Mundo | 9 de agosto de 2018

GM decide oferecer plano de saúde próprio e negocia diretamente com hospitais

ConnectedCare elimina intermediários como seguradoras e operadoras
GM decide oferecer plano de saúde próprio e negocia diretamente com hospitais

A General Motors decidiu eliminar o intermediário (operadoras/seguradoras) em sua cidade natal, nos EUA. A montadora fechou um acordo direto com uma rede de seis hospitais de Detroit e região para atender seus empregados – eliminando os intermediários do processo. Chamado de GM ConnectedCare, a opção faz da GM, o maior empregador no estado de Michigan,  com contrato direto com um sistema hospitalar de saúde.

A GM engrossa uma fila ainda restrita, mas crescente, de empresas que vêm adotando essa modalidade de benefício de saúde nos Estados Unidos. Um exemplo são as gigantes Boeing, fabricante de aviões, e a Intel, de tecnologia. Ambas estão oferecendo opções mais baratas para seus funcionários.

A Intel começou a fazer contratos diretos com prestadores  de serviços em 2013 e hoje adota este modelo em cinco mercados. O resultado: custos 17% menores que nos planos tradicionais. A Boeing também começou com o modelo em 2015 e hoje o aplica em quatro localidades.

Ao fechar um acordo direto com uma rede de atendimento, as empresas conseguem negociar preços melhores e metas de custo e qualidade. No modelo tradicional, com convênios mediados pelas seguradoras, os empregadores ficam no escuro sobre os custos envolvidos nos cuidados com os pacientes – e os hospitais são remunerados pelo volume de atendimentos e serviços prestados, o que cria um incentivo perverso ao desperdício.

Henry Ford Health System

O acordo da GM, fechado com o Henry Ford Health System, cobre de tudo, de consultas médicas a procedimentos cirúrgicos. Como parte de um contrato de cinco anos, a rede de hospitais terá metas de qualidade e custo que envolvem a obrigação de marcação de consultas para o mesmo dia ou o dia seguinte (a depender da especialidade), redução de internações e melhora no controle da hipertensão dos pacientes.

O ConnectedCare será oferecido a funcionários da GM que vivem nos sete regiões (Wayne, Macomb, Oakland, Washtenaw, Livingston, Lapeer e St. Clair) onde o sistema de saúde tem clínicas, hospitais e mais de 3 mil médicos.

Os empregados da GM poderão optar por outras modalidades de benefício, mas o convênio com o Henry Ford deve sair de 300 a 900 dólares mais barato (por ano) do que a segunda opção mais em conta, de acordo com a companhia. (Nos Estados Unidos, os empregados arcam com parte do benefício de saúde).

O presidente do Henry Ford, Wright L. Lassiter III, disse ao The Wall Street Journal que a parceria é um desafio, mas reconheceu que o setor precisa se afastar dos modelos que premiam o volume dos serviços médicos. “Teremos que entregar menos das coisas que tradicionalmente geram mais receita”, afirmou. Apesar disso, a escala potencial com o acordo promete fechar as contas: 24 mil funcionários (de um total de 180 mil empregados da GM no mundo) são elegíveis ao benefício.

Num setor complexo e regulado, eliminar a operadora de planos de saúde não é uma opção trivial – e, por enquanto, tem sido uma opção de empresas com milhares de empregados concentrados em regiões específicas. (No caso da GM, a eliminação não é total, mas a parceria é bem mais restrita: a Blue Cross vai ajudar no processamento e avaliação de pedidos médicos).

Outras empresas como Walmart e JetBlue tem uma parceria mais restrita, para cirurgias complexas – como de coluna, coração e bariátrica – por meio de uma rede chamada Employers Centers of Excellence Network (ECN), que ajuda os empregadores a identificar provedores de serviço de qualidade e negociar diretamente os pagamentos.

Apesar da complexidade dos acordos diretos, cada vez mais empresas pensam em adotá-los. Uma pesquisa recente feita pela National Business Group on Health com grandes empregadores nos Estados Unidos mostra que 11% deles pretendem adotar algum tipo, contra apenas 3% no ano passado.

O movimento da GM é apenas uma das inúmeras iniciativas para tentar conter a disparada dos custos médicos que aflige pacientes, seguradoras e empregadores em todo o mundo.

No começo do ano, JP Morgan, Berkshire Hathaway e a Amazon anunciaram a criação de uma empresa independente, sem fins lucrativos, para seus empregados nos Estados Unidos. Há pouco mais de um mês, as companhias contrataram o CEO da JV: Atul Gawande, um cirurgião que dá aula em Harvard e é crítico ferrenho da ineficiência do sistema de saúde.

Uma frase atribuída a um antigo CEO da GM diz que “o que é bom para a General Motors é bom para os EUA. ” Os resultados do experimento em Detroit mostrarão se a frase é verdadeira.

 

Com informações Brazil Journal e Detroit Free Press. Edição Setor Saúde.

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