RIVIO cria conselho consultivo para gestão hospitalar com executivos de saúde e tecnologia
Dados da ANAHP sobre glosas e prazo de recebimento das operadoras sustentam a agenda de eficiência que a healthtech quer levar aos hospitais.
A RIVIO, healthtech que usa inteligência artificial no ciclo de receita hospitalar, anunciou em outubro a formação de um conselho consultivo com nove executivos de saúde e tecnologia. Segundo a empresa, o grupo vai acompanhar a estratégia da companhia e ampliar o debate sobre gestão hospitalar, com foco em investimentos, infraestrutura e tecnologia.
O ponto de partida, na visão da RIVIO, é um descompasso. Os hospitais incorporam novas tecnologias assistenciais o tempo todo, mas etapas da gestão ainda convivem com processos fragmentados, retrabalho e demora nas negociações com as operadoras de planos de saúde.
“Quando um hospital perde eficiência em faturamento, contratos, processos ou dados, o efeito não termina no financeiro. É recurso e capacidade de investimento que deixam de estar disponíveis para pessoas, equipamentos, leitos e tecnologia”, afirma Silvio Frison, cofundador e CEO da RIVIO, em comunicado da empresa.
A RIVIO fez um levantamento com informações públicas do LINKEDIN sobre 20 hospitais que classifica como os maiores do país. Nessas instituições, engenheiros de tecnologia são, em média, 4% do quadro. No varejo e nos bancos, segundo a companhia, a fatia passa de 30%.
Quem são os conselheiros da saúde
Henrique Neves é diretor-geral do EINSTEIN e vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP). Antes da saúde, fez carreira executiva em empresas como SHELL, BRASIL TELECOM e VARIG.
Paulo Chapchap, médico e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), passou quase duas décadas na direção do HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. Hoje é diretor médico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e preside o Conselho de Administração do INSTITUTO TODOS PELA SAÚDE.
José Marcelo de Oliveira dirige o HOSPITAL ALEMÃO OSWALDO CRUZ desde 2021 e preside o Conselho de Administração da Associação dos Hospitais Filantrópicos Privados (AHFIP). Comandou antes o A.C.CAMARGO CANCER CENTER e teve longa trajetória no GRUPO FLEURY.
Teresa Sacchetta, médica pela USP e PhD em Informática Médica, foi CIO do GRUPO FLEURY e passou por UNITEDHEALTH e HOSPITAL SÍRIO-LIBANÊS. É vice-presidente do CONSELHO SAÚDE DIGITAL BRASIL.
Luiz De Luca soma mais de 40 anos no setor, com passagens pela direção do HOSPITAL 9 DE JULHO, do HOSPITAL SAMARITANO e da AMÉRICAS SERVIÇOS MÉDICOS. Atua hoje como conselheiro e advisor em gestão, governança e investimentos.
Gustavo Meirelles, médico radiologista e pesquisador, é vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da AFYA e presidente do INSTITUTO AFYA.
Tecnologia e inteligência artificial
Mat Velloso é Chief Product Officer da DOCKER. Passou 15 anos na MICROSOFT e ocupou posições de liderança em produtos e inteligência artificial no GOOGLE DEEPMIND e na META.
River Mist, americano, cofundou a WEIGHTS, plataforma de IA generativa, e passou a integrar a equipe técnica da OPENAI após a aquisição da empresa, em 2026.
Governança e liderança
Fernando Carneiro, sócio sênior da VILA NOVA PARTNERS, tem mais de 25 anos em executive search, com seleção de CEOs, conselheiros e executivos C-level. Passou pela SPENCER STUART e foi diretor executivo da FEBRABAN.
Segundo Frison, a composição mistura perfis. Há quem já esteve à frente de instituições complexas, quem participa das principais discussões do setor e quem acompanha a formação de lideranças. Completam o grupo profissionais ligados às transformações trazidas pela inteligência artificial em escala global.
O que pesa na gestão hospitalar, segundo a ANAHP
Para dimensionar o problema, a RIVIO recorre ao Observatório ANAHP 2026, com ano-base 2025. Os dados se referem aos hospitais. A permanência média caiu para 3,8 dias, mantendo a queda observada desde 2022. A margem EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recuou de 11,7% para 11,1%.
A relação com as operadoras explica parte da pressão. A glosa inicial, indicador que mede a recusa de pagamento sobre contas já faturadas antes da negociação, chegou a 15,9% em 2025, ante 11,9% em 2023. O índice de recebimento caiu pelo segundo ano seguido: 91,3% em 2023, 88,6% em 2024 e 85,8% em 2025.
O prazo agrava o efeito no caixa. Em 2025, os hospitais levaram em média 77,4 dias para receber das operadoras, cerca de sete dias a mais que no ano anterior. Aos fornecedores, pagaram em 48,3 dias. São aproximadamente 29 dias que o próprio hospital financia.
A empresa por trás do conselho
Fundada em 2025 por Silvio Frison e Ricardo Sales, a RIVIO combina inteligência artificial e especialistas para dar previsibilidade aos recebimentos dos planos de saúde. Desde o fim de 2025, a empresa informa ter anunciado mais de US$ 21 milhões em investimentos. Foram US$ 20 milhões em dezembro, com VALOR CAPITAL GROUP, MONASHEES e ENDEAVOR CATALYST, e outro US$ 1 milhão da POSITIVE VENTURES.
Avaliada em mais de meio bilhão de reais, segundo a própria companhia, a RIVIO pretende avançar para outras frentes da operação hospitalar, como gestão de equipes, leitos e suprimentos.
“Quando a gestão é ineficiente, parte dos recursos do hospital fica presa em processos que poderiam funcionar melhor. É dinheiro que poderia voltar para a própria assistência”, diz Frison.