Como trabalhar as mágoas para despoluir a consciência
Cardiologista e pesquisador explica ao portal Setor Saúde como funciona a Higiene Consciencial
A Consciencioterapia é a especialidade dedicada ao estudo, tratamento, alívio e remissão de patologias e parapatologias da consciência, por intermédio da aplicação de recursos e técnicas derivados da Conscienciologia. O tema, que pode parecer complexo e estranho, é bastante comum no cotidiano.
Eduardo Martins Balthazar (foto) é cardiologista e pesquisador da consciência desde 1994. É médico do Hospital Ministro Costa Cavalcante (Foz do Iguaçu) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Especialista no assunto, ele acaba de publicar o livro Higiene Consciencial: Reconquistando a Homeostase no Microuniverso Consciencial.
Após o lançamento oficial realizado em setembro, em Foz do Iguaçu, ele realizará uma série de eventos para promover a obra pelo Brasil. Em entrevista para o portal Setor Saúde, revelou que está agendando visita a Porto Alegre para novembro.
A mágoa é uma doença emocional
“Levei 11 anos para escrever o livro, tenho 18 anos de experiência em cursos de higienização consciencial, ministrei nos EUA, Europa e Brasil. Essa ciência é nova e fundamental, que trata a magoa, as distorções cognitivas, e as pessoas podem aprender por elas próprias. O livro ensina isso de maneira bem didática”, revelou. O especialista na temática Higiene Consciencial aborda o tema com base no paradigma consciencial, convidando o espectador à autorreflexão e a experimentação das técnicas propostas em sua pesquisa.
“A mágoa é uma doença emocional, capaz de provocar muitos estragos. Ao ignorar ela, as sensações, o que acontece é que ela vai crescendo e pode criar inúmeros problemas. É muito difícil de ser diagnosticada porque a pessoa não gosta de falar sobre isso”.
Dr. Eduardo Martins explica que “quando a pessoa está desgostosa de si mesma, quando não está bem, faz sempre uma leitura de que o problema vem de fora. É a chamada distorção cognitiva. Se alguém está mal, sofreu uma traição, foi demitida do trabalho, ou sofreu algo semelhante, não faz uma leitura de que é ela própria que não está bem”.
Mágoa e orgulho
O especialista afirma que é preciso ser transparente e sincero consigo. “O que ocorre é que existe o orgulho, que é outro veneno. Quando se junta a magoa com uma dose de orgulho, a pessoa se fecha”. Ele faz uma comparação com um óculos com a lente trincada. “A pessoa magoada vê outra realidade, seleciona só o negativo. Faz uma leitura mental e começa a tentar adivinhar os motivos pelos quais os outros estão fazendo determinadas coisas. Isso acontece nas melhores mentes. A mágoa não escolhe determinados seres humanos, ela é democrática”.
Dr. Eduardo enfatiza que “uma pessoa extremamente inteligente, pós-doutorada, pode ser uma criança do ponto de vista das emoções”. Por definição, a realidade intraconsciencial é a “qualidade ou característica da real estrutura íntima do microuniverso consciencial de qualquer consciência, intrafísica ou extrafísica, em todo nível evolutivo”.
Segundo o especialista, os problemas surgem porque a pessoa “desenvolve muito o intelectual e o lado intraconsciencial é ignorado. Até em congressos médicos importantes, vemos alguns absurdos nesse sentido. São como crianças de terno falando sobre temas complexos”.
Narcisismo
O narcisismo é outra característica típica de uma pessoa que necessita de uma higienização consciencial. “Trata-se de uma resposta compensatória a uma sensação emocional mal elaborada. Podemos exemplificar com uma criança que teve um pai rígido, que não dava demonstrações de carinho, juntamente com uma mãe alcoólatra ou que tenha uma doença que tenha gerado privação afetiva. O resultado é a falta de um fluxo de afeto”. Além de ser uma situação relativamente comum, as consequências podem ser desagradáveis.
“Sem o lado emocional, essa pessoa não amadurece as trocas afetivas. Ela aprende que não é digna de receber amor, não sabe o que é isso. Ela cresce pensando que não merece ser valorizada, amparada e assistida. É um jacaré que vive dentro da pessoa”.
Assim, a falta de confiança pessoal é compensada de outras formas. “Surge o pensamento comum que é o ‘preciso ser bom. Não posso perder nem mostrar que sou fraco. Ela se torna uma pessoa competitiva, que pode ser muito boa no que faz, mas porque não pode sequer pensar em errar. Ninguém gosta de errar, mas a relação com as falhas pode se tornar patológica”.
Técnicas para a higienização consciencial
Em seu livro, Dr. Eduardo Martins apresenta 17 técnicas que envolvem o autoconhecimento, a reflexão e a busca pela paz interior, para despoluir a consciência e se livrar das mágoas visando uma vida mais equilibrada.
Uma delas é a Identificação do Narcisismo. “É um problema geral, as pessoas não conseguem identificar. A técnica ajuda a sinalizar alguns pontos, para a pessoa ficar desconfiada consigo mesma. Não é uma técnica pragmática, é como uma dica que gera reação. É possível identificar facilmente o narcisismo, é alguém que não tem afeto e compensa de inúmeras formas, como a conquista de troféus, adquirindo bens. O problema não é construir patrimônio, mas fazer isso na base da compensação”.
“O narcísico sempre se mostra por cima, não se apresenta de forma natural porque sempre precisa disfarçar. Ele não gosta de quem ele é. Mas a vida nos dá rasteiras e nos coloca no devido lugar. O que vejo muito são profissionais que sofrem e não tem alternativa dentro de si. E isso tem relação com infarto, doenças coronarianas, leva a depressão. Hoje, sabemos que o estresse e ansiedade são fatores para risco cardíaco”.
Existe também a Auto-Higienização Emocional, também chamada de Sinceridade Cosmoética, que fala em ser sincero consigo em relação aos próprios anseios. “A intenção é viciada, a pessoa quer fazer ‘isso’ para ganhar ‘aquilo’ lá na frente. É o egocentrismo. Para aplicar a higienização, é preciso ser sincero, saber o que de fato você pode melhorar em si mesmo. Os pensamentos doentios são muito presentes porque não paramos para refletir. Queremos fugir da situação ruim ouvindo musica, trabalhando, ou algo do gênero. É nesse momento que eu faço a pergunta provocativa: você gosta de voltar para casa?”, questiona.
O especialista dá outro exemplo de fuga da realidade: os encontros de amigos ao final do expediente. “Não deveria ser happy hour (hora feliz), mas sim escape hour (hora de escapar), porque você fica na rua até tarde, para chegar em casa bêbado. Muita gente faz isso para não conviver com a própria vida íntima”.
Ao traçar um paralelo em relação às doenças físicas, o conscienciologista lembra que um doente sempre busca a cura quando percebe sintomas. “Mas quando há um problema existencial, por que não se faz o mesmo movimento? A cura está dentro de si, e o primeiro passo para a cura é saber o nome da doença”.
Outro ponto importante citado no livro é o Padrão Homeostático de Referência. “Quando o referencial de si mesmo não é bom, muitas vezes o doente não sabe disso, apenas vive um desconforto íntimo crônico. Com essa técnica, é possível ter um padrão de harmonia pessoal independente das suas memórias, raivas e magoas do passado. Não é preciso conviver com a doença eternamente”.
A Terapia de Higiene, também explicada no livro, trabalha para que o paciente entenda e aprenda a lidar com suas mágoas. “Não mais na condição de vítima da situação, mas como um terapeuta de si mesmo, transformando o problema em oportunidade. É a forma como se olha para o problema. O resultado pode ser uma oportunidade, trabalhar em cima disso. Posso fazer um artigo para explicar meu caso, e isso pode virar uma palestra, por exemplo”.
Um método curioso também tratado no livro é a Imobilidade Física Vígil, em que a pessoa “fica parada olhando para uma parede, para assentar seu turbilhão emocional. O corpo físico fica paralisado e você consegue se enxergar melhor. É uma técnica ansiolítica, que basicamente consiste em ficar em casa parado”, explicou Dr. Eduardo.
Considerado pelo pesquisador um dos agentes mais poluidores da consciência humana, o grande problema da mágoa é a terceirização afetiva, ou a falta de auto-responsabilidade emocional. “Cada ser humano é uma realidade complexa, natural e crua. Não adianta tentar inventar novos seres dentro de si”, sintetiza Eduardo Martins. “O amor nasce do auto-esclarecimento. Você só vai gostar das pessoas quando se esclarecer a ponto de gostar de você mesmo”, conclui.
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