Estatísticas e Análises | 20 de dezembro de 2015

Medicamentos como omeprazol estão sendo reavaliados dentro dos hospitais

Uso inadequado pode prolongar a internação e aumentar a probabilidade de morte
image3-450x337

Cerca de metade dos pacientes que ingressam em hospitais dos EUA recebem prescrição para uso de medicamento de redução de ácido no estômago, grupo de drogas denominadas de inibidor da bomba de prótons, ou IBP. Esses medicamentos são comumente usados ​​para tratar refluxo gástrico e úlceras do estômago e duodeno. A maioria das pessoas que as tomam não irão desenvolver quaisquer efeitos colaterais. Mas um dos IBP’s mais comumente utilizados, como o omeprazol, por exemplo, já foi associado a ataques cardíacos (http://setorsaude.com.br/uso-de-omeprazol-associado-a-ataques-cardiacos/) e à demência, quando usado de forma prolongada. Outros nomes do medicamento são encontrados como esomeprazol, lansoprazol, pantoprazol e rabeprazol.

Por uma questão de rotina, os médicos prescrevem IBP para prevenir a azia ou hemorragias no estômago, ou ainda, para o trato gastrointestinal de pacientes. No entanto, pesquisas recentes constataram que estes medicamentos estão associados ao risco de contrair infecções graves que podem prolongar a internação como, também, aumentar a própria probabilidade de óbito.

Não se sabe exatamente por que isso ocorre, mas especialistas dizem que existem evidências de estas drogas suprimirem a produção de ácido – um ambiente menos ácido faz com que seja mais fácil para o sangue coagular normalmente, facilitando que a cura ocorra -, como também criarem condições favoráveis ​​para bactérias potencialmente prejudiciais. Certas infecções, como a pneumonia ou o desenvolvimento do Clostridium difficile – uma das bactérias mais comuns em infecções hospitalares -, poderiam ser potencializadas por causa das IBP’s.

Usando um modelo que simula o risco em grandes populações de pacientes, o Dr. Matthew Pappas e seus colegas do Michigan Medical School e da Ann Arbor Healthcare System descobriram que, para a maioria dos pacientes, o efeito global dos IBP é aumentar, em vez de diminuir, o risco de morte no hospital. O especialista decidiu fazer uma simulação, porém sem envolver uma amostra considerada ideal como as utilizadas em pesquisas científicas.

“Não é um efeito grande, mas é consistente”, diz Pappas, que liderou o estudo publicado online no mês de novembro do Journal of General Internal Medicine, e falou para o USNews Health. De acordo com estimativas de sua equipe, para cada 831 pessoas prescritas com um IBP no hospital, cerca de um paciente morreria antes de receber alta.

“Há mais de 35 milhões de internações nos EUA a cada ano. Assim, mesmo tendo um pequeno efeito, poderia levar a milhares de mortes desnecessárias neste país”, diz Pappas.

Para a maioria dos pacientes hospitalizados que não estão na unidade de terapia intensiva e não têm uma hemorragia digestiva ativa, os pesquisadores concluíram que os danos potenciais de prescrever IBP superam os benefícios, e, portanto, o uso deve ser desencorajado.

Pappas diz que muitos hospitais, incluindo onde ele trabalha, tomaram a iniciativa de reduzir o uso desnecessário de IBP. Porém ele relata que gostaria de ver mais restrições colocadas em prática para limitar o risco e orientar melhor a sua utilização para aqueles pacientes que efetivamente têm maior probabilidade de se beneficiar.

“Eu acredito que muitos não precisam desses medicamentos”, diz o Dr. Kyle Staller, um gastroenterologista do Massachusetts General Hospital, e instrutor de medicina na Harvard Medical School, em Boston.

O fato destas drogas serem muito eficazes na redução de azia, úlceras pépticas e hemorragia, entre outras doenças, têm tornado-as rotineiras e, muitas vezes, prescritas sem necessidade, diz ele.

“IBP é uma vítima de seu próprio sucesso, porque realmente revolucionaram a gastroenterologia, o que elevou a sua popularidade, sendo prescrita de forma bem mais ampla do que deveria ser”, resume Dr. Staller. O resultado expôs mais pacientes a riscos de curto prazo, como a aquisição de uma infecção ou pneumonia, o que pode prolongar a internação e aumentar a probabilidade do paciente morrer no hospital. Além disso, diz ele, o uso prolongado desses medicamentos podem aumentar o risco de uma pessoa apresentar baixa densidade óssea, deficiência de vitamina B12 e infecções gastrointestinais.

Com base em pesquisas anteriores – mostrando os riscos associados com IBP -, clínicos do renomado Massachusetts General Hospital afastaram-se de forma acentuada da prescrição rotineira destes medicamentos para pacientes que não estão na UTI, adotando uma nova rotina. “Então, a única vez que você vê prescrição padronizada desses medicamentos, é para pacientes de UTI em máquinas de respiração; pacientes com trauma; pacientes com queimaduras; ou pacientes com distúrbios hemorrágicos pré-existentes”, explica o Dr. Staller.

Enquanto Pappas observa que muitos outros centros médicos estão fazendo movimentos semelhantes, ele prevê que ainda vai ser difícil mudar a prática clínica, uma vez que o uso rotineiro dos IBP’s é bastante comum.

Para os pacientes, os especialistas dizem que é importante explicar sobre os benefícios esperados, juntamente com os riscos. É importante os pacientes terem conhecimento antes de tomar estes medicamentos. Dr. Staller diz estar convencido de que os médicos devem estar preparados para discutir os potenciais benefícios e malefícios dos IBP’s com os pacientes ou seus acompanhantes/familiares.

“[IBP’s] são realmente um dos medicamentos mais amplamente prescritos. Eu acho que as evidências deixaram claro que não se deve prescrever um inibidor da bomba de prótons, exceto em determinadas circunstâncias”, acrescenta. Essas circunstâncias incluem os pacientes que são admitidos com hemorragia gastrointestinal superior, e os pacientes com traumas ou queimaduras sérias, por exemplo. Esses pacientes, acrescenta ele, tendem a obter um “incrível benefício” do IBP, que também pode reduzir a perda de sangue, complicações do tratamento e acelerar a cicatrização.

“É difícil, porque sempre há, sem dúvida, questões mais importantes na internação hospitalar do paciente do que uma administração de IBP preventiva. Mas é importante que os médicos conversem sobre de detalhes, também é importante que os pacientes estejam conscientes do que está sendo administrado no tratamento deles e por que tal medicamento está sendo dado”, resume Pappas.

VEJA TAMBÉM

ONCOLOGIA

O Câncer Não Espera: Campanha alerta sobre os riscos do adiamento de diagnósticos

Nos últimos dias, diferentes cidades do Brasil adotaram a flexibilização das medidas restritivas para conter o avanço da pandemia pelo Covid-19 permitindo a abertura de diversos estabelecimentos. As novas regras de circulação incluem a obrigatoriedade do uso de máscaras por todos nas ruas e ambientes de trabalho, além da restrição de horários de funcionamento de lojas e centros de compras.
covid-19

Pesquisa científica demonstra sintomas persistentes da Covid-19 mesmo após recuperação

Na Itália, 71,4% dos pacientes (de 31.845 casos confirmados até 3 de junho de 2020) com Covid-19 apresentaram sintomas. Entre os sintomas comuns, estão tosse, febre, dispnéia, sintomas osteomusculares (mialgia, dor nas articulações, fadiga), sintomas gastrointestinais e perda de olfato e paladar. No entanto, informações sobre os sintomas persistentes após a recuperação são escassos. Um estudo publicado no site do Journal of the American  Medical Association (JAMA), conduzido pela Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli, Centro
covid-19

Com recorde de 49 mortes em um único dia, disseminação da Covid-19 avança no RS

O cenário de disseminação do coronavírus (Covid-19) e da ocupação de leitos cresce no Estado. Na décima rodada preliminar do Distanciamento Controlado, o Rio Grande do Sul tem 15 regiões com risco alto, ou seja, estão na bandeira vermelha. Essas regiões representam 84,2% da população gaúcha (9.535.519 habitantes). Na rodada definitiva do mapa anterior, eram