Política | 8 de abril de 2020

Ministério da Saúde confirma aquisição de 6,5 mil respiradores e 240 milhões de máscaras

Previsão é que a entrega de todos os equipamentos ocorra em até 90 dias
Ministério da Saúde confirma aquisição de 6,5 mil respiradores e 240 milhões de máscaras

O Ministério da Saúde anunciou em dois dias (7 e 8 de abril) duas importantes notícias: a compra 6,5 mil respiradores e 240 milhões de máscaras. As compras totalizam mais de R$ 1 bilhão em equipamentos para garantir atendimento mais seguro a pacientes e profissionais de saúde durante a epidemia da Covid-19.

No dia 07, terça-feira, o Ministério da Saúde assinou o contrato de compra de 6,5 mil respiradores mecânicos, no valor de R$ 322,5 milhões, para uso no tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus. A aquisição dos aparelhos está sendo realizada diretamente da indústria nacional. A expectativa é de que a entrega de todos os equipamentos ocorra em até 90 dias, sendo quase 2 mil ainda em abril. Os ventiladores ajudam pacientes que não conseguem respirar sozinhos e seu uso é indicado nos casos graves de coronavírus (COVID-19), que apresentem dificuldades respiratórias.


Diante do cenário de escassez internacional devido à alta demanda em todo o mundo por conta da pandemia, a indústria brasileira vem se movimentando para atender à necessidade nacional. “Iniciamos uma ação há cerca de 45 dias, que é extremamente complexa, que é fazer com que a indústria nacional dispare uma produção em tempo reduzido. Temos quatro empresas que produziam esses equipamentos em uma pequena quantidade e, juntos, conseguimos ampliar esta produção”, comemorou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.


Ministro Mandetta (arquivo)

Ministro Mandetta (arquivo)

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Para a fabricação dos respiradores que serão distribuídos aos estados pelo Ministério da Saúde, a empresa contratada, a Magnamed, vai contar com um grupo de empresas lideradas por Positivo Tecnologia, Suzano, Klabin, Flex e Embraer, apoiadas pela Fiat Chrysler Automóveis, White Martins, Veg, e pelos bancos BTG Pactual, Itaú, Febraban (Federação Brasileira de Bancos), entre outros.

A parceria com produtores brasileiros começa com 6,5 mil respiradores, sendo 5.760 ventiladores de transporte e emergência e 740 ventiladores pulmonares eletrônicos neonatal pediátrico e adulto (Oxymag).


“Assinado esse contrato vamos ter a previsão de entrega de respiradores por semana, o que vai dar muita segurança ao fornecimento destes equipamentos para dar suporte aos hospitais públicos no atendimento à população. Uma vez produzidos no Brasil, ganhamos autonomia perante as compras internacionais, que ainda estão frágeis”, explica o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.


Atualmente, o Brasil contabiliza 65.411 respiradores/ventiladores, sendo que 46.663 estão disponíveis no SUS.

Produção nacional

O diretor de Logística em Saúde, Roberto Dias, explica que a ampliação da capacidade de produção de empresas brasileiras teve início a partir de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Economia, que realizou um mapeamento do parque industrial. “Esse mapeamento identificou quem fazia o quê, quem tinha capacidade de se juntar as empresas que tinham escala pequena de produção face a necessidade nacional, mas que tinham expertise e, ainda, quais empresas poderiam expandir essa linha de produção”, disse.

Ao todo, o projeto nacional de produção de respiradores consiste na aquisição de 14 mil respiradores, sendo sete mil respiradores de UTI e 7 mil respiradores de transporte. “Esse projeto tem um grande desafio que é a cadeia de suprimento. A gente depende de peças internacionais e o Ministério das Relações Exteriores nos auxilia na obtenção e priorização junto aos países fabricantes dessas peças dentro da cadeia de suprimento da linha de produção”, explica o diretor do DLOG.

Além do projeto de respiradores, Roberto Dias destaca parcerias com o Ministério da Justiça para escoltas e segurança da distribuição de equipamentos e insumos, com o Ministério da Defesa que fornece armazéns nas capitais para estoque de materiais e com a Força Área Brasileira que apoia a logística de distribuição para o país.

Tratamento de pacientes graves

A COVID-19 pode apresentar como complicação a pneumonia, que produz um processo inflamatório atingindo os pulmões de forma severa. Neste quadro, os pacientes não conseguem respirar sozinhos e, assim, necessitam de suporte ventilatório. Portanto, o respirador mecânico, ou ventilador, é fundamental para tratar casos graves e gravíssimos da doença. Normalmente, esses equipamentos estão disponíveis em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Ministério da Saúde confirma aquisição de 240 milhões de máscaras

O Ministério da Saúde adquiriu 240 milhões de máscaras para garantir a proteção de profissionais de saúde no atendimento a pacientes com coronavírus. São 200 milhões de máscaras cirúrgicas 3 camadas e 40 milhões do tipo N95, com investimento de R$ 694,3 milhões. A encomenda totaliza 960 toneladas que devem ser transportadas da China até o Brasil com apoio do Ministério da Infraestrutura. A operação envolverá cerca de 40 voos e começará em duas semanas. As máscaras devem ser suficientes para atender a rede pública de saúde por cerca de 60 dias.

O contrato de aquisição foi assinado com a empresa Global Base Development KH Limited. Diante da pandemia causada por coronavírus, o Ministério da Saúde tem adquirido Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para apoiar os estados e municípios no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), através de contratos com fornecedores nacionais e internacionais. “O Ministério da Saúde não fazia essa operação anteriormente. Agora, essas aquisições em volume significativo, abastecem toda a rede para o combate ao coronavírus e para atividades ordinárias da rede hospitalar”, pontuou o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias.

Conforme a pasta, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 53,1 milhões de Equipamentos de Proteção Individual usados por profissionais de saúde, sendo 15,8 milhões só de máscaras. Ou seja, a aquisição feita agora é 1.419% ao total de máscaras já distribuídos a todos os estados do país.

Uso de máscaras

O Ministério da Saúde afirma que vem garantindo o abastecimento de máscaras para uso por profissionais de saúde que trabalham na linha de frente da assistência aos pacientes infectados pelo coronavírus.

Para os demais cidadãos, na última semana, o Ministério da Saúde lançou nota informativa com orientações à população para confecção de máscaras caseiras, que funcionam como uma barreira física ao vírus e servem como proteção. A confecção de máscaras caseiras tem se tornando um fenômeno mundial e qualquer cidadão pode fazer a sua em casa.  “Você pode fazer uma máscara usando um tecido grosso, com duas faces. Não precisa de especificações técnicas. Ela faz uma barreira tão boa quanto as outras máscaras. As máscaras de pano para uso comunitário funcionam muito bem e não são caras de fazer. Porque, agora, é lutar com as armas que a gente tem”, explicou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

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