Gestão e Qualidade, Tecnologia e Inovação | 20 de janeiro de 2015

Ferramenta favorece a diminuição da variabilidade de processos assistenciais 

Programa aplicado no Hospital Moinhos de Vento tem inspiração na Escócia e Inglaterra 
Ferramenta favorece a diminuição da variabilidade de processos assistenciais

Com o objetivo de elevar a segurança assistencial e qualificar o tratamento dos pacientes, o Hospital Moinhos de Vento vem implementando uma ferramenta que facilita o acesso aos protocolos assistenciais utilizados na Instituição. O novo sistema permite que o corpo clínico tenha acesso a informações atualizadas, baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis e adequadas à realidade local, de forma ágil e prática, o que auxilia na tomada de decisão clínica. Para esta construção, o Hospital promove o envolvimento das lideranças de diversas áreas para elaboração dos protocolos, o que torna os documentos mais abrangentes e com maior envolvimento multidisciplinar.

“Queremos padronizar ao máximo as condutas (as que foram passíveis de padronização) e diminuir ao máximo a variabilidade dos processos, para que consigamos entregar o melhor cuidado possível para todos os pacientes que estiverem internados no hospital”, revela Gabriel Dalla Costa, Gerente Médico do Hospital Moinhos de Vento.

A inspiração para a adoção desta filosofia vem de um programa aplicado na Escócia e Inglaterra que possui a cultura “Every patient, every time”, ou seja, procura garantir que o melhor atendimento seja entregue de maneira uniforme, em termos de excelência, para todos os pacientes,independentemente de onde ou em que momento do atendimento estejam, o que se configura em nobre meta, porém também se constitui em um grande desafio. “Nos Estados Unidos, o número de mortes relacionadas a eventos adversos e erros dentro de hospitais, aproxima-se de um avião do tamanho de um Jumbo, por dia. Caso isto estivesse ocorrendo na aviação (um Jumbo caísse todos os dias), questiona-se: Quem voaria? O que estaria sendo feito para evitar que isso ocorresse?”, ressalta Dalla Costa. A primeira forma de minimizar isto é através da padronização da informação, com sua ampla disponibilização, além do envolvimento das lideranças na agenda da qualidade e segurança, de treinamentos constantes e do desenho de sistema efetivos e inteligentes que funcionem como estruturas de apoio à decisão.

Desde a implementação do sistema de protocolos, mais de cem documentos já foram criados, os quais estão organizados em fluxos que possuem formato de algoritmos. O acesso é feito através de palavras-chave que, quando, por exemplo, o profissional está registrando a evolução médica diária no prontuário eletrônico, geram um pop-up que se abre associando essas palavras aos protocolos aos quais estão linkadas. Se, por exemplo, o profissional digita a palavra “torácica”, o sistema automaticamente reconhece todos os protocolos que estão relacionados a esta palavra-chave e oferece a possibilidade de acesso. Estes documentos permitem, muitas vezes, que se possa ‘linkar’ um protocolo ao outro. É possível acessar de dentro do protocolo de dor torácica, por exemplo, os protocolos de síndrome coronariana aguda, tromboembolismo pulmonar, dissecção de aorta, pneumonia, entre outros.

Além disso, os protocolos estão organizados em cores, sendo que cada cor representa uma etapa do processo diagnóstico e/ou terapêutico, o que se torna uma outra forma de padronizar a informação, além de facilitar a visualização. Muitas vezes, dentro do box de cada etapa, existe ainda um símbolo “i” que quando clicado, direciona para uma janela que complementa a informação, apresentando tabelas, textos e diversas explanações, com referências científicas devidamente explicitadas. Muitos dos protocolos são a compilação de várias diretrizes, capítulos e artigos científicos. Exemplo é o protocolo de “Pneumonia Adquirida na Comunidade em Adultos” que, além da experiência de pneumologistas e médicos internistas que escreveram o documento, contou com a análise e incorporação de condutas das últimas diretrizes brasileiras, americanas, inglesas e indianas, todas adaptadas à realidade do Hospital Moinhos de Vento, visando entregar a informação com a melhor qualidade possível.

Para se chegar a essa quantidade de protocolos, foi preciso uma integração multidisciplinar dentro das áreas para que fossem identificadas as condições de maior impacto assistencial. “Existe um Núcleo de Gestão de Protocolos, composto por integrantes da Superintendência Médica e da Epidemiologia Hospitalar, que se reúne com os chefes dos serviços médicos que, por sua vez, designam pessoas-chave para trabalharem como desenvolvedores”, explica Dalla Costa. Assim que concluídos pelas áreas, os documentos recebem ainda a validação da Comissão de Protocolos do Hospital Moinhos de Vento e, quando disponível, do órgão regional representativo da especialidade.

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