Mundo | 6 de novembro de 2014

Estudo em Campinas aponta altas taxas de sífilis e HIV entre gays

Pesquisa da Fiocruz analisou o sangue de 600 homens homossexuais
FioCruz

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) analisou o sangue de um grupo de gays e apontou alta presença de doenças sexualmente transmissíveis. A pesquisa, publicada na revista científica PLoS One, foi feita com cerca de 600 voluntários do sexo masculino em Campinas.

O trabalho mostrou que 7,6% deles tinham o vírus da Aids, 11% estavam infectados pelo vírus da hepatite B e 10% pela bactéria da sífilis. A proporção de infectados, nos três casos, é pelo menos dez vezes superior à média da população geral. Além disso, cerca de 30% dos participantes tinham coinfecções (mais de uma infecção ao mesmo tempo).

A equipe usou um método de recrutamento onde um pequeno grupo (30) de ativistas gays de Campinas foram chamando outras pessoas, durante um ano, até chegar aos cerca de 600 voluntários. “Isso pode trazer algum viés para os dados, mas usamos métodos estatísticos para tentar corrigir isso”, explica Selma Gomes, do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz do Rio de Janeiro, ao jornal Folha de São Paulo.

“Você tem aquelas campanhas genéricas sobre usar camisinha no carnaval, mas não parece ter sido suficiente para atingir essa população, que está altamente exposta a essas doenças”, ressaltou Selma, lamentando a ausência de campanhas de conscientização.

Mesmo o uso do preservativo não é suficiente para eliminar outro problema detectado pelo estudo: a alta prevalência de infecções pelas duas principais variantes do vírus HPV, que causa câncer genital. “Não dá para proteger todas as áreas genitais pelas quais o vírus está circulando, o que facilita o contágio”, alerta a pesquisadora.

A prevalência do HPV entre os participantes poderia justificar a ampliação da vacinação contra o vírus, abordagem que só acontece com o sexo feminino, atualmente.

Para Selma Gomes, é difícil dizer até que ponto o tipo de atividade sexual (como o sexo anal) acaba colocando gays sob maior risco. Uma explicação seria a de que fatores comportamentais, como o número de parceiros, seriam mais importantes.

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