Estatísticas e Análises | 19 de maio de 2020

Entidades médicas lançam parecer sobre o uso de Cloroquina e Hidroxicloroquina

Texto é assinado por três entidades médicas: AMIB, SBI e SBPT
Entidades médicas lançam parecer sobre o uso de Cloroquina e Hidroxicloroquina

As entidades científicas Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) emitiram parecer com diretrizes para o tratamento da Covid-19. No documento, as três entidades não recomendaram – ao menos neste momento – o uso de rotina da cloroquina e da hidroxicloroquina. O apoio técnico é dos hospitais Moinhos de Vento, Alemão Oswaldo Cruz e Sírio-Libanês.

A SBI defende que é precoce a recomendação de uso e que é preciso aguardar por mais estudos (ver no final da matéria). Segundo nota da SBI, ambos os fármacos (cloroquina e hidroxicloroquina) têm descrição de efeitos adversos como retinopatias, hipoglicemia grave, prolongamento QT (que se relaciona com alteração da frequência cardíaca, com batimentos cardíacos acelerados) e toxidade cardíaca, sendo exigido contínuo monitoramento médico dos indivíduos em uso da cloroquina ou hidroxicloroquina.

Os estudos foram feitos em pacientes hospitalizados e, portanto, não há base para o consumo da droga por pacientes ambulatoriais: “Seu uso preferencial deve ser realizado mediante protocolos de pesquisa clínica”, dizem os pesquisadores.

Já a AMIB emitiu nota com 11 recomendações:

Recomendação 1: Sugerimos não utilizar hidroxicloroquina ou cloroquina de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência baixo)

Recomendação 2: Sugerimos não utilizar a combinação de hidroxicloroquina ou cloroquina e azitromicina de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 3: Recomendamos não utilizar oseltamivir no tratamento da COVID-19, em pacientes sem suspeita de infecção por influenza (recomendação forte, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 4: Sugerimos utilizar tratamento empírico com oseltamivir em pacientes com síndrome respiratória aguda grave, ou em síndrome gripal com fatores de risco para complicações, onde não se possa descartar o diagnóstico de influenza (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 5: Sugerimos não utilizar lopinavir/ritonavir de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência baixo)

Recomendação 6: Sugerimos não utilizar glicocorticosteroides de rotina em pacientes com COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 7: Sugerimos não utilizar tocilizumabe de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 8: Recomendamos utilizar profilaxia para tromboembolismo venoso de rotina em pacientes hospitalizados com COVID-19 (recomendação forte, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 9: Sugerimos não utilizar heparinas em dose terapêutica de rotina no tratamento da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 10: Sugerimos não utilizar antibacterianos profilático em pacientes com suspeita ou diagnóstico da COVID-19 (recomendação fraca, nível de evidência muito baixo)

Recomendação 11: Recomendamos utilizar antibacterianos em pacientes com COVID19, com suspeita de coinfecção bacteriana (recomendação não graduada)


Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da COVID-19 AMIB, SBI e SBPT

1 Benefício clínico – o: pequeno ou negligenciável; +: moderado; ++: importante
2 Risco – o: pequeno ou negligenciável; +: moderado; ++: importante
3 Custos diretos – $: custos baixos; $$: custos moderados; $$$: custos elevados. Avaliação qualitativa, considerando sistema público e saúde suplementar, com base em preços aferidos pelo Painel de Preços do Ministério da Economia, Banco de Preços em Saúde, tabela CMED e preços habituais praticados em mercado.
4 Acesso – û: indisponível; ü: disponibilidade limitada no contexto brasileiro, seja do insumo, seja de profissionais com experiência no seu uso; üü: boa disponibilidade no contexto brasileiro
5 Evidência avaliada de acordo com o GRADE. Níveis de confiança na evidência: ++++ alto; +++o moderado; ++oo baixo; +ooo muito baixo
6 Para custos, considerada anticoagualção terapêutica com heparina de baixo peso molecular, implicando em maiores custos.

Acesse aqui o documento completo da AMIB 


SBI: recomendação para aguardar os resultados dos demais estudos 

A SBI conclui que “ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração.”

Desta forma, a SBI “fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da COVID-19. Estudos multicêntricos prospectivos com uma maior abrangência amostral e desenhados de forma randomizada e duplo-cego são necessários para diminuir o viés de interpretação dos resultados obtidos para prover a comunidade científica e médica do suporte necessário para conclusões definitivas sobre a utilização da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19″, diz a entidade.

Assinam o documento da SBI (acesse aqui) os pesquisadores integrantes do Comitê Científico e Diretoria da Sociedade Brasileira de Imunologia. São eles:

Comitê Científico: João Viola (Presidente), Alexandra Ivo de Medeiros, Ana Caetano de Faria, Claudia Brodskyn, Cristina Bonorino, Daniel Mansur, Daniel Mucida, Fernando Cunha, Gustavo Menezes, Helder Nakaya, Jean Pierre Peron, João Marques, Jorge Kalil, Manoel Barral Netto, Patricia Bozza, Pedro Vieira e Renata Pereira. Diretoria: Ricardo Gazzinelli (Presidente), Karina Bortoluci, Cristina Cardoso, Dario Zamboni e José Alves Filho.

 

 

 

 

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