Estatísticas e Análises | 23 de janeiro de 2017

Hospital Moinhos apresenta nos EUA estudo inédito no Brasil sobre novo tratamento da Hepatite C

Taxa de cura com antivirais de ação direta alcançou 92% dos casos
Hospital Moinhos apresenta nos EUA estudo inédito no Brasil sobre novo tratamento da Hepatite C

Os médicos especialistas Alexandre de Araujo, Fernando Herz Wolff e Hugo Cheinquer do Centro de Doenças do Fígado do Serviço de Gastroenterologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo do Hospital Moinhos de Vento (HMV) apresentaram no Congresso Americano de Doenças do Fígado (AASLD), realizado em Boston (EUA) no final de 2016, o primeiro relato da experiência de vida real brasileira no tratamento da Hepatite C com os novos medicamentos antivirais de ação direta.

No estudo, cerca de 200 pacientes foram tratados e a cura da hepatite C ocorreu em 92% dos casos. Esses dados reforçaram os resultados apresentados em publicações internacionais sugerindo que a excelente taxa de cura descrita em estudos controlados pode ser reproduzida nas instituições de saúde.

Fernando Herz Wolff, gastroenterologista da Instituição, explica que os resultados foram melhores nos pacientes tratados precocemente. “A taxa de cura chegou a alcançar valores próximos a 100%. Até 2015 o tratamento da Hepatite C baseava-se no uso do Interferon, uma medicação injetável, utilizada semanalmente de 6 a 18 meses, com diversos riscos e efeitos adversos e com taxas de cura em torno de 50%”, explica.

As novas medicações são chamadas Antivirais de Ação Direta (DAA, na sigla em inglês). Combinações dessas novas drogas são usadas por via oral, uma ou duas vezes ao dia e geralmente por 12 semanas. E as taxas de cura costumam ficar acima de 90% para a maioria dos pacientes.

Segundo Fernando Wolff, “as combinações incluíram os medicamentos sofosbuvir, simeprevir, daclatasvir, ledipasvir, paritaprevir, dasabuvir, ombitasvir, associados ou não a ribavirina”.

“As pesquisas iniciais com essas medicações foram conduzidas sem a participação de centros brasileiros e era importante verificar se os números descritos nas pesquisas, alcançados em condições ideais, seriam reproduzidos em nossa realidade, em condições que chamamos vida real”, afirma Wolff. O especialista explicou que “ao falarmos que foi um estudo de ‘vida real’ nos referimos a tratar-se do relato de casos que vão surgindo na prática e, portanto, sendo tratados da melhor maneira possível naquele momento”. Isto inclui a disponibilidade de medicamentos e diferentes combinações dependendo do genótipo do vírus, por exemplo.

O HMV realizou o trabalho em conjunto com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Clínica Pró-Fígado, localizada em São Paulo. O estudo ocorreu ao longo de 2016, e os resultados tornaram-se públicos ao serem apresentados no AASLD.

Leia: Hepatite C

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Dr. Fernando Herz Wolff e Dr. Hugo Cheinquer , do Hospital Moinhos de Vento

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