ONCOCLÍNICAS cria comitê independente para apurar atos da gestão anterior
Colegiado foi instalado em agosto e só veio a público depois de reportagens sobre cobranças de médicos acionistas.
A ONCOCLÍNICAS (ONCO3) informou nesta quarta-feira (14), em fato relevante, que seu Conselho de Administração aprovou em 25 de agosto a criação de um comitê independente para apurar atos da administração anterior. A comunicação ao mercado veio cerca de 50 dias depois da decisão. No documento, a companhia diz que a divulgação leva em conta matérias recentemente publicadas na imprensa sobre as apurações.
O que o comitê independente vai examinar
Batizado de Comitê Especial Independente, o grupo reúne membros do Conselho de Administração e o diretor-presidente da companhia. Cabe a ele coordenar apurações sobre transações com partes relacionadas e com determinadas contrapartes, programas de integridade e compliance, despesas de administradores e operações societárias. Contratos e investimentos feitos pela empresa também estão no escopo. A assessoria está a cargo da ERNST & YOUNG e do escritório TOZZINI FREIRE ADVOGADOS.
Sem conclusões até agora
Segundo o fato relevante, as apurações estão em curso e a companhia ainda não recebeu conclusões do comitê. O texto faz uma ressalva: “A existência das apurações não representa, por si, juízo sobre a regularidade dos atos examinados ou sobre a conduta de quaisquer pessoas.” O documento não cita nomes nem o período examinado. Quem assina é Mauricio Leonardo Hasson, diretor de Relações com Investidores.
Médicos acionistas cobram explicações
Na terça-feira (13), o TIMES BRASIL, licenciado da CNBC no país, noticiouque um grupo de médicos acionistas da rede enviou notificação extrajudicial à diretoria e aos conselhos de administração e fiscal. O grupo pede documentos e esclarecimentos sobre aplicação de recursos, despesas administrativas e contratos. Os médicos não se identificaram, por receio de consequências profissionais, e afirmam reunir participação suficiente para pedir acesso aos livros contábeis.
Entre os pontos levantados, segundo o veículo, que cita reportagem do UOL, estão viagens internacionais de executivos entre 2023 e 2025 e a transferência da sede administrativa para um imóvel nos Jardins, em São Paulo. Os acionistas também querem examinar contratos de construção e locação de unidades no modelo built to suit, em que o imóvel é erguido ou adaptado sob medida para o inquilino.
O fundador Bruno Ferrari deixou o cargo de diretor-presidente em março. Segundo o TIMES BRASIL, ele afirmou que as viagens foram aprovadas pelo conselho de administração e tinham fins profissionais, como reuniões com investidores e parceiros internacionais. A ONCOCLÍNICAS, de acordo com o veículo, informou que revisa sua estrutura de custos, contratos, portfólio de ativos e destinação de recursos. A empresa também disse que reforça os controles internos nas áreas financeira e administrativa.
O fato relevante não informa prazo para a conclusão dos trabalhos do comitê.