Gestão e Qualidade | 21 de maio de 2020

Ricardo Amorim e CEO´s dos principais sistemas de saúde do Brasil analisam a pandemia

Executivos do Sírio-Libanês, Albert Einstein, Rede D´or São Luiz e UnitedHealth participaram de webinar da J&J Medical Devices
Ricardo Amorim, Chapchap, Magalhães, Klajner, Tavares e lideranças da saúde apresentam suas visões sobre a pandemia

A J&J Medical Devices Brasil promoveu, na terça-feira (19), o Webinar J&J: Como o setor de saúde pode se preparar para os impactos econômicos pós-pandemia. O seminário da Johnson & Johnson Medical Devices e do hub de inovação Distrito reuniu os CEOs dos principais sistemas de saúde do Brasil. A webinar contou com a participação do presidente da J&J Medical Devices Brasil, Gustavo Galá; o economista Ricardo Amorim; o CEO da UnitedHealth Group Brasil, José Carlos Magalhães; o vice-presidente médico da Rede D’Or, Leandro Tavares; o CEO do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Chapchap; o CEO do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner; e o diretor-executivo da J&J Medical Devices, Alexandre Luque. Fabricio Campolina, Healthcare Transformation Officer da Johnson & Johnson, também participou da atividade online.

Confira o que foi dito pelos participantes:

Ricardo Amorim (economista)

O economista traçou perspectivas dos impactos econômicos que serão gerados pela pandemia da Covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus). Amorim apresentou dados dos Estados Unidos para avaliar perdas econômicas. “Em dois meses, os Estados Unidos foram da menor taxa de desemprego em sessenta anos, pois em fevereiro tinham a menor taxa de desemprego, e hoje estão com a maior taxa de desemprego em oitenta anos. Em dois meses, aproximadamente 25 milhões de americanos perderam os empregos”, afirmou.


Sobre o Brasil, a variação do dólar e as repercussões de uma nova onda de pandemia e/ou um agravamento da  instabilidade política, foram tratadas pelo economista. “Já tivemos dólar custando mais de 7 reais, nas vésperas da primeira eleição do Brasil. Se ajustarmos o dólar que custava 4,20 naquele momento para valores de hoje, estamos falando de algo próximo a 7 reais. Eu francamente vejo a possibilidade de o dólar, hoje próximo de 6 reais, se aproximar e até ultrapassar este nível de 7 reais”, disse Amorim.

Ele apontou dois gatilhos que podem impulsionar este cenário em relação ao dólar: um segundo surto de Covid-19 no Brasil e no Mundo; e o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. “Se evoluirmos para um cenário de impeachment ruidoso, parecido com o que aconteceu no processo de saída da Dilma Roussef, nada impede que o dólar possa ir aos 7 reais ou até acima. Mas mesmo sem estes fatores que comentei, o dólar deve continuar nestes patamares altos de hoje, se não subir um pouco mais. Diria que até subirá sem estes dois fatores. Mas se um dos dois acontecer, podemos ter uma alta ainda bastante significativa”, disse. Por outro lado, Amorim ressaltou que o dólar terá uma tendência, numa análise mais longa (próximos anos), após estas incertezas passarem, de começar a cair consideravelmente.


Sobre o setor saúde, Amorim ponderou que, enquanto muitos negócios precisaram parar suas atividades, a saúde passou a ter uma realidade ainda mais importante no momento da pandemia, mas que também passa por abalos econômicos.

Ricardo_Amorim_


“O setor da saúde vive uma realidade particular, porque mesmo não parando, alguns elos fundamentais do setor da saúde tem um impacto financeiro negativo muito significativo, particularmente os hospitais: ao mesmo tempo, temos um aumento brutal no custo de uma série de materiais que se tornaram fundamentais e escassos, seja porque houve um aumento grande de demanda por eles e uma queda ou ruptura das cadeias de produção; enquanto isso, a atividade que é, em geral, a mais lucrativa dos hospitais, que são as cirurgias, sofrendo redução significativa ou deixando de acontecer, o que traz um impacto negativo nos balanços dos hospitais, a ponto de termos situação, no Brasil e no mundo, de hospitais fechando, num momento em que a opinião pública aponta que a necessidade de hospitais é a maior que já tivemos”, disse.


Paulo Chapchap (Hospital Sírio-Libanês)

O CEO do Sírio-Libanês apontou que a pandemia traz desafios econômico, político e sanitário, simultaneamente. “Nossas lideranças precisam ir além neste momento. Existe aqui, neste painel, lideranças que assumiram responsabilidades em suas organizações que vão além da própria sustentabilidade”, disse.

“Acho que as nossas lideranças políticas talvez não tenham a consciência total do tamanho da crise que nos aflige, em todos os setores da economia”, afirmou. As ambiguidades naturais que existem entre economia e proteção sanitária estão postas, segundo Chapchap, mas precisam ser coordenadas pelas lideranças com coesão. “A ambiguidade está colocada. Mas ela não exige uma medida diferente de uns e de outros. As mesmas medidas tem que atender o terreno econômico e o sanitário. A crise econômica é dada pela própria pandemia. Ela não é criada pelo distanciamento físico. Ela é inerente à pandemia”, resumiu o CEO do Sírio-Libanês.


Chapchap disse que a crise traz uma oportunidade de as instituições mostrarem toda a sua potência. “Temos a responsabilidade de mostrar toda a nossa potência no meio interno de nossas corporações, e transcendendo, fazendo declarações públicas fortes, temos a responsabilidade de não silenciarmos a nós mesmos e nossas empresas. Então, se mostrar publicamente e assumir responsabilidade, com a contundência das nossas convicções. Nunca como antes, a responsabilidade corporativa adquiriu uma oportunidade tão grande para se mostrar na vida real. Mais do que uma declaração na parede, é hora da ação, é hora de mostrarmos que temos responsabilidade corporativa, que transcende as nossas próprias empresas, interesses e nosso tempo”, defendeu.


Paulo_Chapchap

José Carlos Magalhães (UnitedHealth Group Brasil)

O CEO da UnitedHealth Group Brasil apontou as oportunidades trazidas pela pandemia, como o crescimento da telemedicina e do home office. “Hoje, temos 6 mil colaboradores trabalhando de casa. Há dois meses, não tínhamos nenhum. Teremos que desenvolver um meio de desenvolver os dois mundos: o trabalho presencial com o trabalho remoto. Poderemos focar mais em produtividade do que em horas trabalhadas”, disse.

Magalhães também apontou que as relações entre operadoras de planos de saúde e hospitais devem convergir. De acordo com ele, é importante que novas formas de remuneração andem alinhadas, tendo como interesse comum cuidar da saúde das pessoas.

magalhaes

Leandro Tavares (Rede D’Or São Luiz)

O vice-presidente médico da Rede D’Or, perguntado sobre as mudanças que podem se tornar permanentes, disse que a necessidade de transformação foi identificada já em janeiro. De acordo com Tavares, processos precisaram ficar descentralizados, transferir colaboradores para trabalhar em casa, e com isso conectar todos os colaboradores com segurança. Está sendo imperativo um redesenho do processo de assistência dentro dos hospitais, para atender pacientes com a nova doença, altamente contagiosa, organizando os profissionais e gerenciando da melhor forma o uso de EPIs.

“Devemos manter tudo o que estamos fazendo atualmente. Creio que a única coisa que será desfeita é em relação a uma mudança do perfil dos pacientes, porque após a pandemia, novamente irá alterar o perfil dos pacientes atendidos”, analisou.

Tavares


De acordo com o vice-presidente, novas e relevantes discussões sobre o setor da saúde poderão ocorrer daqui pra frente. “Eu olho pra frente com a percepção de que as discussões sobre o setor da saúde no Brasil tomem uma perspectiva melhor. Durante um tempo, ficaram muito limitadas a uma conjuntura que se assemelha a conjuntura americana, e isso impediu o Brasil de fazer uma discussão ampla que ele tem que é de carga de doença. O principal desafio para o sistema de saúde brasileiro é que o brasileiro está envelhecendo doente, e a carga de doença no país vai levar a uma necessidade de consumo, utilização e frequências maiores”, enfatizou.


Sidney Klajner (Hospital Albert Einstein)

O CEO do Hospital Israelita Albert Einstein apontou que a pandemia revelou ineficiências tanto da assistência à saúde, mas principalmente da falta de abastecimento da indústria nacional, o que deixou o país extremamente dependente de insumos produzidos em outros países.


“Eu tenho visto que a pandemia está revelando uma necessidade urgente da gestão do setor da saúde do país, composto pelos setores privado e público, que têm uma oportunidade enorme de trabalharem em colaboração, para termos uma geração. Temos visto a interação do setor público e privado, não apenas na saúde, mas na indústria de equipamentos, logística, de alimentação. Está havendo, por causa da pandemia, uma interação necessária no passado”, disse.


klajner

Para Klajner, a pandemia está demonstrando a incapacidade de o Brasil gerenciar, de forma macro, uma situação como a pandemia. As dimensões geográficas, a disparidade sócio econômicas dentro de um mesmo estado, complicam ainda mais a situação. “Nós vemos populações que conseguiram achatar a curva e outras que estão com sérios riscos de não ter capacidade de atendimento à saúde. O aprendizado que fica será visto na pós-pandemia, mas fica claro a necessidade de uma melhor atenção primária e parcerias entre o público e o privado”. Klajner defendeu uma atenção maior às populações vulneráveis, pois estas estão sofrendo mais pela falta de atenção dos governos e sociedade. “Nos EUA, por exemplo, as populações afro descendentes são uma das que mais tiveram mortes… Agora, nós precisamos entender se isto se deve ao aumento de casos como obesidade e hipertensão, ou em função da falta acesso aos serviços de saúde, dada à situação sócio econômica deste grupo”, completou.

Alexandre Luque (J&J Medical Devices)

O diretor-executivo da J&J Medical Devices avaliou que a pandemia sobrecarrega dois aspectos fundamentais do sistema de saúde: o tratamento do doente crítico e expõe a questão de transmissibilidade da nova doença.


Luque apontou a necessidade de um planejamento de contingência para momentos de crise como o vivido atualmente. “Vejo com bons olhos a colaboração entre setores que está ocorrendo. Tivemos várias empresas e indústrias modificando sua natureza de produção, destinando parte de sua produção a outra necessidade. Nós mesmo, mudamos uma de nossas plantas em São José dos Campos, para a produção de álcool em gel. Mas fica a pergunta: como montamos um plano de contingência, no qual a nossa própria indústria pode se flexibilizar para produzir outras coisas em momentos de crise?”, indagou.


Luque

O diretor-executivo ainda ressaltou a necessidade de investimento em ciência e tecnologia, salientando que o país por um lado diminuiu investimentos essenciais na área, mas, por outro, registra um aumento de health techs essenciais na área de inovação. Luque também afirmou que a capacidade de produção industrial precisa ser repensada.

Fabricio Campolina (J&J)

Fabricio Campolina, Healthcare Transformation Officer da Johnson & Johnson, falou sobre o projeto da empresa com foco na saúde mental dos profissionais da saúde durante a pandemia de Covid-19. Para apoiar médicos, enfermeiros e profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao COVID-19, a Johnson & Johnson Medical Devices do Brasil, com o apoio da demais companhias da Johnson & Johnson, se uniu ao hub de inovação Distrito.

Campolina


A parceria resultou no programa Cuidando de Quem Cuida de Nós, cujo principal objetivo é oferecer suporte emocional e psicossocial, bem como disponibilizar um programa, limitado, de consulta de terapia online aos profissionais que estão no combate ao COVID-19. “Disponibilizamos 7,6 mil consultas psicológicas gratuitas para quem está na linha de frente do enfrentamento do Covid-19. Este é programa que nós temos bastante orgulha e demonstra o poder da colaboração. Em três semanas conseguimos criar esta iniciativa em parceria com as healthtechs Moodar e Vitalk junto ao Distrito”, disse Campolina.

Todas as informações do programa e seus benefícios estão disponíveis no site www.cuidandodequemcuidadenos.com.br


Gustavo Galá (J&J)

Na abertura, o presidente da J&J medical devices Brasil, Gustavo Galá, agradeceu o aceite de todos os convidados. Na parte final, destacou que o compromisso da empresa em ser parceira da sociedade brasileira e do mercado da saúde neste momento tão difícil.

Assista o webinar completo

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