe em tempo real onde virar à direita e à esquerda para chegar ao seu destino”.

Bioterapias

O Centro de Medicina Regenerativa da Mayo Clinic está trabalhando com o Departamento de Cirurgia Torácica para desenvolver bioterapias que, um dia, poderão ser realizadas por meio desses broncoscópios robóticos. A nova tecnologia traz esperança àqueles que precisam do tratamento com terapias restaurativas para combater células cancerígenas, enquanto ainda preserva o tecido saudável circundante.

Precisão e risco muito baixo de colapso ou hemorragia

Pesquisadores da Mayo Clinic e de outros cinco centros médicos acadêmicos testaram esta tecnologia por controle remoto em 241 pacientes. No estudo mais abrangente feito até então sobre essa tecnologia em específico, o broncoscópio robótico localizou com precisão e realizou a biópsia de 271 nódulos pulmonares. O estudo revelou um risco muito baixo de colapso ou hemorragia pulmonar.

“Isso prova que podemos chegar aos nódulos e realizar a biópsia com uma consistência confiável. Agora, as peças estão se encaixando para começar a próxima fase”, diz a Dra. Reisenauer. “Isso pode significar a administração de quimioterapia, imunoterapia ou algum tipo de vetor viral que pode ser implementado e liberado na sequência para reduzir a carga da doença ou, potencialmente, curá-la. Isto pode transformar totalmente o tratamento do câncer de pulmão em estágio inicial”.

Aprimorando a biomanufatura na Mayo Clinic

O objetivo da Mayo Clinic é fornecer as primeiras bioterapias do mundo, proporcionando novas curas, com tratamentos que podem ser realizados por broncoscópios em áreas complexas nos pulmões e em outras partes do corpo. A Mayo investiu de forma significativa em suas unidades no Arizona, na Flórida e em Rochester, as quais cumprem com as Good Manufacturing Practices (Boas Práticas de Fabricação). Estas unidades são necessárias para cumprir os rigorosos padrões regulatórios e de controle de qualidade para a produção de novas terapias clínicas.

O Centro de medicina regenerativa conduzirá o trabalho de biomanufatura em estreita colaboração com os líderes de pesquisa, prática e educação da Mayo Clinic, juntamente com as principais partes interessadas, incluindo o Departamento de Medicina Laboratorial e Patologia, o Centro de Combate ao Câncer, o Centro de Medicina Individualizada, os empreendimentos da Mayo Clinic (Department of Business Development), a plataforma Mayo Clinic, o Centro de Saúde Digital e a Mayo Clinic International.

“A Mayo Clinic está em uma posição única para transformar descobertas inovadoras em bioterapias clínicas e, dessa forma, satisfazer as necessidades não atendidas dos pacientes”, diz Julie Allickson, Ph.D., Diretora do Michael S. & Mary Sue Shannon, do Centro de Medicina Regenerativa da Mayo Clinic, e diretora da Otto Bremer Trust, Biomanufatura e desenvolvimento de produtos, Centro de medicina regenerativa. “A Mayo Clinic está preparada para unir sua pesquisa de alto nível cientificamente aprovada com suas respectivas instalações de biomanufatura, de modo a criar um condutor de tecnologias regenerativas, incluindo novas terapias celulares, genéticas e terapias celulares por genes modificados, produtos acelulares e plataformas de engenharia de tecidos que não estão disponíveis em outros lugares do mundo”.

A Mayo Clinic focará especialmente na produção de sete tipos de bioterapias:

Terapias celulares em doenças não malignas, tais como células estaminais mesenquimais, matrizes e células dendríticas.


Terapias celulares em doenças malignas, como a terapia de células T com receptor de antígeno quimérico.


Terapia genética, incluindo engenharia genética e vírus reprojetados.


Vesículas extracelulares que transmitem mensagens de cura às células.


Engenharia de tecidos e biomateriais.


Biologia microbiana sintética, que reprojeta organismos para atender às necessidades médicas.


Fagoterapia, que envolve vírus especiais que atacam infecções bacterianas específicas.

Os próximos passos para o broncoscópio robótico

São necessárias mais pesquisas para compreender todo o potencial do broncoscópio robótico. Os pesquisadores terão como foco os estudos clínicos, que devem revelar se um cateter robótico pode proporcionar uma bioterapia segura, além de verificar quais terapias podem ser mantidas para favorecer a cura antes da cirurgia.

Dependendo do resultado dos ensaios clínicos, pode levar cinco anos para obter a aprovação regulatória para o uso de broncoscópios robóticos em tratamentos clínicos diários ao administrar bioterapias para combate ao câncer de pulmão em estágio inicial.

Centros de saúde que participaram do estudo com broncoscópios robóticos:

Mayo Clinic, em Rochester.


Henry Ford Hospital, em Detroit.


Pinehurst Medical Clinic, em Pinehurst, Carolina do Norte.


First Health Moore Regional Hospital, em Pinehurst, Carolina do Norte.


The University of Texas MD Anderson Cancer Center (Centro de combate ao câncer MD Anderson da Universidade do Texas), em Houston.


Beth Israel Deaconess Medical Center, na Escola de Medicina de Harvard, em Boston.


Massachusetts General Hospital, na Escola de Medicina de Harvard, em Boston.

 



VEJA TAMBÉM

Após aprovação pela FDA, healthtech brasileira mira fatia de mercado de US$ 1 bilhão

A brain4care, healthtech brasileira que desenvolveu o primeiro método totalmente não invasivo capaz de monitorar alterações de volume e pressão dentro do crânio, recebeu aprovação inédita do FDA (Food and Drug Administration) para comercializar sua solução completa no mercado dos Estados Unidos. O método já é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a aprovação,
cuidado integral

Atletas virtuais do bem: Dasa lança campanha gamificada no Novembro Azul

A gamificação vem se popularizando nas empresas. O setor de Recursos Humanos registrou, em 2020, a maior taxa de crescimento no mercado de gamificação, com aumento de 27,8% (Prescient & Strategic Intelligence, 2020). A Dasa vem utilizando essa estratégia para incentivar, de forma divertida e dinâmica, seus colaboradores quanto ao autocuidado e o cuidado com o próximo. Como parte do programa Dasa Cuida, o Desafio +30 foi lançado para conscientizar os colaboradores sobre a prevenção ao câncer de próstata. Na ação, que

Piloto da Stock Car utilizará tecnologia da MV para monitorar indicadores de saúde 

A MV, líder no desenvolvimento de softwares para a saúde na América Latina, firmou uma nova parceria. Trata-se do gaúcho Cesar Ramos, piloto da equipe Ipiranga Racing, da Stock Car Pro Series. Ramos utilizará o Personal Health, aplicativo gratuito de monitoramento de indicadores corporais, que também disponibiliza informações de consultas e exames para o usuário. O piloto terá o auxílio do aplicativo Personal Health nos