Gestão e Qualidade | 10 de outubro de 2018

Capitation Reverso: entenda a proposta da CNSaúde para a saúde suplementar

Modelo que será implementado na Bahia tem como foco a prevenção e visa que o usuário trate diretamente com o prestador de saúde
Capitation Reverso entenda a proposta da CNSaúde para a saúde suplementar

O vice-presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Marcelo Britto, explicou os detalhes do novo modelo de operação para a saúde suplementar proposto pela entidade, chamado Capitation Reverso, em entrevista à TV Senado. No novo modelo, os usuários contratariam a cobertura diretamente com os hospitais privados, que terão firmado um contrato com as operadoras dos planos de saúde. De acordo com o vice-presidente, o Capitation Reverso será implantado em outubro na Bahia – nas cidades de Salvador e Feira de Santana.

O Capitation Reverso propõe que o usuário do sistema passe a lidar diretamente com o prestador de serviços de saúde e, assim, a operadora de saúde fica responsável somente pela venda do produto aos consumidores. Com o novo modelo, o usuário efetua o pagamento diretamente com os estabelecimentos de saúde – que se organizariam em redes por critérios pré-estabelecidos. “Temos um grande dificultador hoje no mercado, que é o modelo fee for service. Estamos há 25 anos dizendo que esse modelo está falido. Agora, temos um modelo concreto de alternativa”, explicou o vice-presidente.

Hoje, na prática, a operadora precisa lidar com o paciente, apesar de ela não ser a responsável direta pelos cuidados do mesmo. Com o novo modelo, algumas práticas consideradas prejudiciais para o paciente seriam extintas, como o tempo de espera para autorizações de procedimentos, pedidos negados, excesso de uso, entre outros.

O vice-presidente explica que o usuário irá se relacionar na rede prestadora de serviços de saúde. “Ele vai procurar os meios de venda da operadora, mas não vai comprar daquela operadora. Ele precisa olhar qual a rede prestadora”, ressaltou. De acordo com Britto, o modelo atual pode ser até considerado uma fraude contra o usuário, porque o consumidor adquire um plano de saúde, com uma determinada rede prestadora de serviços e, durante o contrato, a operadora deixa de atender em determinada unidade, o que altera as prestadoras de saúde disponíveis para o usuário. “No novo modelo, haverá compromisso que, na vigência do contrato, não haverá mudanças, nem do hospital, nem do laboratório, nem da clínica, e nem dos seus médicos”, enfatizou.

“Estamos propondo um modelo concreto, prático e vai estar implantado agora, em outubro, na Bahia. É um modelo disruptivo, novo. Vamos alinhar perfeitamente o interesse do usuário, da operadora e do prestador”, explica. De acordo com o vice-presidente, o novo modelo acaba com tabelas médicas, discussões sobre medicamentos (como o atual debate sobre a CMED nº 02/2018) e outros imbróglios que os gestores de saúde enfrentam.

Ênfase na prevenção

 De acordo com Britto, “a parte mais bonita” do novo modelo é a ênfase na prevenção. “Hoje, fazemos o que gosto de chamar de medicina da doença, e não a medicina da prevenção. Vivemos um paradoxo: em tese, quanto mais doente o paciente estiver, melhor é a remuneração dos prestadores de serviços. Nós não queremos isso. Queremos todas as cabeças brilhantes da área da saúde pensando na prevenção”, frisou.

O vice-presidente explica como a prevenção é uma prática valorizada no novo modelo para todos os atores envolvidos. “É ótimo para a operadora, que já teve a remuneração do serviço dela; para o prestador de serviço de saúde, porque cuidar da doença é muito mais caro do que cuidar da prevenção; e evidentemente é ótimo para o usuário, porque o que o usuário mais deseja é a manutenção de sua saúde”, explicou.

Confira a entrevista completa do vice-presidente da CNSaúde:

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