Empregabilidade e Aperfeiçoamento | 15 de setembro de 2016

“Muito inteligentes” para escolherem a Atenção Básica

O que pode estar atrás do desinteresse dos médicos pela atenção básica
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No Brasil o governo federal anunciou em agosto algumas medidas para a formação médica no país. Juntamente com o anúncio da prorrogação do Programa Mais Médicos, as ações preveem a criação de 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil vagas de residência médica para formação de especialistas com o foco na valorização da Atenção Básica e outras áreas prioritárias para o SUS, até 2017.

Mas uma pesquisa com foco nos EUA demonstra uma outra faceta da origem do problema da falta de médicos na atenção primária. Atitudes depreciativas e hostilidades em relação à escolha que o estudante médico seguirá seriam comuns no dia a dia do ensino médico.

“Muito inteligentes” para escolherem a atenção básica

Durante o período de formação do profissional, comentários como “tais estudantes de medicina são ´muito inteligentes´ para escolherem a atenção básica”, tem contribuído para a falta de médicos em cuidados primários nos EUA, de acordo com o artigo publicado no periódico Annals of Family Medicine, denominado Hostility During Training: Historical Roots of Primary Care Disparagement.

A autora do estudo, Joanna Veazey Brooks, socióloga na Kansas School of Medicine, analisou 52 histórias relatadas por médicos de cuidados primários, em busca de uma melhor compreensão das percepções em relação aos cuidados primários na medicina. Seu estudo indica que 63,5% dos médicos tiveram desânimo ou menosprezo em relação aos cuidados primários em algum momento durante a sua formação médica. Muitas vezes, estas atitudes se perpetuaram durante todo o curso.

Segundo a pesquisa, isso se dá por aspectos culturais e estruturais da formação médica e deveria se tornar foco de ações para uma mudança de mentalidade.

Um dos depoimentos foi de um médico que estudou medicina interna na Universidade de Minnesota, em 1971. “Quando comecei como generalista, não era a escolha [mais inteligente a] ser feita. A atitude era a de que se você estivesse em medicina geral, então você era considerado ´burro demais´ para obter uma bolsa de estudos”, disse o médico, lembrando a reação de um ex-professor à notícia de que ele tinha optado pela medicina geral na atenção básica. “Era como se eu dissesse que tinha passado dois anos na prisão. O olhar no rosto dele me dizia que eu tinha falhado de alguma forma”.

Pesquisadores projetam uma escassez de 33 mil médicos na atenção básica no ano de 2035 nos EUA. Assim como no Brasil, a necessidade de mais médicos nessa área é impulsionada por uma população em crescimento, que vive cada vez mais, e no caso dos EUA, por um número crescente de pacientes com cobertura do sistema público de saúde (Affordable Care Act).

Assim como nos EUA, os problemas estruturais que existem há décadas podem desencorajar estudantes de medicina a tornarem-se médicos da atenção básica, mas a questão cultural, é outro viés importante como demonstrado pelo estudo.

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