Estatísticas e Análises | 20 de setembro de 2018

Sepse: Brasil registra 670 mil casos por ano, sendo 50% fatais

Pesquisa revela que hospitais públicos registram mais do que o dobro de mortes pela doença em relação aos privados no Brasil
Sepsis

A sepse é um dos grandes desafios das  instituições de saúde, e o Brasil apresenta números expressivos. De acordo com um estudo feito pelo Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), a expectativa de ocorrência de sepse no Brasil é de 670 mil casos por ano, com 50% destes resultando em morte. No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 31 milhões de casos são diagnosticados por ano, sendo 6 milhões deles fatais. No dia 13 de setembro foi celebrado o dia de conscientização para a doença, considerado o Dia Mundial da Sepse.

Recente pesquisa do ILAS aponta que o número de mortes por sepse em hospitais públicos é mais que o dobro do que em hospitais privados. De acordo com a pesquisa, a sepse mata 42,2% dos pacientes de prontos-socorros em instituições públicas, contra 17,7% em instituições privadas. O levantamento foi feito em 74 instituições de todo o país, sendo 28 públicas e 46 privadas, envolvendo 350 pacientes.

Entretanto, a sepse não deve ser motivo de preocupação somente no ambiente hospitalar. Dados do ILAS indicam que somente 30 a 40% dos casos vêm do hospital. De 60 a 70% das pessoas com sepse desenvolveram a doença a partir de bactérias, vírus e fungos contraídos fora do ambiente hospitalar.

O desconhecimento pode ser um agravante para o número de casos da sepse no Brasil. Em pesquisa realizada em 2014 pelo Datafolha, encomendada pelo ILAS, apontou que 9 em cada 10 brasileiros desconheciam a doença.

A sepse

A sepse trata-se de uma inflamação generalizada do próprio organismo contra uma infecção que pode estar localizada em qualquer órgão. Essa inflamação pode levar a parada de funcionamento de um ou mais órgãos, com risco de morte quando não descoberta e tratada rapidamente. Por vezes, a infecção pode estar localizada em apenas um órgão, como o pulmão, por exemplo, mas provoca uma resposta com inflamação em todo o organismo.

É importante distinguir sepse e choque séptico, de acordo com o mais novo consenso internacional sobre o tema, desenvolvido pela Society of Critical Care Medicine e a European Society of Intensive Care Medicine. A sepse deve ser definida como uma disfunção de órgãos com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Para operacionalização clínica, disfunção orgânica pode ser representada por um aumento de 2 ou mais pontos na contagem de pontos do SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) relacionado à sepse. Esse parâmetro está associado com uma mortalidade hospitalar superior a 10%. Choque séptico é entendido como um subconjunto de casos de sepse onde particularmente há maior risco de mortalidade, o que está associado a profundas alterações circulatórias, celulares e metabólicas. Os pacientes com choque séptico podem ser clinicamente identificados pelo requisito de uso de vasopressores para manter uma pressão arterial média de 65 mmHg ou superior e um nível de lactato sérico superior a 2mmol/L (> 18 mg/dL) na ausência de hipovolemia. Esta combinação é associada com taxas de mortalidade hospitalares maiores do que 40%.

Destacam-se os seguintes sintomas da sepse, de acordo com o UK Sepsis Trust, do Reino Unido: fala arrastada, tremores extremos ou dores musculares, baixa produção de urina (ficar um dia sem urinar), falta de ar severa, pele manchada ou pálida. Em crianças, podem ocorrer: aparência manchada, azulada ou pálida, dificuldade de acordar, pele fria fora do normal, respiração muito rápida, erupção cutânea que não desaparece quando pressionada e convulsão.

Com informações do Instituto Latino Americano de Sepse e Portal R7. Edição do Setor Saúde.

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