Estatísticas e Análises | 17 de setembro de 2018

Mortes por câncer chegarão a 9,6 milhões em 2018, diz OMS

Nos próximos 20 anos, incidência da doença pode aumentar em 78% no Brasil
Mortes por câncer chegarão a 9,6 milhões em 2018, diz OMS

câncer causará a morte de 9,6 milhões de pessoas em 2018, informou a agência de pesquisa sobre câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS), na quarta-feira (12). O levantamento também alerta que a incidência da doença no Brasil pode aumentar 78% nos próximos 20 anos.

Em seu relatório Globocan, que detalha a prevalência e a taxa de mortalidade de vários tipos de câncer, a Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC, na sigla em inglês) disse que são estimados 18,1 milhões de novos casos de câncer em 2018. A última pesquisa publicada pela Globocan, em 2012, apontava 14,1 milhões de novos casos e 8,2 milhões de mortes.

De acordo com o levantamento, um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres desenvolverão o câncer durante suas vidas. Já a taxa de mortalidade indica que um em cada oito homens e uma em cada onze mulheres morrerão pela doença.

O relatório alerta que, se nada for feito, as incidências vão atingir 29,4 milhões de novos casos em 2040, uma expansão de 63% nos próximos 20 anos. A mortalidade deve subir de 9,6 milhões de pessoas hoje para 16,3 milhões em 2040. As entidades destacam que serão os países emergentes que mais registrarão o aumento de casos, com um salto de 62% até 2040 e um total de 10 milhões de novos casos.

Em 2018, Brasil terá 559 mil casos da doença

O Brasil somará em 559 mil novos casos de câncer, com 243 mil mortes em 2018, de acordo com o levantamento. Entretanto, as projeções da entidade apontam que a doença pode sofrer um aumento de 78,5% até o ano de 2040, um dos maiores saltos entre as principais economias. No total, 998 mil novos casos serão registrados.

Hoje, o câncer mais frequente no Brasil é o de mama, com 85,6 mil casos, 15,3% do total. O segundo lugar é o de próstata, com 84,9 mil. Mas essa é a doença que mais mata entre os incidentes de câncer, com 30% dos casos.

No total, 43,8 milhões de pessoas no mundo estão vivendo os cinco anos de prevalência do câncer e 1,3 milhão delas estão no Brasil. Há cinco anos, eram 32 milhões de pessoas nessa situação. Se parte da explicação é a capacidade de um número maior de pessoas de sobreviver à doença, ela não é o único motivo.

Casos de câncer no Brasil em 2018 (fonte: Agência para a Pesquisa do Câncer)

– Homens

1. Próstata             (84.992 casos)

2. Colorretal           (24.737 casos)

3. Pulmão               (19.169 casos)

4. Estômago           (12.340 casos)

5. Bexiga                 (9.127 casos)

6. Outros cânceres (128.242 casos)

– Mulheres

1. Mama                 (85.620 casos)

2. Colorretal           (27.046 casos)

3. Tireoide              (16.901 casos)

4. Colo de útero      (16.298 casos)

5. Pulmão               (15.342 casos)

6. Outros cânceres (119.557 casos)

Fatores para o aumento do número de casos

De acordo com a pesquisa, o envelhecimento da população e mudanças de estilo de vida ligado ao desenvolvimento social são dois dos fatores que estão contribuindo para os números cada vez mais elevados. O levantamento indica que, em economias emergente, há uma transição de formas de câncer relacionadas à pobreza e a infecções para formas de câncer ligadas a estilos de vida e dietas mais típicas de países ricos.

Alimentação, bebida, falta de atividades físicas e envelhecimento seriam alguns dos principais fatores. Porém, a agência diz não ter ainda dados que sustentem a teoria de que a introdução massiva de novas tecnologias e telefones celulares possam ter um impacto no número de doenças.

Incidência

Juntos, os cânceres de mama, pulmão e colorretal representam um terço de todos as incidências de câncer no mundo. Em 2018, a estimativa é de que 2,1 milhão de pessoas serão afetadas por câncer de pulmão, que causará 1,8 milhão de mortes (18% de todos os casos). O câncer de pulmão é ainda a principal causa de morte entre os cerca de 30 tipos de câncer.

Porém, um dos alertas se refere ao aumento de incidência da doença entre mulheres, onde já é a primeira causa de morte em 28 países. As taxas mais elevadas entre as mulheres estão na América do Norte, Europa (com especial destaque para Holanda e Dinamarca), além de China e Austrália.

Já o câncer de mama também afeta 2,1 milhões de pessoas e é o mais comum em 154 dos 185 países. Mas, por conta de sua alta taxa de diagnóstico, é apenas o quinto que mais mata, com 627 mil casos por ano. Ainda assim, trata-se do maior responsável por mortes de mulheres entre os diferentes tipos de câncer.

O câncer colorretal vem na terceira posição e atinge 1,8 milhão de pessoas, contra 1,3 milhão de incidentes de próstata. “Esses números mostram que muito ainda precisa ser feito para lidar com o aumento alarmante do câncer e que a prevenção tem um papel importante”, disse Christopher Wild, diretor da agência.

Freddie Bray, chefe do sistema de monitoramento, também alerta que, hoje, menos de 40 países tem a capacidade de um diagnóstico de qualidade de câncer para a população.

Com informações do Estadão e Reuters. Edição do Setor Saúde.

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