Estatísticas e Análises, Mundo | 29 de setembro de 2015

Medicamento para diabetes pode reduzir em 38% o número de mortes cardiovasculares

Dados apresentados no Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes
Políticas ruins fazem tão mal quanto a medicina de má qualidade

Dados promissores foram apresentados durante o Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes (European Association for the Study of Diabetes Annual Meeting), realizado em Estocolmo. Um novo estudo mostrou que a empagliflozina, medicamento utilizado para o tratamento de diabetes tipo 2, pode reduzir em 38% a probabilidade de morte por eventos cardiovasculares e em 32% por qualquer causa em pacientes com alto risco de complicações cardíacas.

O Jardiance, fabricado pela Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, medicamento para tratar o diabetes tipo 2, demonstrou redução significativa do risco de eventos cardiovasculares e morte cardiovascular em um estudo desenhado para este propósito. A droga reduziu significativamente o risco de morte cardiovascular, infarto não fatal e AVC não fatal em 14%, quando associado ao tratamento padrão – em pacientes com diabetes tipo 2 e alto risco cardiovascular.

“A Aliança Boehringer Ingelheim e Lilly tem o prazer de compartilhar os resultados do estudo Empareg Outcome com toda a comunidade de saúde”, anunciou Hans-Juergen Woerle, vice-presidente Global da Área Médica da Boehringer Ingelheim. “A doença cardiovascular é a primeira causa de morte em pessoas com diabetes tipo 2 em todo o mundo e reduzir o risco cardiovascular, incluindo morte, é um componente essencial no tratamento do diabetes”, destacou, em comunicado oficial.

É a primeira vez na história que um medicamento antidiabético se mostra eficaz na redução de eventos cardiovasculares. “Estes resultados são inovadores e emocionantes para milhões de pessoas que vivem com diabetes tipo 2 e risco de doença cardiovascular. Evitar os eventos cardiovasculares, incluindo a morte, é um dos objetivos centrais do tratamento do diabetes, e até agora nenhuma outra medicação foi associada a uma redução da mortalidade”, comentou o autor principal do estudo, Dr. Bernard Zinman, Diretor do Centro de Diabetes do Hospital Monte Sinai; Cientista Sênior do Instituto de Pesquisa Lunenfeld Tanenbaum, e Professor de Medicina da Universidade de Toronto, no Canadá. “A empagliflozina mostrou-se eficaz em prevenir uma em cada três mortes cardiovasculares”, ponderou.

O efeito de Jardiance foi observado em associação ao tratamento padrão. Ou seja, o benefício foi observado em pacientes que já estavam sob o efeito de medicamentos para diabetes e outros fatores de risco cardiovascular, como elevação de pressão arterial e de colesterol. A expectativa de vida das pessoas com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular prévia é em média, inferior a 12 anos, sendo que aproximadamente metade das mortes (50%) em pessoas com diabetes tipo 2 são causadas por doença cardiovascular.

“Os resultados são encorajadores para os profissionais da saúde e seus pacientes”, segundo o Dr. Christopher P. Cannon da Divisão Cardiovascular do Hospital Brigham e Women, e Professor de Medicina da Harvard Medical School, que não esteve envolvido no estudo. “Os pacientes do estudo já estavam sendo tratados com medicamentos que comprovadamente reduzem eventos cardiovasculares. A observação de que a empagliflozina proporcionou redução adicional de morte cardiovascular além desses outros medicamentos é um achado muito importante”.

VEJA TAMBÉM

Covid-19: Fabricante diz que Remdesivir reduz a mortalidade em 62%, mas falta de aprofundamento ainda gera dúvidas

O remdesivir reduziu o risco de mortalidade de pacientes com Covid-19 em 62% em comparação com o tratamento padrão, de acordo com uma nova análise dos testes divulgados pela Gilead Sciences Inc., fabricante do medicamento. A nova análise comparou os dados dos estudos em estágio avançado com o tratamento na vida real. A Gilead apresentará as descobertas na Conferência Virtual
covid-19

Pesquisa científica demonstra sintomas persistentes da Covid-19 mesmo após recuperação

Na Itália, 71,4% dos pacientes (de 31.845 casos confirmados até 3 de junho de 2020) com Covid-19 apresentaram sintomas. Entre os sintomas comuns, estão tosse, febre, dispnéia, sintomas osteomusculares (mialgia, dor nas articulações, fadiga), sintomas gastrointestinais e perda de olfato e paladar. No entanto, informações sobre os sintomas persistentes após a recuperação são escassos. Um estudo publicado no site do Journal of the American  Medical Association (JAMA), conduzido pela Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli, Centro

EUA: Walgreens investe US$ 1 bilhão em atenção primária e Walmart passará a vender seguros de saúde

Uma nova disputa com players altamente capitalizados indica que o mercado de varejo de medicamentos nos Estados Unidos será cada vez mais disputado. E sob um novo modelo de negócio que integra muito mais do que a mera venda de medicamentos e produtos de higiene/beleza. A oferta de serviços de atenção primária vem se tornando