Empregabilidade e Aperfeiçoamento, Estatísticas e Análises | 25 de janeiro de 2016

Medicina: falta de ética e profissionalismo deve ser identificado ainda na faculdade

Estudo indica necessidade de atividades que façam estudantes refletirem mais sobre a boa prática profissional
Medicina: falta de ética e profissionalismo deve ser identificado ainda na faculdade

Um recente estudo da Escola de Medicina da Universidade de Indiana e do Instituto Regenstrief (ambos dos EUA) fornece evidências quantitativas que sustentam a crença que liga a capacidade reflexiva dos estudantes de medicina a comportamentos profissionais dos futuros médicos. Lapsos de profissionalismo são a causa mais comum para ações disciplinares contra a prática de médicos. De acordo com o estudo, é possível identificar precocemente o problema e, assim, evitar futuros comportamentos de risco.

Richard M. Frankel, pesquisador do Instituto Regenstrief, professor de medicina na Universidade de Indiana e co-autor do estudo – publicado originalmente no jornal da Associação Americana de Faculdades de Medicina – destaca que “é importante identificar os estudantes em risco de falhas profissionais e proporcionar-lhes a ajuda e a formação necessárias para evitar lapsos de profissionalismo no futuro”.

“Os estudantes de medicina sabem o que é certo ou errado, mas nem sempre refletem sobre as consequências a curto e longo prazo de suas ações”, avalia Dr. Frankel. “Por exemplo, copiar e colar fontes e informações da Internet sem atribuição, o que alguns estudantes acreditam que é admissível, é na verdade uma forma de plágio, assim como é copiar e colar registros médicos eletrônicos dos pacientes. Não ver ou refletir sobre a ligação entre estes dois tipos de comportamentos podem representar um risco, e favorecer o cometimento de má práticas no exercício profissional futuro. Ao melhorar a formação dos alunos na prática reflexiva, podemos aumentar a sua consciência e vigilância no que diz respeito ao profissionalismo”, completa o investigador.

Ao focar em alunos que frequentaram a faculdade de medicina entre 2001 e 2009, o estudo descobriu que aqueles com desempenho reflexivo mais baixo, conforme determinado por uma narrativa escrita da atribuição do profissionalismo durante o terceiro ano de faculdade de medicina, possuem maior probabilidade de serem citados por lapsos de profissionalismo. Aos alunos que foram apontados com essas características, foi requerido que comparecessem no Comitê de Acompanhamento do Estudante para avaliar a causa pela qual eles pretendem continuar os estudos médicos.

“A reflexão incentiva os alunos a pensarem sobre as consequências de seus comportamentos e considerar as perspectivas dos outros. Isso ajuda a melhorar a sua capacidade de empatia, compaixão e o foco centrado no paciente, e é importante para o seu desenvolvimento profissional”, considerou Leslie Hoffman, da Escola de Medicina Fort-Wayne (da Universidade de Indiana). “Os alunos com baixa pontuação de reflexão podem precisar de orientação adicional para garantir o desenvolvimento de atitudes e valores profissionais”.

Cada estudante foi convidado a refletir sobre um prontuário, descrevendo uma experiência pessoal durante a residência médica, quando eles interagiram com os pacientes e outros médicos e aprenderam algo sobre profissionalismo. Os relatos foram identificados e discutidos em pequenos grupos de participantes da pesquisa. As narrativas reflexivas escritas por 70 estudantes de medicina que haviam sido citadas com lapsos de profissionalismo foram comparadas com os de um grupo de 229 estudantes de medicina selecionados aleatoriamente que não tiveram detectadas deficiências de profissionalismo. Exemplos de lapsos profissionais incluíram falsificar registros médicos dos pacientes, ausência de responsabilidades clínicas, assinar presença em uma palestra para outra pessoa, não requerer vacinas necessárias para a segurança do paciente, entre outras formas violadoras da boa conduta profissional requerida.

Os alunos do grupo que havia sido citado com falta (ou lapso) de profissionalismo tiveram escores (de reflexão) significativamente mais baixos do que os alunos do grupo de controle.

Um depoimento de um dos estudantes que tinha cometido um lapso de profissionalismo descrevia os cuidados com um paciente complexo – levando em consideração as necessidades do paciente, suas preocupações e desafios – afirmando que o paciente estava satisfeito. No entanto, o que faltava, de acordo com os autores do estudo, era um senso de perspectiva do aluno, uma avaliação mais detalhada dos elementos da prestação de serviço visando resultados, e as lições que o estudante adquiriu com a experiência que podem ajudar a planejar a prática da medicina.

Um exemplo de uma narrativa de profissionalismo do grupo controle envolvia uma mulher idosa que precisava de um procedimento cardíaco. Um estudante, que não havia sido identificado com lapso de profissionalismo, escreveu que quando estava levando a paciente para realizar o procedimento, uma equipe cardíaca chegou e levou a paciente até o elevador sem se apresentarem ou dizer o que estavam fazendo, assustando o paciente. O estudante explicou o que estava acontecendo para a paciente e acompanhou-a para a sala de procedimento, onde o cardiologista não se apresentou antes de começar a trabalhar sobre a paciente. Apesar do risco de embaraçar ou irritar o cardiologista, o estudante agiu de forma a confortar a paciente e observou que isso ajudou a chegar em uma conclusão bem-sucedida do procedimento.

A análise das narrativas não encontrou relação entre gênero e lapsos de profissionalismo. Este estudo encontrou uma associação significativa entre a capacidade reflexiva e profissionalismo, embora os resultados sejam muito preliminares para inferir uma relação causal. No entanto, as atividades reflexivas parecem ser uma adição valiosa para o currículo médico, como uma forma de ajudar os estudantes a desenvolver profissionalismo, ou como um meio pelo qual os alunos podem demonstrar seu profissionalismo.

Há também uma terceira possibilidade, que não é uma relação causal linear, mas sim uma relação circular em que um aumenta o outro. Independentemente da finalidade, as atividades reflexivas devem ser efetivamente integradas ao currículo, para não serem encaradas como uma reflexão tardia desligada da experiência educacional em geral. “Para que os alunos reconheçam a importância da reflexão, as atividades devem ser acompanhadas de uma cultura que valorize o pensamento aprofundado e os objetivos para desenvolver profissionais mais reflexivos”, conclui o estudo.

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