Estatísticas e Análises | 16 de dezembro de 2014

Parto prematuro é a maior causa de mortalidade infantil no mundo

Relatório da OMS aponta para três mil óbitos por dia no mundo
Feto

Pela primeira vez na história, o parto prematuro – feito antes da 37ª semana de gestação – é a principal causa de mortalidade infantil em todo o mundo. O número de bebês prematuros que não consegue sobreviver chama a atenção de organizações e governos ao redor do mundo. O levantamento foi feito por pesquisadores da Organização Mundial de Saúde (OMS) em parceria com universidades nos EUA e Reino Unido.

As complicações do nascimento antes do período ideal se tornaram a principal causa de mortalidade infantil, com mais de três mil óbitos diários ao redor do globo. De acordo com o mais amplo estudo do gênero, publicado no The Lancet, tais mortes chegaram a 1,1 milhão, superando doenças como pneumonia e diarreia, até então responsáveis pela maior quantidade de mortes de crianças até cinco anos.

Só no Brasil, foram cerca de nove mil óbitos anuais (2013), sendo assim o líder na América Latina em mortes ligadas a nascimentos precoces, 22% acima da proporção mundial. A taxa deixa o País em 103ª lugar numa lista de 162 nações. As piores colocações ficaram com Macedônia (em 162º, com 51%), Eslovênia (47,5%), Dinamarca (43%), Sérvia (39,8%) e Reino Unido (38,7%), onde acredita-se que o aumento do número de mulheres que optam por dar à luz entre os 30 e 40 anos seja parcela responsável pelo aumento de partos prematuros.

As estatísticas revelam uma grande mudança no padrão da saúde infantil: em países pobres e ricos, a desnutrição e as doenças infecciosas que matavam na infância foram vencidas. Assim, as complicações de nascimentos precoces tornam-se o próximo desafio no combate à mortalidade infantil.

Essas complicações representam 965 mil mortes nos primeiros 28 dias de vida, além de mais 125 mil registradas entre o primeiro mês e os cinco anos. Outras causas frequentes de mortalidade infantil são pneumonia (935 mil ) e problemas do parto (720 mil).

De acordo com dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do SUS e do Ministério da Saúde, utilizados no maior estudo sobre fatores de nascimentos prematuros no Brasil, 340 mil bebês nasceram prematuros em 2012. Uma média de 40 por hora (taxa de 12,4%), o dobro da Europa. A pesquisa, feita por especialistas da Unicamp, foi publicada em outubro na revista Plos One e acompanhou durante um ano cerca de 30 mil nascimentos em maternidades das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

Fatores como obesidade, pressão alta, diabetes, infecções e idade materna avançada geram riscos para partos prematuros. O estudo brasileiro mostrou que as seis primeiras causas para uma gestação interrompida antes do tempo são gravidez múltipla, encurtamento do colo do útero, má-formação fetal, sangramento vaginal, menos que seis consultas de pré-natal e infecções urinárias.

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