Seis tendências que devem marcar o setor de saúde em 2026
Tecnologia, cuidado centrado no paciente e novas oportunidades para pequenos negócios estão no centro das transformações do setor.
O setor de saúde entra em 2026 atravessando um dos períodos mais intensos de transformação das últimas décadas. Avanços tecnológicos, novos modelos de atendimento e uma visão ampliada de cuidado estão redesenhando serviços, processos e oportunidades de negócio, especialmente para micro e pequenas empresas da área.
De acordo com Ana Paula Rezende, especialista em Estratégia e Competitividade do Sebrae RS, tendências observadas recentemente em grandes eventos internacionais do setor, como a MEDICA, realizada no ano passado na Alemanha, confirmam movimentos que já começam a impactar o mercado brasileiro.
“Mais do que inovação de ponta, estamos falando de soluções cada vez mais aplicáveis à rotina dos serviços de saúde, com foco em eficiência, integração e experiência do paciente”, afirma.
Confira seis tendências que devem ganhar ainda mais força em 2026:
1. Inteligência artificial integrada ao diagnóstico e à gestão clínica
A aplicação de inteligência artificial avança tanto no apoio ao diagnóstico quanto na organização da gestão clínica. Sistemas capazes de analisar grandes volumes de dados ajudam a aumentar a precisão, reduzir o tempo de resposta e apoiar a tomada de decisão dos profissionais de saúde.
Para pequenos negócios, o uso de IA também representa ganhos operacionais, como melhor gestão de agendas, prontuários e fluxos internos. “O ponto-chave é a qualidade e a segurança dos dados. Inovar passa, necessariamente, por processos bem estruturados e confiáveis”, destaca Ana Paula.
2. Automação e robótica acessíveis a diferentes escalas de serviço
Automação e robótica deixaram de ser exclusividade de grandes hospitais. Soluções compactas e modulares permitem que clínicas, laboratórios e serviços especializados automatizem etapas repetitivas, reduzindo erros e aumentando a produtividade. A recomendação é uma adoção gradual, começando por processos com maior retrabalho e impacto operacional.
3. Telemedicina e cuidado integrado como modelo permanente
A telemedicina se consolida como parte estrutural do atendimento em saúde, conectando profissionais, pacientes e dados em diferentes pontos da jornada. Modelos híbridos, com acompanhamento remoto, triagens digitais e integração entre equipes, ampliam o alcance dos serviços e criam novas possibilidades de relacionamento e recorrência.
“É uma oportunidade para repensar portfólio e formatos de atendimento, inclusive em nichos e regiões específicas”, avalia a especialista do Sebrae RS.
4. Diagnóstico descentralizado e atendimento mais próximo do paciente
Soluções de diagnóstico no ponto de cuidado (point-of-care) e serviços domiciliares ganham espaço, levando exames, coletas e análises para mais perto do paciente. Esse movimento combina conveniência, agilidade e novos modelos de serviço, como pacotes de acompanhamento e parcerias entre laboratórios, clínicas e profissionais de saúde.
5. Visão ampliada de saúde: mental, reabilitação, biomateriais e sustentabilidade
O conceito de saúde se expande para além do tratamento tradicional. Tecnologias voltadas à saúde mental, reabilitação assistida por robótica, uso de biomateriais para regeneração de tecidos e soluções para sustentabilidade hospitalar ganham relevância. Essas frentes abrem espaço para novos serviços, produtos especializados e modelos de negócio alinhados às demandas atuais da sociedade.
6. Diagnóstico veterinário de nova geração
Forte expansão das soluções voltadas ao diagnóstico veterinário, especialmente em análises clínicas e testes rápidos e a consolidação dos equipamentos point-of-care, que permitem a realização de exames diretamente na clínica ou em campo; a miniaturização de analisadores de bioquímica, hematologia e eletrólitos; e a popularização de PCR portátil e painéis moleculares compactos.
Os testes rápidos imunocromatográficos também avançam significativamente, agora frequentemente acompanhados de readers digitais que elevam a precisão dos resultados, com kits cada vez mais específicos para doenças infecciosas, parasitárias e zoonóticas. No conjunto, essas inovações apontam para um diagnóstico veterinário mais acessível, rápido e descentralizado, aproximando a prática das clínicas veterinárias das tendências já consolidadas na medicina humana.
Transformar tendências em estratégias práticas
Para o Sebrae RS, o principal desafio, e também a maior oportunidade, para MEIs, micro e pequenas empresas da saúde é transformar essas tendências em estratégias práticas.
“Observar o mercado, identificar onde a tecnologia gera mais valor, buscar parcerias e preparar equipes são passos fundamentais para competir em um setor que já está vivendo o futuro no presente”, conclui Ana Paula Rezende.