Estatísticas e Análises, Mundo | 5 de junho de 2015

Pesquisa questiona necessidade do exame patológico de pólipos removidos do cólon

Lentes ópticas de alta definição diminuiriam custos 
Pesquisa questiona necessidade do exame patológico de pólipos removidos do cólon

Segundo um amplo estudo conduzido por médicos pesquisadores da Mayo Clinic, dos EUA, o exame patológico de pólipos removidos do cólon de um paciente pode ser um procedimento desnecessário. O trabalho foi publicado ainda em 2014 na Gastrointestinal Endoscopy, e a Sociedade Americana de Endoscopia Gastrintestinal está usando o estudo para revisar as atuais diretrizes da colonoscopia destinada a avaliar quando um exame patológico dos pólipos é necessário.

A pesquisa acompanhou 522 pacientes e revelou que os gastroenterologistas experientes podem avaliar corretamente se um pólipo é pré-canceroso ou benigno, usando lentes ópticas de alta definição durante a colonoscopia. As análises – em comparação a avaliações patológicas dos pólipos – tiveram precisão de 96% a 97%, dependendo de qual das duas gerações de colonoscópios foi utilizada.

“Descobrimos que os gastrenterologistas que usam colonoscópios ópticos de alta definição podem fazer diagnósticos e tratamentos excelentes dos pólipos, sem o recurso adicional do exame patológico”, afirma o gastrenterologista Michael Wallace, principal pesquisador do estudo. De acordo com o trabalho da Mayo Clinic, o exame patológico dos pólipos como requer a prática médica atual é desnecessário.

A equipe, em sua pesquisa, utilizou o colonoscópio Exera II 180 e colonoscópio Exera III 190, equipamentos de alta definição e a geração mais antiga (180) ainda é amplamente usada, para avaliar 927 pólipos. Um diagnóstico óptico (também chamado de “biópsia virtual”) foi suficiente para médicos experientes determinarem que pólipos benignos (hiperplásicos) eram efetivamente benignos, bem como os pólipos potencialmente pré-cancerosos (adenomas) eram os que tinham risco de desenvolvimento de tumor.

Não fazer o exame poderia, conforme a pesquisa, resultar em uma economia significativa de custos para o paciente e para o sistema de saúde em geral, além de fornecer informações e recomendações mais rápidas para o tratamento do paciente.

“A colonoscopia é um procedimento razoavelmente caro e uma grande parte dos custos está na análise patológica dos pólipos que são removidos do paciente, para verificar se são pré-cancerosos ou benignos, um exame que determina quando um paciente precisa de outra colonoscopia”, argumenta Wallace.

Os pesquisadores também descobriram que os médicos participantes, usando colonoscópios, conseguiram uma taxa de detecção de adenomas extremamente alta: 50% para o modelo 180 e 52% para o modelo 190. Michael Wallace lembrou que “estudos têm mostrado uma taxa de detecção de adenomas de 33%, o que significa que adenomas são encontrados em 33 de 100 pessoas que se submetem a colonoscopia”, uma média considerada “excelente” pelo pesquisador. “As atuais referências nacionais recomendam uma taxa de detecção de adenoma de pelo menos 20%. Nós encontramos muito mais”, ressaltou.

Quanto mais pólipos adenomas são detectados, menor é o risco de desenvolver câncer do cólon. O estudo sugere que é possível usar um colonoscópio óptico para realizar uma colonoscopia altamente precisa, dispensando o laboratório de patologia e reduzindo custos. “Outra vantagem é a de que nós podemos dizer ao paciente, logo após o procedimento, o que encontramos e quando o próximo exame precisa ser feito, ao invés de esperar um ou dois dias para receber o resultado do exame de patologia”, explica o gastroenterologista.

 

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